Saihate no Paladin (The Faraway Paladin) #2 – Impressões semanais

Surpresa! Olha só quem voltou muito mais cedo que o esperado!

Não estava nos nossos planos comentar “Saihate no Paladin” semanalmente no blog, afinal, já pegamos dois animes (“Mushoku” e “Platinum End”). Porém o autor da obra, Yanagino Kanata, foi super amorzinho com o blog, lendo, comentando e recomendando a nossa postagem de primeiras impressões (duas vezes por sinal), sendo muito receptivo com os fãs brasileiros. Por isso – e por ser um anime bom – resolvemos comentar a obra no blog episódio por episódio. Esperamos ajudar mais pessoas a terem interesse na obra/animação com isso ^^. Sem enrolação, falaremos do 2° episódio \o/


RUB: Alê, tivemos mudanças de planos no blog. Não estava no planejamento inicial, mas como surpresas podem acontecer, decidimos fazer comentários semanais de mais um anime: Saihate no Paladin. Como todos que nos acompanham e leram a postagem anterior sobre o anime, sabem que a estreia da adaptação da novel do Kanata Yanagino nos surpreendeu bastante positivamente. Tanto eu quanto o Alê não conhecíamos nada da história antes e até escolhemos esperar para ver como seria o segundo episódio, se iria render assuntos para as nossas conversas, e acima de tudo, se seria tão bom quanto a sua estreia. Para a nossa felicidade, essa semana também nos impressionou pelos temas abordados e de como o anime consegue ter muitas qualidades em comparação a outras histórias do mesmo gênero. A introdução desse episódio é um exemplo perfeito de como uma história de aventura simples, pode render diversas discussões e levantamentos sobre o que conhecemos. Como um exemplo, minha família é toda cristã, e assim todos os ensinamentos que aprendi seria que existe apenas um Deus benevolente e criador de todas as vidas que temos nesse universo. E como consequência, nos é ensinado que não existe outros deuses e que qualquer outra crença é coisa do diabo ou não aprovada pela nossa religião. Então ver a conversa do Augustus e Willian sobre essa dualidade entre o bem e o mal, e quais deuses nós caracterizamos como deuses virtuosos ou maus baseados apenas na nossa percepção, deixa ainda mais encorpado o roteiro de Saihate no Paladin, porque abre várias possibilidades, como termos algum deus do caos não ser pertencente algum alinhamento fixo, tipo Chaotic Evil. Podemos ter essa ambiguidade nas decisões dos personagens, em que não teremos uma pessoa totalmente bondosa, como não teremos um vilão realizando maldades sem justificativa. Toda essa filosofia pode ser retirada nessa conversa entre os dois personagens nos primeiros 2 minutos. Fantástico. Inclusive, Saihate no Paladin tem uma boa Opening. Normalmente eu pulo as músicas de abertura de vários animes, porém aqui eu curto ver. Tanto que a música da H-el-ical// é muito boa. Uma pena que não lançaram ela aqui no Spotify brasileiro. E após a abertura, novamente temos mais detalhes sendo mostrados sobre a teologia da obra. O protagonista consegue orar (ou meditar, dependendo do ponto de vista) por vários dias. Tipo, eu não conseguiria passar tanto tempo assim sem comer ou me mexer. Certeza que iria doer minhas costas no processo. xP. Só que deixa claro em como a parte religiosa será uma peça importante aqui. Penitência e devoção extrema é como fosse uma moeda de troca para conseguir alguma graça divina. Bacana ver a evolução do Willian tanto fisicamente, de conhecimentos mágicos e espiritualmente. O que também é bom destacar é que o personagem já tem 15 anos. Tipo, passou-se muitos anos, mas que o relacionamento familiar entre esses 4 personagens que foram apresentados até agora é excelente. A direção acertou tanto em ritmo e construção desses laços familiares. Não senti que foi apressado ou corrido demais.

ALÊ: Eu devo ter escrito na introdução da postagem, mas deixo aqui um beijo para o Yanagino que foi super fofo com o blog, lendo a postagem e divulgando ela no Twitter e para outros membros da staff do anime (o designer de personagens leu), então muito obrigado Sensei ^^. Falando do anime agora, gostei muito da introdução – e do episódio em si. Falamos no post de primeiras impressões como o autor coloca dicas, detalhes e coisas menores que enriquecem o mundo e nessa introdução, tem uma discussão interessante sobre o que seria o bem e o mal, sobre como isso é moldado e difere a depender de algumas perspectivas e de quem ou de qual grupo estamos falando. Rola muita tentativa de manipulação de massa a partir da religião, usando dela para alcançar algum objetivo ou condenar algum outro grupo, disputas por terras, entre outras coisas. Os caminhos do que é considerado como virtude ou não, bons e maus, é basicamente uma questão de perspectiva (e no caso aqui, são os humanos que estão definido o que é a virtude e pode ser moldado ao bel prazer de alguns). É uma coisa bem legal de se introduzir aqui e abre caminhos para possíveis utilização dos deuses para agir em benefício próprio, nos levando a pensar sobre a nossa realidade e servindo para fazer bons paralelos com a nossa realidade. É literalmente dois personagens conversando em meio ao processo de aprendizado de um deles, mas é algo muito importante. 2 minutos e o episódio já estava ‘on fire’, por assim dizer. Eu imagino que seja como você disse. Gere alguma dualidade no protagonista, ainda mais que lá para frente se discute qual Deus o William vai seguir. Podemos ter algo relacionado a isso. Sobre a abertura, eu gostei dela. Não tinha prestado muita atenção nela no episódio anterior, mas ela é muito boa. Gosto muito da forma que ela começa, com notas altas. Já somos idosos Rub. Ficamos curvados algumas horinhas e quando nos mexemos, a dor vem com tudo XD. Desde o começo, eles vem trabalhando e evidenciando a importância da religião e devoção aos deuses. Esse episódio temos uma pequena discussão do que seria o bem e o mal, posteriormente nos mostram que sua fé pode te manter ali num estado de completa concentração sem precisar de nada e assim, se consegue uma graça. Tecnicamente se você é devoto a um Deus e está tudo certo, se torna uma convivência harmônica e existe o poder de fazer a escolha de qual seguir e se comprometer para o resto da vida. Isso é muito legal. Mesmo a obra saltando no tempo e nós não vemos muito da convivência dos 4, o anime consegue estabelecer uma relação tão boa entre eles desde o primeiro episódio, que nem dá para sentir falta de algo, ou como se pudesse ter sido melhor explorado. É muito fluído. A direção está excelente para conduzir as cenas.

RUB: Sim, tem toda o lance da escolha do personagem de qual Deus ser devoto e quais as suas consequências. Mais uma vez são coisas relevantes, como se o personagem for FREAK e fanático com alguma divindade, isso trará consequências pesadas mais adiante. Até comentam de como uma oferenda, dependendo do tamanho e complexidade, pode cobrar um preço bem salgado no futuro. Gosto dessa ideia do autor estipular limitações nas próprias regras ditas, porque assim fica claro para os espectadores quais são os obstáculos enfrentados pelo protagonista, como também estabelece com clareza os fatos e acontecimentos que irão ocorrer na narrativa, não deixando aquela parada, do tipo: ‘Como o protagonista fez aquilo ou como aprendeu isso?’ São perguntas que não vão acontecer, pois nesses 2 episódios, tudo é bem explicado, não deixando furos para trás no roteiro. Uma coisa que foi falada é que na parte espiritual e de combate, o Willian está tranquilo. Agora os conhecimentos gerais, ainda faltava várias coisas, que praticamente uma parte de sua vida foram gastas em estudos incessantes. Coitado do jovem que ainda tinha treinamento de espadas e tarefas domésticas para fazer. O que também chamou minha atenção foi como novamente o anime transita em vários gêneros com muita naturalidade e excelência. No começo tínhamos um tom mais de aventura e exploração. Em seguida temos um pouco de slice of life, passando por ação na parte da cidade abandonada, depois para drama familiar e fechando com um pouco de comédia. Méritos novamente para produção do anime que conduziu muito bem entre vários tons sem perder a linha geral da história, ou destoando demais do que foi mostrado anteriormente. O que ainda é bem perceptível são as limitações orçamentárias na produção. Ainda conseguem manter os desenhos consistentes, mas dá para perceber que esse é o limite do que a produção disponibiliza no atual momento. Por ser uma obra menos conhecida, o orçamento disponível não devem permite certos esbanjamentos em cenas mais exigentes. Pelo menos a equipe de produção está fazendo um excelente trabalho nessa adaptação nos demais sentidos.

ALÊ: Exato! Gostei demais de como se tem uma noção de consequência nas ações. Não é só chegar e pedir, e que vai refletir no futuro. O que pode ser fácil de conseguir, pode exigir outra complexidade no futuro. São detalhes que se a gente pensa por cima, pode não parecer importante, mas se está ali, é porque tem e terá alguma serventia eventualmente na trama. Esses pequenos detalhes e explicações de como funciona a religião são muito importantes para o momento que o protagonista começar a viver por si. Para além de que, a partir dessas coisas, futuramente não teremos a sensação de que informação X saiu do nada, ou apareceu ali muito conveniente. É importante formar uma base sólida e muito bem estruturada para futuramente só ir expandindo os conhecimentos passados inicialmente. Sim, o Will foi tendo uma vida relativamente ‘tranquila’ até ali, diluindo bem o conhecimento adquirido ao longo dos anos, mas foi dificultando conforme ele se aproximava da vida adulta. Interessante também que a maioridade é com 15 anos e pelo deram a entender, a partir daquela idade ele precisará viver por sozinho. Daí a preocupação em ensinar tudo o que eles sabem até aquela idade e pelo menos por enquanto, diminuiu aquele medo inicial de acontecer algo com a Mary, Blood e Gus (amém!). As mudanças de tons da narrativa estão sempre associadas com trocas de ambiente. Sempre que a direção quer abordar algum outro tema, drama, ação, comédia ou slice of life, eles trocam o cenário. E não são cortes secos. O diretor vai montando bonitinho as cenas para que tudo flua perfeitamente enquanto assistimos. E senhor, a cena dramática no meio do episódio me pegou de jeito. Comentei no Twitter e vou trazer para cá. Tramas familiares mexem muito comigo. Meu âmbito familiar não é dos melhores (sobretudo por causa do meu pai), então quando vejo relações como a do Will que são bonitas de se ver, nesses momentos dramáticos, eu me emociono fácil. Quase chorei assistindo aquele trecho (e depois dei uma emocionada no final também). Sobre a animação, te digo que ainda estou um pouco surpreso com a qualidade. Eles claramente tem limitações, mas acho que estão conseguindo lidar bem com elas (pelo menor ora). Os esqueletos algumas vezes aparecem em 3D, mas não é tão destoante do 2D e em cenas mais próximas, eles estão deixando as movimentações em 2 dimensões mesmo. Achei até surpreendente dada a complexidade em desenhar ossos.

RUB: Com certeza. Foi até bom você citar a parte do protagonista com o Augustus, porque é nesse momento que puxam uma outra parada, que é a origem do Augustus, Mary e Blood. Claramente é algo muito tenso que todos ainda querem esconder dele. O protagonista reflete sobre os seus pais biológicos, o Augustus agindo de forma distante durante a luta entre eles ou o próprio pedindo para o Willian perder a luta com o Blood… Tem muitas dúvidas sendo levantadas, que constroem todo um suspense para um futuro. Até explicaram nesse episódio o que comentamos bem rapidamente no post anterior que é aquela cidade próxima do local onde viviam. Mais uma coisa que evolui para algo maior posteriormente. Agora sabemos que a cidade era um local onde tinha muitos humanos e anões, porém, por alguma desgraçada que foi omitida, se tornou um lugar amaldiçoado, cheio de mortos-vivos e seres errantes, com suas almas perdidas, vagando naquele ambiente desértico. Eu jurava que tinham pessoas ali ainda. Como sempre era de uma vista distante, me perguntava se não era um perigo estar ali tão perto da civilização, porque o Augustus, Mary e Blood não devem ser recebidos calorosamente pelos humanos. Como agora eu sei que não tem outras raças perto, também justifica o porquê do protagonista só ter visto o trio principal nos primeiros anos de vida. E como consequência, o Willian tem o sentimento de solidão quando nenhum dos outros 3 personagens está perto dele, evidenciando que agora que ele acostumou com o contexto de ter uma família, e dificilmente irá preferir voltar a ser como era antes, sozinho na vida passada. Adorei que eu sinto empatia com a situação do protagonista, porque ter uma família como suporte, nos dá uma força moral imensa para encarar os desafios diários. Também nos faz sentir que quando ele começa a atacar o Augustus ou quando escondem algo dele, é algo doloroso, pois ele deposita confiança nos demais personagens. Ele precisa de ter reciprocidade nessas relações, para que não seja deixado de lado ou o excluem de outros problemas por receio dele se machucar. Realmente essa parte mais dramática de Saihate no Paladin está sendo muito bem feita.

ALÊ: Sim, tem coisa sendo escondida e o autor está tendo o pleno cuidado de deixar tudo mais interessante, e que tem história para ser contada sobre os pais do Will. Teve a menção de que os 3 vão conversar com ele no momento certo no episódio passado. O Gus pedindo para o Will perder de propósito a batalha contra o Blood, além do clima sinistro naquela masmorra e sobre as intenções do Gus com tudo aquilo. São coisas que vão sendo deixadas pelo autor e que só contribuem para engrandecer a narrativa e te deixar animado para os vindouros desdobramentos que acontecerão. Gosto da pequena reflexão do Will sobre quem seriam os pais biológicos dele, mas ele rapidamente deixa isso de lado porque os pais dele de criação estão ali, que são a Mary, o Blood e o vovô/tio Gus. Ainda devem trazer a questão dos pais biológicos para a roda nos próximos episódios, já que o nascimento e como ele foi parar lá ainda é um completo mistério. Essa questão da solidão eu achei bem feita. Estou muito curioso de como o autor vai trabalhar essa questão. Gostei de que o Will se acostumou com sua família e não quer voltar a se sentir solitário como em sua outra vida. Ele teme muito. E é exatamente isso que você comentou. Ele deposita confiança na família dele, mas tem a impressão de não ser algo completamente mútuo. Tanto que o ápice dramático do episódio é quando ele praticamente implora para o Gus contar o que está acontecendo, o porquê dele estar fazendo aquilo e chega no ponto de não se importar em morrer, já que ele não quer atacar ou ferir a própria família. Somado a isso, ainda tem o lado de que logo mais ele vai ser considerado adulto. Cedo ou tarde ele terá que ficar sozinho. Talvez isso tenha relação com o Gus pedir para o William perder a luta. Por enquanto, seguimos num mistério muito, muito bom!

RUB: Até para fechar, adorei a piada de do Blood, do Gus e do Will com apostas. A Mary realmente é a mãe que evita os outros integrantes da família a levarem seu filho para o mal caminho. xD. Até aqui, não tenho reclamações sobre Saihate no Paladin. Estou torcendo para a equipe de produção consiga manter essa excelente qualidade até o fim da temporada. Só nos resta aguardar para ver novos desdobramentos e de como será a prova final do Willian com o Blood. Tomara que minha ansiedade fique controlada até lá. xP

ALÊ: Só abrir um pequeno parênteses aqui para falar que adorei a ED. Comentei com o Rub em Off que ela, principalmente no começo, remete a retratos dos protagonistas vivendo; São diversos momentos que não vimos. É quase como ver um álbum de fotos da família. Um complemento muito interessante para a relação familiar dos personagens. No demais, não tenho do que reclamar também e fico na pura expectativa para a próxima semana. Espero o melhor para a obra.

Essa cena aqui renderia um bom papel de parede *-*
Finalizamos a postagem com o tweet do autor e agradecemos o carinho

2 comentários em “Saihate no Paladin (The Faraway Paladin) #2 – Impressões semanais

  1. Depois q vi a ED reparei numa coisa: há personagens ali muitos parecidos com os 3 undeads. Da pra ver uma “freira” e um padre, e essa freira lembra muito a Mary só q mais nova. Vemos o Gus n tão velho com sua neta aparentemente. E nas últimas imagens vemos um guerreiro q lembra muito o blood. Acho q deram um spoiler pq no finalzinho o mc chega a perguntar a aparência do blood quando vivo para Mary e ela n revela tanta coisa kkk como se n fosse pra n ficar muito óbvio kkk

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