Resenha: On or Off (volume 1)

O Selo PRIDE é inaugurado com uma obra muito divertida!

“On or Off” (온 오어 오프) é um manhwa (quadrinho coreano) escrito e ilustrado por A1 – pseudônimo da autora. A obra começou a ser publicada em 2019 na plataforma da Ridibooks, da editora D&C Media. A obra conta com 2 temporadas completas, sendo que a primeira com 48 capítulos e a 2ª são mais de 32 capítulos. Uma 3ª temporada (possivelmente a última) será lançada no futuro. As edições físicas que compilam os capítulos, começaram a ser publicadas em 2020. 2 volumes foram publicados até o momento, e estes compilam toda a 1ª temporada.

Era Novembro de 2020, quando em uma das lives da NewPOP, a editora anunciava “On or Off”, primeiro manhwa BL da editora e do mercado brasileiro. O anuncio no Brasil gerou muita comoção do meio fujodanshi por ser uma obra relativamente conhecida. Vale dizer também que naquela altura, o Brasil era o único país do Ocidente com a obra anunciada. Meses depois, o manhwa foi anunciado na Itália (em Abril/2021) e Alemanha (em Junho/2021). A obra deveria ter começado a ser publicada em Abril deste ano, porém acabou atrasando alguns meses, sendo lançada apenas em Junho. Mesmo com o atraso, a edição brasileira conseguiu ser a 1ª no Ocidente. Adquirimos a edição e agora trago a minha opinião sobre esse 1º encadernado da obra ^^

Sinopse: “Como eu acabei trabalhando numa empresa como esta…?! Ahn Yi-young, uma tenra flor de 23 anos, desafiando o mundo dos negócios com uma start-up montada com amigas da faculdade, vai à empresa SJ para tentar ganhar um contrato. No momento em que se preparava, tremendo, para a apresentação, o coração de Yi-young começa a bater loucamente diante da figura de Kang Dae-hyung, o maioral da empresa…! ‘Normalmente não tenho interesse em homens, mas… com um rosto desses não há nada que você não consiga.’ “


  • História e Desenvolvimento

Se eu pudesse resumir o que é “On or Off” em poucas palavras, eu diria que é uma obra básica, mas extremamente funcional e divertida! Nesse começo da história, somos apresentados ao Ahn que é convidado por sua amiga de infância – Nam Mi-Nah – a formar uma pequena empresa com mais algumas amigas, para o desenvolvimento de um aplicativo. Esse grupo acaba sendo uma mistura muito interessante, já que todas as personagens são bem diferentes entre si, mas possuem uma característica em comum: habilidades sociais praticamente inexistentes (me sinto representado). A interação entre eles é MUITO boa. Esse contraste de personalidades gera cenas divertidas do grupo, ao mesmo tempo que também são muito boas os momentos do pavor social de cada um. A autora é certeira no timing cômico. São piadas simples, mas que são tratadas dessa forma e por si só são agradáveis. Tem quadros (veja um abaixo) que são maravilhosos e ilustram situações excelentes. O momento fala por si e não precisa de mais nada, rendendo umas boas risadas e torna a leitura tranquila ^^.

Nessa situação, quem você seria?

Seguindo com a história, eles formam a empresa e tudo parecia correr bem, até que a Mi-Nah chega e fala que deu ruim. A empresa do pai dela faliu e não tem mais como bancar o projeto. Ela dá duas opções a eles: continuar sem ela, ou abandonar tudo. O Ahn e as meninas decidem continuar de onde pararam, afinal não faltava muito para concluir os preparativos do projeto e assim é feito. Eis que chega o fatídico dia da apresentação do aplicativo na empresa do Kang e… Dá merda. Adoro esse momento porque é basicamente a vida de qualquer pessoa em uma apresentação. Está tudo correndo bem, aí quando você precisa, dá algum problema, nesse caso aqui, o PC começou a atualizar, e a apresentação foi um completo desastre. Falando nisso, eu gosto do Ahn, porque em alguns momentos, consigo me ver no personagem, na forma um tanto esperançosa e sonhadora que ele tem. As coisas dão certo, dão errado. Ele tenta encontrar meios de fazer funcionar e nem tudo sai como o esperado. Achei o personagem uma boa representação de um jovem e para quem é LGBT+, acredito muito que possa se ver nele em algumas situações, assim como eu me vi, incluindo ele ficar pensando (e fantasiando) em diversos em como o Kang é bonito… Posso dizer que em minha releitura da obra, encontrei muito mais semelhanças com o personagem do que eu gostaria (os hormônios na pandemia estão uma coisa complicada) hahahaha.

E já que toquei nesse assunto, preciso dizer que está sendo muito interessante o enredo, pois eu não lembrava de quase nada do começo da obra (li o começo a obra faz um tempo). Antes eu só recordava que o Kang tinha sido filho da puta e fiquei com isso em mente. Porém eu nem lembrava em quais circunstâncias isso acontecia e levei um susto quando vi que o Kang tinha acabado de terminar um relacionamento. Também pequenos detalhes eu não recordava. Quando eu li novamente, tornaram minha releitura bem mais prazerosa. Me diverti bem mais com a série agora do que na primeira leitura.

Um ponto da narrativa que gosto muito desse volume é que por causa de um certo mal entendido, o Ahn e o Kang vão criando uma narrativa interna de como um vê o outro. A cada ação e reação de cada um, eles vão alimentando inverdades sobre eles, distorcendo como o personagem realmente é. E tudo isso por um não saber uma pequena informação do outro e não terem uma oportunidade para conversar. Mesmo o Kang tendo tido uma atitude muito ruim com o Ahn, a obra não passa a mão na cabeça ou faz pouco caso da situação. O Ahn fica boa parte do volume pensando -“Ai que desgraçado” (ao mesmo que está mentalizando “que homem bonito/gostoso) e o próprio Kang pensa – “Puts, fiz merda” e tenta correr atrás do prejuízo. Aquela situação se torna algo pontual e você ver que o personagem é mais do que aquilo. Ele tem seus princípios e sua honra, por assim dizer. Eu gosto muito disso na narrativa desse 1° volume ^^

Falei do casal que está se formando, do jogo e empresa que estão sendo desenvolvidos. Dei uma geral na narrativa. Porém eu fico um pouco triste pelas amigas do protagonista não terem tanto destaque. Elas ficam muito de pano de fundo e eu não gosto disso. Por mais que o jogo em si não seja o foco da narrativa, queria que houvesse mais espaço para elas, ainda mais que a junção de todas ali geram cenas excelentes de comédia e queria ver mais disso! E sem esquecer de falar da MA-RA-VI-LHO-SA secretária Cha. Se o Ahn é uma boa representação do jovem gay, a Cha é uma ótima representação de qualquer pessoa que tenha que lidar com outras, que se frustra no trabalho e que precisa esconder que está puta em certos momentos. Ela é muito maravilhosa. É a minha personagem secundária favorita. Os momentos com ela são divertidos, principalmente quando a autora coloca pensamentos dela ou determinado evento na perspectiva da personagem. É muito interessante, porque fica uma visão de “alguém de fora”, além dos protagonistas, sobre como alguém fora deles enxerga aquela situação. Ela acaba sendo uma personagem que representa o leitor. É como se ela fosse um tipo de observatório para o leitor se ver nela. É um recurso bem interessante e que é usado muito bem pela autora.

Sra. Cha é gente como a gente!

Também gosto de como esse volume consegue ser muito bem amarrado. Desde a introdução com aquele chamariz, até o momento final. Tudo é muito bem conduzido e encerra num ponto “de virada”. Começamos com o grupo se juntando para criar a empresa/aplicativo, vemos um pouco dos desafios e adversidades enfrentadas por eles, o momento em que as coisas começam a dar errado, até chegar no ponto de começar a dar certo e finalmente, ter um respiro ou um sentimento de que agora vai dar. Acho que escolherem compilar até o capítulo 23 foi certeiro, porque você sente que um primeiro ato da história foi fechado ali e acredito que para quem está lendo pela primeira vez, funcione muito bem como um gancho para saber o que irá acontecer com os personagens, que fim irá ter o aplicativo da equipe e o que está reservado para o relacionamento do diretor com o Ahn. Meu maior espanto veio com a quantidade de capítulos compilados em cada edição. Eu acompanhava o manhwa pelos capítulos semanais. Não leio desde o lançamento, mas acompanho desde mais ou menos o capítulo 15. Esse encadernado compila 23 dos 48 capítulos da primeira temporada. Ou seja, são 23 semanas (1 capítulo por semana) compilados em apenas 1 volume. Me deu uma coisa em pensar que acompanhei por TANTO tempo para virar 1 volume sabe..?! É uma sensação muito estranha pensar nisso.


  • Arte

No geral, eu acho a arte ok. Tem seus momentos de destaque, mas é básico. Não que seja ruim. Minha relação com os designs é um pouco de amor e ódio, principalmente com o Kang. Há momentos que penso, “Caramba, que macho bonito”, enquanto que outros eu já estou mais para “Err…”. Meu problema principal com ele está naquela sobrancelha, principalmente quando ela está mais arqueada. Fica muito feio. O Ahn eu já acho bonito (em várias cenas). Toda a dedicação da autora foi para criar o design dele hahaha. Os demais personagens ou são feios, ou são o básico do básico. Mas eu entendo que dentro do que o Ahn se propõe, que é ser um homem bonito e que se destaca dos demais, então os personagens ao redor serem feios até faz sentido.

Sobre as cenas de sexo, eu gosto bastante delas. São melhores do que eu me lembrava. Nas 20 primeiras páginas do volume nós temos um rápido flash com um momento futuro (não tão distante) do Ahn e o Diretor Kang em Hotel e diga-se de passagem, a cena é bem sensual. A autora conseguiu passar bem os sentimentos do Ahn com os toques do diretor e ficou muito bom! Em outros momentos do volume, a autora consegue ser bem sensual com o desenho. Faça mais cenas assim autora!! Inclusive, achei engraçado que alguns amigos fora do meio fujodan ficaram meio “”””decepcionados””””, porque desde o momento que o manhwa foi anunciado, sempre se fala do tamanho do ‘documento’ do Kang e das cenas de sexo que a obra. Porém quando eles leram o volume, não acharam tantas cenas de sexo e o documento parecer um tamanho ok. Confesso que até eu achei o tamanho “normal”. Não sei se a censura original fez parecer que o tamanho era maior (pelo menos nesse comecinho), mas posso garantir que as cenas de sexo de fato ainda estão por vir. Principalmente na 2a temporada da série (ainda não teve volumes físicos lançados na Coréia). Ali elas acontecem MUITO hahahaha. Ah, antes que eu esqueça, preciso deixar aqui minha indignação com umas pessoas que estão vendendo ou até desistindo de comprar On or Off por causa do pênis dos personagens serem feios. Assim, você faz o que tu quiser, o dinheiro/volume é teu, mas pelo amor de Deus, vender o negócio porque não gostou de como foi desenhado um pênis? Sério? Narrativa, personagens, roteiro, sei lá. Qualquer outra coisa mais relevante do que um p*nto, não servem de nada? Fora que se tu olha a arte da autora de forma geral, tu já sabe o que esperar mais ou menos das partes íntimas. Ai, sinceramente, sem condições para esse pessoal.

Ahn promíscuo, gosto! (PS: isso é um sonho dele)

Eu gosto bastante de cores pastéis que a autora traz para a obra e isso me agrada demais. Só acho que às vezes a autora abusa demais da cor amarela. Tem quadros que os personagens estão MUITO amarelados. Fico um pouco agoniado, porque parece que eles têm algum problema renal o_O. O resto é ok também. Quase não tem cenários ou backgrounds nos quadros. Geralmente aparecem somente em quadros mais amplos e que os personagens estão distantes. Também não acho ruim e normalmente nem dou falta disso, ainda mais por ser tudo colorido. A autora fica preenchendo esses espaços com retículas e cores diversas. É agradável aos olhos.


  • A Edição Nacional

“On or Off” está sendo publicado no formato 15 x 21 cm, capa cartonada fosca e orelhas, no papel Couché Fosco 115g, tendo 288 páginas no volume 1. O miolo é colado e costurado, com o preço de R$ 54,90. As partes internas das capas são brancas, sem nenhuma ilustração e o volume não tem nenhum brinde incluso. A obra é proibida para menores de 18 anos. O manhwa está em andamento com 2 volumes e segue em publicação.

A edição está LINDA! Como dá para ver no vídeo (inclusive, se inscrevam no canal do blog ^^), a encadernação está ótimas. O papel é excelente. As páginas são grossas e sem qualquer sinal de transparência mesmo sendo um material todo colorido. Vou aproveitar também para falar de um assunto que vi muitos reclamando: as onomatopeias. As onomatopeias da obra não foram traduzidas. Se você não gosta delas, ok. Eu vejo elas como sendo parte da arte do autor, então mexer pode ser visto como alterar a arte diretamente, mas é algo que vem sendo debatido e tudo bem. Acho saudável. Agora, você vir querer comparar com o trabalho de scan (que traduz) e que fala com tom de desdém para a editora, como se a scan tivesse feito um trabalho melhor, querida, aí precisamos conversar. Primeiramente que scan não passa por questões contratuais e justamente por isso, eles fazem o que querem, alteram e traduzem como acham. Até desenham por cima da arte do autor para tirar as censuras (prática bem comum no meio BL). Segundo que a pessoa que reclama que a NewPOP não traduziu, como se ela fosse a única que não fez isso. A pessoa não deve ter encostado em um mangá lançado no Brasil, ou sequer notou que as outras editoras não traduzem também várias de suas obras. É padrão de mercado não traduzir as onomatopeias (entra naquela discussão de ser parte da arte). As 3 principais editoras não traduzem elas. Salvo engano, a única que traduz em todas publicações é a Devir, mas só. Teve até uma pessoa que reclamou disso, foi pegar um mangá da Panini e dam, lá estava a onomatopeia em sua forma original. Então sejam condizentes!

Sobre revisão, eu só encontrei um erro de português no meio do volume, mas coisa pequena. Senti falta do uso de vírgula em alguns momentos,. mas o resto está ok. A NewPOP sempre manda bem com a tradução e adaptação do texto. A leitura flui perfeitamente e li o volume em quase 1 hora. Demorou mais porque fui fazendo algumas anotações, tirando algumas fotos para comentar com amigos e coisas do gênero.

Uma coisa que me deixou muito surpreso é com a largura do volume. Ele tem 288 páginas e tem praticamente o dobro da largura de um volume de “Solo leveling” que tem cerca de 310 páginas (foto abaixo). O motivo disso está no papel: On or Off está vindo no couché fosco 115g, enquanto que Solo Leveling está no couché brilho 90g. Para vocês terem uma noção de como a gramatura do papel influencia na espessura do volume. E já que falei do papel, o couché fosco foi a melhor escolha para a obra. As cores pastéis realmente combinam mais com um papel fosco. A NewPOP foi certeira na escolha.


  • Conclusão

Concluindo, On or Off me proporcionou uma leitura descontraída e divertida, sendo ótima para passar o tempo e ler em uma tarde, ou até pouco antes de dormir. Como a narrativa é básica, você não precisa prestar muita atenção na história. Ela não se propõe a ser algo complexo, então esperem por um romance basicão. E se você gosta disso, vai que é sucesso. Achei uma excelente escolha da NewPOP trazer On or Off como seu 1º manhwa BL, principalmente porque muitos BLs coreanos são ruins (mas ruim mesmo). Gostei muito da escolha do manhwa para ser o 1º título do Selo PRIDE. A inauguração do Selo foi muito boa e começamos o Selo muito bem! Espero que o manhwa faça muito sucesso. Se você quer mais manhwas BLs (e mangás BL no geral), compre On or Off. Não será dinheiro jogado fora, isso eu posso garantir ^^


  • Ficha Técnica
  • Título original: On or Off (온 오어 오프))
  • Título nacional: On or Off
  • Autora: A1
  • Editora coreana: D&C Media
  • Editora nacional: NewPOP
  • Quantidade de volumes: Em andamento com 2 volumes
  • Formato: 15 x 21 cm, capa cartonada com orelhas
  • Papel: Couchê fosco 115g
  • Preço de capa: R$ 54,90
  • Compre em: Amazon

Se nada tiver dado errado, essa postagem estará sendo lançada no dia 28 de Junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT+. Quis terminar o post hoje (28) para ter algum material LGBT+ no blog no mês do orgulho. Era para ter feito mais, mas infelizmente não foi possível. Fica para o ano que vem, com uma produção mais massiva e melhor preparada^^. Enfim, tenha Orgulho do que você é e de quem você ama! À todos, um Feliz (embora sempre cheio de adversidades) Dia do Orgulho e por um futuro melhor para todos nós ❤

Ah, para quem estiver se perguntando, o bichinho que aparece na thumb do post é o Haru, mascote de Selo PRIDE. Fiz ele aqui em casa e devo usá-lo quando for falar de obras do Selo aqui no blog ^^


Ah meu querido, se eu te contasse…

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