Conheça “Switch me on” (Honnou Switch)

Um ‘soft porn‘ para lá de fofo e divertido! ^^

Olá meus queridos e amados! Daremos continuidade ao nosso projeto de divulgação de obras “alternativas” não publicadas no Brasil. Para quem não está conhecendo ou está lendo a primeira postagem desse projeto, basicamente a nossa ideia começou em Agosto/2021 e foi executada no mês seguinte, em Setembro. A ideia veio da minha revolta com as editoras ignorarem a existência do Shoujo/Josei, ou virem com a falácia de que “Shoujo não vende”, baseado apenas na ideia de que elas ‘jogam’ títulos da demografia numa loja, banca e afins, e espera apenas que o título se venda sozinho, sem fazer marketing ou sem fazer o título ser atrativo para o público. E como essas demografias estão cada vez mais escassas no mercado, considerei como sendo a hora de tentar fazer alguma coisa, ou barulho para tentar chamar atenção. Daí a iniciativa de comentar esses ditos títulos alternativos.

Mas afinal, o que seria um mangá “alternativo”? Estamos considerando, principalmente, mangás de demografia Shoujo, Josei, GL (Yuri) ou BL, mas penso seriamente em incluir também alguns Shounens/Seinens escritos por mulheres, já que o mercado parece ter problemas com autoras mulheres também (por que será, né?) e alguns outros com temática LGBTQIA+. Começamos nossa série de postagem com “A sign of affection” (“Yubisaki to Renren, no original), mangá shoujo de Suu Morishita. Em Outubro, comentamos de “À tes côtés” (“Hananoi-kun to Koi no Yamai, no original), outro shoujo, só que este escrito e ilustrado por Megumi Morino. E hoje, no mês de Novembro, o mangá da vez é “Switch me on” (Honnou Switch), mangá Josei de KUJIRA.

“Switch Me On” (ホンノウスイッチ) começou a ser publicado na 3ª edição da revista digital Comic Tint (Josei), da editora Kodansha, em 1 de Junho de 2018. A Comic Tint é uma revista muito nova, tendo sido iniciada em 6 de Abril/2018, sendo assim, a publicação de Switch Me On começou praticamente junto ao nascimento da revista. Switch não demorou a começar a ter destaque na revista, passando a estampar diversas edições dela como os volumes 4 (abaixo), 8, 11, 16, 22, 33, etc… A notoriedade foi tanta que o mangá veio a ser o primeiro da revista a receber volumes impressos! Antes disso, todas as obras ficavam apenas em capítulos digitais. O 1º encadernado foi lançado em 10 de Janeiro em 2020 e a partir dali, a obra foi tendo seus capítulos compilados em encadernados periodicamente. A obra teve sua publicação encerrada em 1º de Outubro/2021, na edição 42 da revista. O volume 8 (último) será lançado em 12 de Novembro.

Algumas das capas da Comic Tint estampadas por “Honnou Switch”

Partindo para a premissa da história, em Switch Me On nós vamos acompanhar a história da Koyori, uma mulher que trabalha em uma empresa de videogames. Ela estava em um relacionamento de mais de 2 anos, até que descobre que esse namorado a estava traindo, terminando com ele após essa descoberta. Magoada, ela vai afogar as tristezas na bebida acompanhada de seu amigo de infância, o Hijiri. Na manhã seguinte, ela acorda na cama com ele. Aproveitando a oportunidade, ele se declara para ela e diz que a ama há muito tempo. A partir daí, o relacionamento deles começa a mudar, sentimentos começam a despertar, entre outras coisas. Como será a mudança de amigos de infância para namorados?

As páginas coloridas da edição francesa foram compradas a parte pela Akata ^^

Switch Me On é um mangá muito bom por ser simples, muito simples mesmo. A obra acerta demais na sua simplicidade e é isso que o torna tão encantador e prazeroso de ler. O desenrolar da trama é rápido. Nessa parte inicial, a trama não dá rodeios e vai direto ao ponto do relacionamento amoroso dos dois. Isso não é spoiler, porque a própria sinopse te indica que eles vão namorar e isso acontece bem rápido. A premissa da obra é ir trabalhando o desenvolvimento da relação deles, principalmente pelo lado de que os dois se conhecem desde crianças e o como será a partir de agora? E se der errado? Como vai ser? Vão se estranhar? Se separar? Não conseguir olhar um para o outro? E também, pelo lado de que o que um casal faz de ‘diferente’? O que eles poderiam fazer de diferente que antes quando eram amigos, para o agora como namorados além de transar?

Nesse primeiro volume, a autora trabalha muito a construção de sentimentos de receio da Koyori ao se ver com a possibilidade de namorar o amigo de infância. Como eu disse nos parágrafos acima, há uma série de questões que se passam na cabeça da personagem por ter medo de que no fim, eles venham a terminar e a preciosa amizade deles chegue ao fim, ou que não volte a ser como era antes daquilo, afinal, é bem comum que o clima entre ex-namorados não volte a ser como era antes do relacionamento propriamente (principalmente aqueles que não terminam bem), gerando um estranhamento de ambas as partes e, talvez, se afastando. Acho bem interessante como é colocado e em como a autora amarra essa questão a experiências da própria personagem e do que ela já viu de antigos relacionamentos do Hijiri.

“Nós dois já namorados outras pessoas… Se um de nós terminava, o outro estava lá para animar… Antes de encontrar o amor novamente… E por nada no mundo… Eu não gostaria que isso mudasse…”

Nesse clima, vamos acompanhando os dois em meio a idas ao passado dos dois, como funcionava a dinâmica deles quando mais novos e que servem de base para entender melhor o que seria a dificuldade de começar a namorar agora. Mas não chega a ser um drama ou algo muito carregado. É leve e serve como forma de movimentar a trama fazendo os personagens se moverem. Inclusive, eu acho muito bom que a autora entende o que ela quer fazer e o que não pode fazer para tirar o clima. A ideia que o mangá passa é que mesmo nos momentos mais dramáticos, que eles não sejam carregados e que sejam momentos mais fofos. É tudo muito envolto em fofura e a autora faz isso muito bem.

Coloquei lá em cima e na sinopse do post que o mangá é um ‘soft porn’, porque o mangá está muito relacionado a sexo, mas diferente de GAME – Jogo Proibido (lançado no Brasil pela Panini) que usa o sexo para a narrativa como forma de transmitir sentimentos e ser erótico, Switch vem com a ideia de ser apenas meigo. Quando eles estão felizes, transam. Quando se conciliam depois de uma briga, eles transam. Mas nenhum desses é dado destaque. Não dura muitas páginas ou até mostram penetração ou coisas do gênero, nada disso. É tudo feito com o intuito de ser fofo. É como um complemento do relacionamento do casal. A montagem das cenas e o propósito delas é esse.

“Eu te amo… Koyori”

Vi pessoas falando criticando o mangá por ser basicamente isso, como se fosse algo ruim e eu discordo muito. É mais daquilo que você espera do mangá. Ele se propõe a ser algo básico, sendo perfeito para distrair a mente ou passar tempo lendo algo reconfortante e não tem nada de errado nisso. Se você entende que essa é a proposta da obra, ela é excelente, pois cumpre perfeitamente seu papel. Se fosse para dar um exemplo de algum mangá que tem uma pegada parecida, seria “JOY” (lançado no Brasil pela NewPOP), um BL muito simples e que por isso é tão bom. Onde quero chegar é: saibam o que esperar do mangá antes de ir ler. Óbvio que pode ser uma leitura que não vá agradar todo mundo (afinal, gostos diferem entre pessoas), mas que de forma geral, tem muito potencial para atrair leitores, principalmente considerando o cenário caótico que o Brasil está atualmente.

Passando para outro aspecto antes de encerrar, eu queria falar um pouco da arte da autora. Se o mangá respira essa fofura toda, boa parte disso é graças aos designs dos personagens. Os desenhos da KUJIRA dão uma sensação meio adocicada, leve, aconchegante… É bonito de ver e torna a experiência de leitura bem mais agradável. A autora tem bons enquadramentos, estabelecendo muito bem a comédia e o ritmo dela é ótimo. São capítulos de 30-40 páginas que passam voando. Em um instante você devora os capítulos.


Essa postagem foi mais curta em relação as outras duas, isso porque o mangá não tem muitos segredos, uma trama muito profunda ou apresenta diversas camadas. Ele é exatamente aquilo que se propõe a ser: um romance fofo. Cumpre esse papel muito bem e é por isso que gosto tanto dele. A dica é justamente essa. Leiam sem esperar uma trama complexa, sendo algo bem despretensioso e bom de ler em uma tarde qualquer. Esse é o feeling da série. São 32 capítulos + alguns extras (8 volumes no total). Perfeito de ler e acompanhar. É uma série bem curta, então não seria impossível de se ter a obra por aqui no Brasil (isto é, se não fosse Josei e as editoras não ignorassem a demografia).

No caso de “Honnou Switch“, eu acho que o título pode ser uma boa pedida para a Panini por eles publicarem “GAME – Jogo Proibido” e serem “”semelhantes”” (muitas aspas nisso aqui), sendo interessante para ser uma opção de se ‘colocar no lugar’. Acho um bom título para a NewPOP por ser bem curtinho, como normalmente são as séries lançadas pela editora. Em todo caso, aqui você pode deixar a sua sugestão para a NewPOP no Cantinho de Sugestões (que também está fixado no Twitter oficial deles). Para a JBC, peça no Indique JBC. E para pedir para a Panini ou Devir, mande uma mensagem por DM no Instagram das editoras ^^

Temos um vídeo mostrando mais a edição francesa do mangá ^^

3 comentários em “Conheça “Switch me on” (Honnou Switch)

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