Resenha: Moriarty: O Patriota (volume 3)

Enfim temos “material inédito”!

ATENÇÃO: Essa postagem contém spoilers do volume 3 de “Moriarty: O Patriota”, sugerimos a leitura do volume antes de ler o post.

Olá meus queridos! Mais uma resenha de “Moriarty” (que é basicamente disso que vivo falando no blog XD). Oficializo que irei resenhar todos os volumes da obra AOS POUCOS! Gosto muito da série e sempre que tenho uma oportunidade, lá estou eu comentando de “Moriarty”. Estou igual aquele meme “Eu passava 80% do tempo falando sobre Moriarty e nos outros 20%, eu torcia para que falassem sobre para eu poder falar mais.”. Como postagens de resenha dão muito trabalho para serem feitas, é capaz que tenhamos 1 post por mês sobre a obra. Então aqui temos a de Agosto/2021! E o que posso adiantar sobre esse volume é que ele foi o mais “pesado” da obra até aqui.

Sinopse do volume: “Sherlock é preso injustamente pela Scotland Yard, acusado de assassinar o conde Drebber. Para descobrir a pessoa que manipula os fatos pelos bastidores, Sherlock empenha-se em investigar o caso. Com a aparição do grande detetive que ilumina a escuridão do Império Britânico, os planos de William tomam um novo rumo!!”


Antes de falar do volume em si, tenho que dizer que vocês não sabem o quão estranho é estar falando desse começo do volume 3 aqui, porque já comentei esses eventos enquanto comentava os episódios do anime. Como tudo é muito parecido, a sensação é sempre de que estou só repetindo o que já disse em outras oportunidades (o que não é tão mentira assim). Pensando nisso, vou tentar enxugar o que achei dessa primeira metade do volume e focar mais no que aconteceu no “material inédito” para mim. Não vou cortar o que acho para partir para o que mais me interessa. Estou com um compromisso com vocês em compartilhar o que achei desse volume. MAS, o que normalmente eu poderia estender mais e discutir mais, vou apenas encurtar e ir para a outra parte da história 🙂

Na primeira metade do volume, tivemos o desenrolar e conclusão da “tentativa” de incriminar o Sherlock em um assassinato. Nós temos, basicamente, dois pontos mais interessantes no caso. O 1º deles é que a função maior dessa narrativa aqui é ser como um grande teste da moral do Sherlock, se ele seria capaz de deixar a moralidade de lado e usar os meios necessários para conseguir informações sobre os Lordes do Crime. O Sherlock acaba demonstrando ser diferente do Moriarty. Ele acaba não matando o Hope, o que era bem esperado, porém gostei de todo o suspense que há nesse trecho. Cheguei a cogitar que ele poderia ter matado o cara realmente. E o outro lado, é de você ter uma pessoa na beira da morte, que queria uma vingança e que não se importa em ser usado para conseguir esse objetivo. Lembro que fiquei um tanto surpreso com a decisão do Moriarty quando vi pela primeira vez na animação. Ele tinha feito quase que o mesmo no arco do Navio Noahtic, em que ele pega um cara que parecia ser aleatório para ajudar a conduzir o crime, entretanto naquela ocasião, o cara usado era um estuprador. Então quando chegava o momento, era tratado de forma que você sentisse que o cara fosse um lixo e tivesse pagando por aquilo que havia feito, o que não acontece. Logo, quando cheguei nesse pedaço da história, me gerou um conflito de sentimentos quanto a isso.

Sem esquecer também que graças a esse evento, podemos ver mais do Sherlock investigando realmente o crime, as habilidades dele testadas e agora o William ter um demonstrativo do que ele pode fazer. Felizmente, o William ainda está passos à frente dele. Eu continuo não gostando do Sherlock. Ainda acho o personagem irritante, principalmente quando ele quer pagar de sabe tudo, porém sigo naquele aguardo para seu desenvolvimento, embora eu não esteja lá muito interessado nisso, dado que me importo realmente é com o Moriarty e o lado dele na história.

Acho interessante que no finalzinho, o John é quem aparece como o escritor dos casos resolvidos pelo Sherlock, publicando livros sob o pseudônimo Conan Doyle (nome do autor dos livros originais). Gosto dessa inserção de colocar o autor como um personagem da série. Não sei se acontece o mesmo nos livros originais (não li nenhum deles), mas é uma ponta bem interessante e que deve acontecer mais vezes conforme a história avança. Só não sei se darão foco nisso, nem que seja para mostrar que o John está escrevendo mais, porque a partir de um determinado volume, os eventos da obra só irão escalar. Fica aí a dúvida.


Agora sim, chegamos a “parte principal” do volume que são os 2 capítulos finais. Estou escrevendo a resenha do volume no finzinho de Julho (e espero que esse post esteja sendo lançado em Agosto, rs), porém fiz a leitura do mesmo pela primeira vez em Abril e lembro que no dia da leitura, eu estava me sentindo enjoado, só que eu não sabia que o volume tinha cenas tão… Violentas e explícitas de tortura… Como eu assisti o anime primeiro, a animação opta por ‘amenizar’ um pouco as cenas mais pesadas do mangá (ou até cortar) para ser exibido na TV japonesa. Esse arco foi cortado da adaptação e como reduzem essas cenas explícitas no anime, eu levei um pequeno susto com o quão gráficas são elas nesses dois capítulos.

Um demônio muito lindo, diga-se de passagem.

No volume 2 eu já tinha ficado um tanto espantado em um dos capítulos por ter tanta gente morrendo e sangue jorrando. Só que nesse volume foi ainda mais. Era tortura mesmo. Se eu já estava me sentindo enjoado no dia, quando li esses capítulos, o desconforto foi muito grande. Não que isso seja ruim, é mais por não estar acostumado e por isso foi um pouco surpreendente. Moriarty está sempre querendo mostrar diferentes vertentes de ações que nobres fazem. Não sendo apenas relacionados à trabalho ou meramente demonstrar nojo por se sentir superior aos demais, mas por diferentes formas de crimes, dos mais baixos e cruéis que possam ter e a obra faz isso muito bem. Muito bem mesmo. E não é como se existissem “espinhos” em meio aos pobres. Tanto que no arco do Navio Noathic, o Moriarty usa um cara pobre que era estuprador para fazer o plano andar. Entretanto ele coloca a balança que parte do que acontece na sociedade é meramente um reflexo desse sistema que extorque, que abusa e que mata milhares de pessoas. Inclusive, a sociologia nos ajuda a entender como a sociedade é hoje quando olhamos para trás. Tudo que temos hoje, seja de bom ou ruim, são frutos de construções sociais ao longo de anos, décadas e até séculos. Então se você estiver lendo essa postagem ainda estiver na escola e se você acha que as aulas de Sociologia desnecessárias ou coisas do gênero, comece a prestar atenção nessas aulas. São de suma importância para entender como as coisas realmente são (e também pode evitar que você vote em pessoas erradas numa eleição por exemplo, gerando mais desgraças ^^).

Eu começo a falar de outros assuntos do nada, né? Voltando ao mangá, gosto de que nesse arco, eles nem se importam com ser discretos. O cenário é perfeito para matar todo mundo ali, já que se fossem denunciar que os nobres foram mortos, os crimes cometidos pelos mesmos seriam expostos. E pela magnitude dos crimes, provavelmente teriam que abrir uma investigação maior sobre o ocorrido, podendo resultar em outros nobres presos e sabemos que enquanto não envolver eles diretamente, pouco importa. Destaque também para o Fred, que teve um melhor desenvolvimento. Fiquei surpreso com ele ter sido o ‘agente’ a movimentar a investigação do crime. No anime, por falta de tempo, boa parte do desenvolvimento dos personagens é cortado, e no caso dele, o Fred era totalmente inexpressivo, sendo quase que completamente um apoio no geral e com pouquíssimos momentos de relevância. Isso é ótimo para dar maior personalidade para eles, porque né, necessário para todo personagem decente, mas nessa situação dos personagens, considero importante de se mostrar que eles são humanos, que eles têm um grande objetivo, tomam decisões no mínimo questionáveis para conseguirem chegar onde querem, mas que eles se importam com quem está sofrendo. O Fred fica em dúvida se o Moriarty iria realmente querer ajudar com a situação por, tecnicamente, eles já terem feito algo parecido, e no fim das contas, o objetivo maior é mostrar que eles querem ajudar pessoas e que é a grande causa deles. A leitura dos volumes agora torna-se bem prazerosa com esses destaques que, por algum motivo (não sei se favoritismo, ou por ter alguma “mágica”), eu não sentia tanta falta na animação hahahah.

Na resenha do volume #2, eu havia comentado no final do post que sentia que o Louis era deixado de escanteio. Essa impressão vinha desde o momento que ele pega o pedaço de madeira e queima o próprio rosto. Isso foi comentado nesse volume e realmente, era como suspeitava, o William não queria envolver o Louis nos crimes, porque sabe onde isso irá culminar e não quer que seu irmão mais novo entre nessa. Ele quer que o guri viva livremente na “nova sociedade” idealizada por eles. Acho bonitinho da parte do Will, ao mesmo tempo que fico feliz por enfim o Louis ter dito o que acha e o que sente para o irmão. Ele parece ter um espectro de que, embora sejam irmãos, o Moriarty (e até o Albert) estão acima dele e que ele não está em grandes posições ao ponto de questionar sobre algumas decisões, como essas em questão.

Eu fico emocionado nesses momentos :’)

Tem uma passagem do volume em que o Fred diz que é imperdoável que nobres ajam e tratem outros seres humanos como animais a seu bel prazer. Fiquei pensando aqui… Moriarty: O Patriota se passa no século 19. Podemos pensar: “Puts, muito tempo, realidade completamente diferente”. Mas sabe, é muito tempo sim (a depender do ponto de vista), porém não parece uma realidade tão diferente assim. Claro que tudo se transforma, e muda culturalmente também, além de outras coisas que passaram a serem melhores regulamentadas e tudo mais. Porém se pegarmos a própria ideia “ser tratado como animal”, dá perfeitamente para fazer alusões a algumas práticas de comportamento de alguns grupos de pessoas, ou comportamentos de trabalho, por exemplo. Foi uma das coisas que comentei em uma das postagens que fiz sobre o anime. Muita coisa só mudou de nome, entretanto a essência da coisa segue a mesma de hoje em dia.

Por exemplo, escravidão não existe mais, mas há trabalhos que são análogos à escravidão. Inclusive, recentemente li uma matéria de um jornal francês que falava que uma das maiores gráficas da Itália está sendo acusada de explorar trabalhadores do Paquistão. Entendem onde quero chegar? Ao mesmo tempo que a sociedade anda, algumas questões são de fato resolvidas, enquanto outras são mais camufladas e seguem ocorrendo até que alguém descubra e dê foco aquilo. Moriarty conversa muito com a sociedade atual por justamente apresentar falhas que dão para serem relacionadas aos problemas de séculos atrás. Acredito que esse seja um dos grandes motivos de eu ser um grande entusiasta da série. É uma execução muito boa desses assuntos.


Esse terceiro volume segue naquela linha de capítulos fechados, contando pequenas narrativas. Servem mais como apresentação de cenário e o quão longe o Moriarty com sua turma, estão dispostos a ir para alcançar seus objetivos. Gosto muito de como é feito e como são montados os planos para fazer cercos contra os nobres. Devemos seguir assim – nessas histórias curtas e fechadas – até meados do volume 5. A partir dali teremos tramas mais elaboradas. Como consumi o anime primeiro, muita coisa foi pulada e, salvo engano, o volume 4 foi praticamente ignorado na adaptação. Terei material inédito e devo resenhar o volume 4 também. A leitura dos volumes segue sendo agradável (na medida do possível) e interessante. É sempre um prazer para mim ler e escrever sobre Moriarty: O Patriota ^^

Uma das coisas que tenho para mim como algo muito precioso dos volumes de Moriarty, é o ma-ra-vi-lho-so (!!!) humor de Ryosuke Takeuchi. As charges que ele produz para serem extras das edições e encerramentos de capítulos são absurdamente boas. São os pontos altos para mim. Um senso de humor ótimo, que funciona muito bem. Ele sabe pegar brechinhas da história e criar boas situações curtas. A exemplo disso, a que achei mais perfeita veio no último capítulo em que o Fred e o Louis tiram uma onda com a cara do Moran. Coisa de 3 quadrinhos, mas como eu ri daquilo. É fabuloso!!!

E antes de encerrar a postagem, preciso falar de novo da edição nacional. Recentemente a Panini fez reimpressão dos 4 primeiros volumes da série e eu fui “obrigado” a comprar a reimpressão desses volumes, porque assim, sem condições. Essa resenha demorou para ser feita (muito mais do que eu gostaria) por causa disso. Em meados de Maio ou Junho, eu fui reler o volume para escrever o post e enquanto eu lia, algumas páginas do miolo descolaram e caíram. Eu fiquei tão puto com aquilo que perdi completamente a vontade de escrever. Fiquei assim durante mais de 2 meses. E o problema não foi só essas páginas. A encadernação está ruim. As primeiras ou últimas páginas também estão descolando, então mesmo que eu cole agora, certeza que se eu for ler de novo, é bem possível que eu tenha os mesmos problemas. Quando finalmente as reimpressões ficaram disponíveis, eu comprei de novo esses volumes. “Por que você não tentou trocar com a editora?”. Não é de conhecimento geral, mas o processo de troca de algum volume com a Panini é absurdamente demorado e cansativo. Tu tem que mandar foto, eles analisarem a situação, depois você tem que enviar o volume de volta para eles, para só então eles te enviarem um novo. Tenho amigos que levaram um período de 2 meses até conseguirem ter o volume novo em mãos. Fora que ainda estamos em período pandêmico e eu não quero ter que sair de casa para ir no Centro da cidade para encaminhar o tomo defeituoso. Achei mais “prudente” comprar novos, embora eu tenha ficado no prejuízo. Mas aí eu pretendo colar e posteriormente vender (por um precinho bem baixo) para um Sebo daqui junto com outros títulos.

E sobre a reimpressão, ela está muito boa. A encadernação está excelente! Só adendo que o papel teve uma leve queda de qualidade. Ele está um pouco mais fino e, consequentemente, mais transparente do que na primeira tiragem. Não é nada absurdo, que incomode realmente, mas é bom avisar. A reimpressão dos 4 primeiros volumes saíram pelo preço de R$ 24,90 cada (antes o preço de capa era R$ 22,90). Um preço muito bom em vista dos valores praticados no mercado atualmente. Então se você queria começar a coleção da obra e não tinha achado os volumes, agora é a hora. Vou deixar um vídeo linkado abaixo, mostrando a reimpressão do volume. No demais, acho que é isso. Espero que tenham gostado. Futuramente teremos resenhas dos outros volumes e não se esqueçam de comentar no post o que acharam da edição. Nos vemos em outras postagens ^^


  • Ficha Técnica
  • Título original: Yuukoku no Moriarty (憂国のモリアーティ)
  • Título nacional: Moriarty: O Patriota
  • Autores: Ryosuke Takeuchi (roteiro) e Hikaru Miyoshi (arte)
  • Serialização no Japão: Jump SQ
  • Editora japonesa: Shueisha
  • Editora nacional: Panini
  • Quantidade de volumes: Em andamento com 15 volumes
  • Formato: 13,7 x 20 cm
  • Preço de capa: R$ 22,90 (1ª tiragem)/R$ 24,90 (reimpressão)

O preço da fama…

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