Review: Housekishou Richard-shi no Nazo Kantei (The Case Files of Jeweler Richard)

Apesar de ser engessado, ele ainda consegue ser muito divertido 🙂

Depois de muito tempo querendo fazer essa review, mas sempre tardando e tendo problemas no meio da produção dela, enfim consegui fazê-la. Na verdade, eu comecei a fazer ela em 2020 mesmo, junto com um amigo, mas uma série de coisas aconteceram e acabamos parando no meio. Me aproveitei de parte da conversa que estava pronta e fiz um misto aqui. Então agradeço ao @imerickkk pela ajuda com a review desse anime.

Sinopse: “A obra segue Richard Ranashinha Dvorpian, um bonito avaliador de jóias britânico, e Seigi Nakata, um brilhante estudante universitário japonês. A dupla resolve vários casos relacionados a joias, desvendando os aspectos psicológicos ocultos de seus proprietários que estão dentro das joias.”


“Housekishou Richard-shi no Nazo Kantei” foi um anime bem… “Emblemático” para a minha pessoa. Quando a adaptação em anime foi anunciada, em meados de 2019, o que me chamou atenção logo de cara foi o visual que liberaram. Nele o Seigi e o Richard apareciam, e eu como um bom fudanshi, fiquei interessado neles. Eu apenas olhei e pensei: “Hummmm… Tem algo aí…”. Não demorou muito até sair o primeiro PV e eu fiquei ainda mais interessado. A animação estava muito bonita e tinha um clima deveras interessante com uma proposta interessante (até achei que o anime teria uma pegada mística). Então eu resolvi procurar informações sobre a obra e vi que seu material original era uma novel. E as capas são as coisas mais LINDA do mundo! Eu shippei mais ainda os dois personagens (para a minha futura tristeza, rs). O anime fez sua estreia na Temporada de Inverno (Janeiro) de 2020 e foi bem diferente do que pensava. Acreditei que o anime seria algo mais “mágico”, não tão crível como foi. Acontece que Richard nesse começo nos apresentará alguns contos fechados e segue assim até mais ou menos a metade da animação. Apesar de gostar de diversos pontos apresentados nessas histórias fechadas, o anime é muito engessado, o que dificultava bastante você criar interesse nos personagens ou até se importar com eles.

Não é que essa 1ª metade do anime seja ruim. O problema está principalmente na inexpressividade dos personagens. A animação é linda? Sim e muito! MAS o design dos personagens é muito apático. Foi muito difícil conseguir se importar e comprar mais dos dramas apresentados ali, porque ao mesmo tempo que eu ache os personagens são da forma que são para passar certa realidade neles, já que são pessoas enfrentando alguma adversidade na vida, eu ainda creio que isso é muito exagerado. O Richard não muda de expressão em momento algum nesse começo. Ele estando feliz, reflexivo, melancólico ou triste para a mesma coisa, ele sempre está com um olhar de que lá no fundo está pedindo socorro. O mesmo se aplica para alguns dos personagens apresentados no decorrer dessa 1ª metade. Os casos que são apresentados tem suas questões bem interessantes, entretanto quando você olha para a cara dos personagens, estejam eles felizes ou tristes, é o mesmo rosto que tu vai ver hahaha.

Isso acaba prejudicando muito na imersão da série. Em um dos episódios tem uma guria com problemas de autoestima e como ela sente incomodada com pessoas falando de beleza. Ela fala que o Richard é muito bonito e o Seigi (cadelinha) fica a todo instante falando sobre a beleza do Richard, chegando ao ponto de incomodar o próprio personagem, porque mostra certa superficialidade, no sentido dele ser apenas um rosto (muito) bonito. Nisso você percebe o quão incômodo os personagens estão e o quão inconveniente o Seigi está sendo nas suas falas, até o momento que isso “explode”, gerando um conflito. Tem todo uma discussão sobre beleza, ser considerado bonito e como isso é cobrado pela sociedade, seja em pessoas ou até mesmo em pedras preciosas. É muito bom ver que certas palavras e a forma que elas são ditas podem ser ofensivas, por mais que você esteja as dizendo com boas intenções. E nessas e outras ocasiões, nós vemos um desenvolvimento, principalmente do Seigi, e na forma que ele fala com as pessoas. Ele tende a ser uma pessoa muito direta nas suas falas, o que causa desentendimentos e pequenos conflitos, sendo necessária a intervenção do Richard.

Finalizando sobre essa parte inicial, acho muito interessante como a obra faz a relação entre a pedra preciosa do episódio. O significado por de trás dela e o drama envolvendo o personagem do episódio. A autora consegue pegar uma joia, mostrar o que ela representa ou o que ela normalmente ela está associada (e isso requer pesquisa), pensar em uma situação e criar toda uma história por de trás disso. É um trabalho muito bom por parte da autora e que ela consegue fazer muito bem. Ela cria casos como uma briga entre pai e filho por causa de um gato, uma mulher que sente culpa por ter roubado uma joia e até fingir ter uma maldição em uma falsa joalheria. Essa metade do anime consegue mostrar bem em que pé a obra quer trabalhar. O problema é que em algumas vezes você pode acabar não sendo convencido do drama que o anime quer fazer ou não sentir tanta importância quanto a cena quer que o público sinta.

E já que falamos sobre a autora ter cuidado para pesquisar sobre assuntos de joalheria, eu lembro de ter lido em uma matéria de um site espanhol que, infelizmente, eu não consegui achar mais (não levem como 100% verídico por não ter fontes aqui em mãos), que falava sobre ter um joalheiro na staff do anime que fazia um ‘controle’ sobre o que estava sendo dito em relação as pedras preciosas. Ele ajudava na pesquisa de cada joia, tudo para ser o mais próximo da realidade. Um cuidado excelente e que eu acredito não ser muito comum, ao menos não nesse nível de detalhes.

Rubis 🙂

Indo para a parte final, você tem um grande arco envolvendo o Richard que começa a aparecer no episódio 7 e se estende até o episódio 11. Esse arco tem de tudo um pouco (menos beijo). Tem drama, tem climão, tem separação, tem reencontro, tem treta familiar, tem passado… tem de tudo mesmo! Sem dúvida alguma esses episódios são o ponto alto do anime. Foram nesses episódios que eu hypei demais e passei a ficar ansioso para o que ia acontecer dali em diante. Eu lembro até que na época desses episódios, foi muito pouco antes da pandemia estourar, eu cheguei a ir 2 dias para a faculdade (e permanece nesses 2 dias até hoje… sofro), e acho que no primeiro dia, eu assisti um dos episódios do anime no trajeto (2 horas até chegar lá, então bora assistir anime). Lembro perfeitamente que estava no surto vendo o episódio e enquanto isso, eu fui comentando o que estava achando com o @imerickkk. Na época estava bem nos episódios de desenvolvimento do Richard e cara, como essa obra é do mal nesse sentido. Eles criaram uma porrada de elementos, falas e momentos que real me fizeram acreditar que um romance iria surgir ali. Principalmente quando começam a explorar mais do Richard e os personagens principais começam a se mover mais na trama. Tem uma cena fabulosa no final do episódio 7 que os dois se encontram na frente da vitrine de uma loja que tem uma rosa enorme ali. Aí estava no por do Sol e um sino começou a tocar no fundo. O Richard vai e solta uma frase que mano, foi muito sugestivo para cenas de pedidos de casamentos. Foi maravilhoso demais! E não desisti desse romance. Estou esperando (sonhando) com uma 2ª temporada, porque ainda acho que vai ter “algo a mais” nesse rolo todo. O anime vendeu cerca de 4k de Blu-ray/DVD por volume, o que já é considerado um sucesso hoje em dia com os streamings, então espero muito mesmo que renda 2ª temporada.

Inclusive na reta final tem uma “”revelação”” sobre o Richard. No que eu me refiro não é importante em si. O que acaba sendo relevante é o todo. No dia que vi, eu fiquei pensando: ‘Amado??’. Eu esperava do Seigi, mas não de você!”. Não vou dizer o que é obviamente, mas quem já assistiu deve entender sobre o que eu me refiro 🙂

O que eu acabo achando de mais negativo a série em si é o final mesmo, porque depois de todo o arco empolgante e tal, o último episódio acaba não fazendo jus a grandiosidade dos eventos narrados anteriormente. Ele encerra bem o anime, com momentos bem tensos e que são ótimos, entretanto acho que poderia ter sido um pouco maior. Talvez se fosse um mini-arco de 2 episódios ficasse melhor, mas ficou aquele sentimento de “Puts, poderia ter acabado no episódio passado”. Longe de ser ruim. É o momento que desenvolvem mais do Seigi, porém ficou com esse sentimento. O bom de Richard é que ele está sempre oscilando no mediano. O anime começa e segue mais ou menos nessa linha, tem seus momentos de destaque e seus contras, mas está sempre na linha de estabilidade, o que é bom para a série.


Sobre a produção ela é linda como eu disse mais acima. As joias em especial são extremamente bem feitas. São tão lindas, polidas e brilhantes, que fiquei até com dúvida se é 2D, 3D ou até uma mescla dessas duas técnicas. É evidente que uma única pedra preciosa tem mais dinheiro investido do que muito anime hahaha. Porém como nem tudo é perfeito, eu tenho um problema com a paleta de cores do anime, que tem momentos que me causa um sentimento muito ‘estranho’ e incômodo. Quando reclamei da apatia dos personagens, acho que parte da culpa também vem dos tons que o anime usa. É um pouco difícil para mim de por em palavras, porém é como se os próprios tons usados fossem ‘mortos’. Tem cenas em que nada se destaca e parece virar uma “bagunça”. Vou deixar um exemplo logo abaixo para tentar auxiliar minha explicação haha. E vale dizer também que não culpo quem fez os designs de personagens, porque tirando a dupla principal, o designer não tinha muita base para criar os modelos. O original é uma novel em que as únicas ilustrações, aparentemente, são da capa dos livros. Então o que ele podia usar como referência eram as descrições que eu suponho que existam dentro do livro.

Esse quadro mexe com meu ser de uma forma que nossa… >_<

Já sobre a direção ela tem seus bons momentos de destaque, com sacadas ótimas para criar tensão sexual entre os personagens. No demais, ela é competente e executa cenas de drama ou comédia bem. Nada de grande destaque ou que fique potencializado.


Se eu recomendo “Housekishou Richard-shi”? Eu diria que sim, mas cuidado com o que você vai esperar dele. Não espere muito do anime, principalmente desse começo, pois são histórias episódicas que não vão acrescentar muito na tua vida (provavelmente). Não recomendo tentar maratonar, porque esse começo dele pode soar muito maçante, no caso que você tente ver muitos episódios de uma só vez. Se você for com uma expectativa moderada e apreciar os detalhes que cada história têm para contar, pode ser bem proveitoso e divertido. A segunda parte do anime eu acho ótima, apesar do final um pouco anticlimático. Se compreender tudo isso, ele pode ser o anime certo para ver como um bom passatempo ^^

Homem bonito, homem formoso, homem bem feito!

2 comentários em “Review: Housekishou Richard-shi no Nazo Kantei (The Case Files of Jeweler Richard)

  1. Era um bom anime ver enquanto eu estava órfão de Moriarty rsrs mas vou tentar encaixá-lo na temporada que vem.
    Vou seguir as dicas de ver aos poucos, sem muitas expectativas
    Gostei da tua visão sobre a paleta de cores, o quadro que vc deixou é terrível como vc descreveu no texto, talvez tenha faltado um pouco de edição nas escolhas do Layout do anime.
    Bom, estou me atualizando nas leituras do Blog rsrs
    (Ps: vc me falando sobre suas viagens para a universidade me lembrava muito de como eu ia pra minha na época. Baixava alguma coisa pra ver e ia rsrs)
    Tenha uma boa tarde ^^

    Curtido por 1 pessoa

    1. Eu acho que quiseram deixar um ar mais melancólico. Mas tem cena que isso fica desagradável visualmente. Lembro até hoje que usaram umas cores numa personagem que ela em um ambiente iluminado e outro com sombra tinham as mesmas cores.

      Ai 4 horas dentro do ônibus, tenho que aproveitar esse tempo e fazer algo proveitoso hahahaha

      Tenha uma boa tarde também!

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