Resenha: A Voz do Silêncio – Edição Definitiva (volume 1)

Quais os impactos de nossas ações na vida dos outros?

Publicado originalmente entre 2013 e 2014 com o título “Koe no Katachi” (聲の形), o mangá A Voz do Silêncio é escrito e ilustrado por Yoshitoki Oima. A série foi lançada na revista Shounen Magazine, da editora Kodansha, sendo completo em 7 volumes. No Brasil a NewPOP começou a publicar o título pela 1ª vez em abril de 2017, sendo finalizado em maio de 2018. Após o extremo sucesso e depois de muitas reimpressões, a editora anunciou o relançamento do mangá em abril de 2020, com a publicação sendo iniciada em outubro do mesmo ano. A nova edição do mangá reúne 2 volumes em 1 e será completa em 4 edições. No último volume será incluso o fanbook da série contendo diversos extras! Atualmente a editora lançou apenas o volume 1, mas o 2º encadernado está previsto para o fim de março e deve seguir sendo lançado de forma bimestral, com previsão de conclusão para Julho/2021.

Após termos feito a review do filme de “A Voz do Silêncio” (Koe no Katachi) meses atrás, vamos falar do mangá! Essa resenha, ao contrário das demais que já fiz para o blog, será um pouco diferente. Minha ideia é comentar assuntos mais pontuais dentro desse volume do mangá (que corresponde aos volumes 1 e 2 da 1ª edição), sem ser abrangente como costumo fazer em outros textos. Por se tratar de um relançamento e considerando que esta é uma obra extremamente famosa, eu vou considerar que você já conheça a história, seja pelo próprio mangá ou pelo anime, ou que pelo menos tenha lido o volume 1 dessa edição. Portanto teremos spoiler! Também acho importante dizer que para você que nunca leu ou assistiu “A Voz do Silêncio”, esta resenha pode ser uma forma de introdução, porque irei comentar de assuntos bem pertinentes dentro do mangá e que podemos trazer para a vida que temos e levando coisas que vemos ou até vivemos em determinado período de nossas vidas. Segmentarei o post em alguns tópicos. Manterei a parte da “Ficha Técnica” e “A Edição Nacional” e “Arte” no final do post. Espero que gostem! ^^

Sinopse: “Shouya é um bully, suas brincadeiras infantis são uma verdadeira tortura para sua colega de classe, Shouko, uma nova aluna surda. Conforme a coisa piora e todos ao seu redor parecem ignorar ou estimular as brincadeiras maldosas, Shouya passa dos limites, forçando Shouko a mudar de escola. Tendo sido considerado o culpado por tudo, agora é ele quem sofre torturas e bullying, aprendendo na pele o seu erro. Agora, seis anos depois, o rapaz decide encarar de frente a menina que atormentou e tentar corrigir os erros do seu passado. Será que ele conseguirá sua redenção?”


  • Nishimiya Shouko: O Bullying e o peso de possuir uma deficiência

Antes de começar o post propriamente, esse tópico é importante ressaltar algumas coisas: o que vou dizer aqui é uma análise superficial do ensino japonês! É importante salientar porque nem eu, nem você (muito provavelmente) não estamos inseridos na sociedade japonesa. Portanto é mais difícil fazer análises ou tirar conclusões assertivas. A importância disso se dá na questão de generalizar. Não temos dados recentes, assim não é possível afirmar com 100% de certeza algo. Vou criar suposições embasadas no que já consumi como informação. Vale dizer que as coisas mudam com o tempo. O Brasil não é melhor que o Japão e vice-versa. Questões são discutidas e debatidas ao longo dos anos e isso gera mudanças. Algumas coisas mudam mais rápido e outras nem tanto. Por isso em momento algum eu vou generalizar o que irei comentar. Também vou reforçar sobre o que irei dizer faz parte das minhas vivências nos tempos de escola. Usar algumas mídias que consumi e que casam com assunto, além de claro, usar o próprio mangá de base para algumas argumentações.

Começaremos a abordagem do volume falando de uma das peças centrais dessa história: Nishimiya Shouko. Ela possui deficiência auditiva e sofre bullying na escola. Não só na escola em que o Ishida foi o principal vetor do bully, mas já estava vindo até de outras escolas em que ela havia passado anteriormente. Eu já comentei disso na review, mas preciso trazer novamente essa postagem maravilhosa do Biblioteca Brasileira de Mangás, falando de como a sociedade nipônica tem uma valorização muito importante sobre não incomodar as pessoas ao seu redor, ou ainda, não se destacar das demais (em aparência, por exemplo). Há todo um zelo em não incomodar a maioria e é nisso que a Nishimiya entra. Ela por ter uma deficiência e precisar de uma atenção e cuidado especial, passa a ser considerada um peso, um fardo e, eventualmente, passa a incomodar essa maioria. No começo do volume temos a chegada da personagem na escola e como é bem ilustrado e representado, há uma surpresa por parte dos alunos, ao mesmo tempo que estão interessados e empolgados (de certa forma) em ajudar a nova aluna com as tarefas de sala. Principalmente as garotas mostram maior interesse em tentar ajudar a Nishimiya em se encaixar e misturar ela com a maioria. Porém não demora muito para as coisas mudarem. Nós vemos a degradação dessa empolgação inicial, com todos passando a afastar e evitar ajudar a Nishimiya. Se antes eles escreviam, indicavam e orientaram ela com alguma coisa, agora eles ignoram. Cansaram de tentar fazer algo por ela. Em uma das cenas, a Ueno reclama sobre não ter conseguido acompanhar a aula por ter que ajudar a Nishimiya. Em outra falam para ela não cantar, porque não conhece muito bem os sons/melodia e a voz dela é “esquisita”.

Chegam ao ponto de fugir até mesmo de ter que aprender língua de sinais. Os alunos acham um problema o restante ter o trabalho de aprender algo novo e fora da curva para atender a uma única aluna. Ou seja, se a Nishimiya tem uma deficiência, a culpa passa a ser dela e o incômodo é ela. É por isso que lá na reta do final desse tomo inicial, o Ishida fica surpreso com a quantidade de pedidos de desculpa que tem no caderno. Tudo para tentar amenizar pelo menos o problema que ela sabe que está causando diariamente ao ter que pedir ajuda, ao precisar de uma indicação de onde ler e de sempre ter que ser cutucada para saber que estão falando com ela. Criaram e introduziram na cabeça dela que a personagem precisar de ajuda é um problema. E por ela ser um problema, ela precisa se desculpar a todo instante, afinal a personagem está incomodando pessoas que não tem “nada a ver” com sua situação. Mais para frente, já passado todo esse período de bullying, a Yuzuru (irmã da Nishimiya) questiona a razão de sua irmã nunca ficar brava. E sabendo de todo esse contexto da sociedade japonesa, você passa a entender essa questão. Ela não se sente no direito de ficar irritada, porque está sendo um problema constante ao existir. Ela incomoda seus “amigos” da escola, professores e seus pais.

Trazendo um exemplo um pouco mais de fora, o mangá “Perfect World” de Aruga Rie, ilustra bem essa questão. Eu só li o comecinho dele anos atrás, porém essa cena ficou marcada na minha cabeça, porque é um reflexo da sociedade. O protagonista masculino de Perfect World é deficiente físico e usa uma cadeira de rodas para se locomover. Ele é arquiteto (salvo engano) e estava fazendo um projeto em que uma parte da construção tinham rampas para fazer a inclusão de pessoas que não podem andar. Esse projeto foi negado, porque foi visto como um problema terem que mexer em algo apenas para algumas pessoas que não podem se locomover sem auxilio. É nesse nível que estamos falando.

Por fim acho interessante trazer aqui que quando chegamos no ápice da discussão do Ishida com a Shouko e os dois literalmente saem no tapa, é angustiante que a Shouko está ali na última cartada dela tentando ajudar o Ishida, porque ela limpava a mesa dele e por mais que ele tenha feito tudo que fez, quando passam a fazer bullying com o protagonista, ela sente uma afinidade e vê que agora estão no mesmo barco. Ela tenta estender a mão. “Famos nos esfosa jutos!!”. Isso foi o último grito de tentar fazer a criatura perceber, o que infelizmente não deu certo naquele momento.


  • O Professor Takeuchi e a Escola

Bom vamos lá. Quero adiantar que eu ODEIO o professor. Eu já não gostava dele quando vi a animação, não gostei quando li o mangá pela primeira vez lá no fim de 2017/começo de 2018, mas agora quando reli, rapaz… QUE ÓDIO! Mas vamos ao contexto primeiro: eu sofri bullying durante boa parte da vida escolar. Os únicos anos que eu escapei disso completamente foi até o Pré quando eu tinha uns 5 anos e no meu último ano de Ensino Médio (2019). Todo esse miolo que tem mais de 10 anos, foram com ataques a minha pessoa. Variando bastante de “intensidade”. Tinham semanas que eram completamente infernais, outras mais pacatas, tinham anos mais tranquilos… Todavia, no geral, em nenhum desses anos eu consegui fugir disso completamente. E sabe o que é mais interessante disso tudo? É que conforme você vai crescendo, suas vivências vão evoluindo e tu vai criando maturidade. É um processo natural. Só que o interessante disso é que quando eu estava nos meus últimos anos de EM, eu passei a olhar mais para o meu passado e para minha ‘surpresa’, revisitando certos eventos, passei a entender melhor como sou hoje. Eu sou como sou hoje, por causa do que aconteceu. Se sou antissocial, tímido, com tendências de isolamento quando estou em grupo, chegando a ser hostil vez ou outra, é por causa das agressões que sofri durante anos. Quando cheguei no 1º ano do EM, a Sociologia me ensinou que nada nessa vida é natural. Tudo é CULTURAL. Somos todos uma construção social. Nossas personalidades, ideais e o que somos, são moldados de acordo com nossas vivências, âmbitos sociais e pessoas que permitimos nos influenciar.

Ah mas eu voava no pescoço se eu visse na minha frente…

Onde eu quero chegar com tudo isso? Nesse meu processo de entender como sou hoje, principalmente depois que sai da escola, eu “notei” que o colégio como instituição, ela negligenciou boa parte dos ataques que eu sofri. Eu já tinha parte dessa noção, porque estava VIVENDO tudo aquilo. Estava VENDO as coisas acontecerem, ao mesmo tempo em que nada era feito. Tanto os professores como a própria escola não intervinham. Muitos dos ataques verbais eram feitos na frente dos professores. Eram naqueles momentos em que a aula está acabando, ou está para começar, porque realmente não tinha horário ou momento. Tudo só acontecia. Eu lembro perfeitamente que uma das agressões FÍSICAS que fizeram em mim foram na frente de um professor e literalmente nada foi feito. Eu chegava em casa, falava e tal do acontecido, mas da mesma forma, era banalizado. Era até xingado por isso, porque eu era o fracote. O problema estava em mim e no meu ‘jeito de gay’ que falavam que eu era.

As coisas não são e nunca vão ser tão simples. Da forma que estou colocando aqui, pode parecer que 100% da culpa está no professor, mas eu sei que eles têm que lidar com salas de 30-40 alunos. É uma bagunça completa muitas das vezes, então não dá para observar TUDO que acontece ali. Mas fato é que mesmo quando presenciavam, nada eficaz era feito. A questão do bullying feito de forma verbal é muito banalizada, no sentido que, enquanto não ferir o corpo de forma que dê para ver, tudo bem. Porque uma palavra não vai te deixar uma marca evidente que seus pais/responsáveis vão ver, porém muitas das vezes elas vão deixar marcas muito mais profundas e intrínsecas do que uma agressão física, como foi o meu caso. Eu tenho um problema enorme em estar sozinho em locais com muita gente. Me deixa desconfortável, pois parece que todos estão olhando para mim. Da mesma forma que tenho muita dificuldade em falar com garotos. Eu não consigo puxar papo com eles, com ninguém na verdade, mas a conversa não flui quando é um cara falando comigo. Eu tenho a tendência a querer encerrar o assunto logo e sair dali. É muito desconfortável. Tudo isso porque quase que 100% do bullying que sofri foi por garotos.

A escola só vai intervir quando uma marca for deixada a vista, quando seus pais virem aquilo e forem na escola tirar satisfação. Aí a escola vai agir da forma que pode. Uma coisa que eu sempre via falar é que o discurso de ‘proteção’ da escola é “Use o uniforme”. Entretanto quando casos assim acontecem e que o aluno realmente precisa de ajuda, a escola parece fingir não ver. Estou pegando vivências minhas de anos atrás. Sendo assim, muita coisa pode ter mudado. Contudo tenho quase certeza que esses casos continuam a acontecer e vão continuar acontecendo durante um bom tempo. Saúde psicológica é muito ignorada, seja na escola, trabalho, na família… E assim, não estou dizendo que todos os meus professores NUNCA fizeram nada, que a escola é a grande vilã dessa história. É apenas um relato de algo que eu sinto que falhou comigo quando eu mais precisava e que evidentemente também falhou com a Nishimiya no mangá. Como eu disse, não é só uma parte e não é só um fator envolvido. São muitas vertentes que juntas criam as situações que eu vivi e que foram abordadas em “A Voz do Silêncio” ou que foram/serão abordadas em outros mangás, animes, filmes, etc.


Voltando para “A Voz do Silêncio”, acho que com a leitura do que eu falei até aqui, vocês já devem ter entendido onde quero chegar, mas vamos lá. Procurando um pouco sobre Bullying no Japão (chamado “Ijime”, por lá), encontrei um artigo do finalzinho de 2012 do blog Japão em Foco em que ele fala sobre o crescimento absurdo do bullying dentro das escolas japonesas, sobretudo no Primário (Shoogaku). Segundo o site, os dados apresentados ali foram coletados entre os meses de abril e setembro daquele ano, sendo que registraram 144 mil casos de bullying nas escolas japonesas. E mais interessante ainda é essa citação aqui:

Ijime: Bullying nas escolas Japonesas

“Essa apuração foi realizada a mando de Hirofumi Hirano, ministro da Educação, após a repercussão da notícia do suicídio de um aluno do segundo ano do chuugaku, na cidade de Otsu (Shiga). O menino vinha sofrendo assédio moral por seus colegas e os professores faziam vista grossa para o que acontecia.”

O ano dessa pesquisa (2012) é muito importante, porque “A Voz do Silêncio” começou a serialização no começo de 2013. Ou seja, essa pesquisa e o que foi abordado no mangá estão representando uma realidade muito próxima, o que permite uma análise mais palpável das escolas naquele momento. Funciona perfeitamente como uma amostragem da sociedade, entendem? Então o professor Takeuchi agir da forma que agiu, mostra muito bem esse lado das escolas nipônicas. Sempre ressaltando que não estou generalizando. O próprio mangá faz questão de mostrar isso, já que tem uma outra professora preocupada e disposta a tentar tornar a conversação dos demais alunos com a Nishimiya mais acessível.

Esse professor é importante, porque as agressões que a Nishimiya sofreu chegaram nesse ponto porque ele deu margem para que elas chegassem no ponto que chegou. Em diversas situações ele fez a mesma coisa que o professor do aluno que se suicidou na citação mais acima: fez vista grossa. Em outras ele faz até pior, chegando a RIR de uma das piadas que o Ishida e seus amigos fizeram com o motivo que a Nishimiya seria surda. O Ishida vê aquilo e logo pensa que é como um aval para que ele continue a “brincar” com a garota mais. Em outro momento do volume ele fala que não julga o Ishida agir da forma que age perante a Nishimiya. A partir dessa “permissão” que o professor “concedeu” a ele, é que as coisas começam a escalar, ficando cada vez mais frequente e cada vez piores, até que acontece o quê? O momento que a agressão deixou marcas visíveis aos olhos. No momento que isso acontece, o professor faz a egípcia e passa a culpa toda para o Ishida, junto com o restante da classe. Muitos vão ver os alunos como os principais culpados nessas circunstâncias, no entanto a não intervenção do professor logo cedo, fez com que chegasse nesse ponto. Não há orientação para que casos como esses sejam cortados, porque quem sofre, sofre MUITO. Deixa marcas que podem durar a vida toda, ou pior, podem causar a morte dessa pessoa.

RANÇO!

  • Shouya Ishida: A Inversão dos Eventos

A partir daqui falarei mais das consequências dos atos do Ishida. Depois que tudo dá merda, que a lesão vêm à tona, que a mãe da Nishimiya vai cobrar satisfações, temos um cenário em que os supostos amigos do Ishida, juntamente com seu professor, empurram toda a culpa do bullying feito por todos ali para uma pessoa, o próprio Ishida. Apesar do Ishida ter sido o principal vetor de todas as situações mostradas, todos da sala tem sua parcela de culpa. Ueno e Kawai (essa sendo a que se faz de santa), riam da Shouko, assim como falavam mal dela pelas costas. E ainda faziam pressão em cima da Sahara para que ela não tentasse se misturar com a Nishimiya. Os garotos amigos do Ishida viraram as costas, até quando foram questionados sobre as ações do amigo. Eles disseram que avisaram para parar. Fora os demais que podem não ter feito algum ataque direto à ela, mas não falaram nada. Portanto foram coniventes com as agressões que seus amigos/colegas de classe faziam. O professor mais ainda. Não fez nada para intervir e pelo contrário, ainda deu força para que esses ataques continuassem. Ishida não é nem um pouco santo, mas não é o completamente culpado como o fizeram ser. Há de lembrar também que são crianças e elas fazem merda (por mais que tenham umas que só por Deus, rs), isso é um fato. MAS o que faltou ali foi uma intervenção. Faltou uma educação e uma prestação de auxílio para aluna que estava sendo vitimada. Lembrando que somos todos uma construção social e é por isso que a vida nunca será feita de coisas tão ‘simples’ como “Bem e Mal”. É muito mais complexo do que isso. É muito difícil de julgar alguém. Sequer temos esse direito. Então quando as coisas viram, o agressor passa a ser agredido. Muito embora ele esteja “pagando” pelos seus atos e, de certa forma, possa ser “”satisfatório”” ver ele se ferrando, ainda não é a forma certa e poderia não ter chegado ao ponto que chegou se a escola/professores tivessem feito alguma iniciativa efetiva.

:/

A autora tem uma mão muito boa nessas horas, porque em momento algum ela quer romantizar o que o Ishida fez para a Shouko, ao mesmo tempo que mostra que nem tudo está perdido. A pessoa que erra não é sem salvação e é isso que ela quer mostrar. Ainda na infância deles, o Ishida não consegue processar o que passou a acontecer com ele é culpa dele mesmo. Ele está tão cego pela raiva que não consegue ver o que está bem na cara do protagonista. Ele só vai notar quando as coisas saem do controle. A Nishimiya muda de escola e é nesse momento que ele vê que ela, mesmo depois de TUDO que ele fez, ainda queria proteger o garoto de algumas das agressões, de como ela apagando todo dia o que estava escrito na mesa do Ishida. Essa cena é fabulosa. A quadrinização, a expressão no rosto dele… a autora consegue passar nesse desenho que ali ele percebeu o que ele tinha feito e o que estava, de fato, acontecendo. É uma cena muito linda e triste.

Já no período atual da vida deles em que ele já está tentando se encontrar com a Nishimiya, pedir desculpas e ao menos tentar reparar um pouquinho de tudo que ele fez e causou, o Ishida reflete sobre a tentativa de suicídio dele. Ele para e pensa: “Calma aí. Só isso não vai fazer minha redenção.”. Nada do que ele fez no passado pode ser mudado, porém agora ele entende que tem uma oportunidade para pelo menos tentar corrigir algumas coisas, ao mesmo tempo que quer criar mais uma chance para a Nishimiya ser feliz. Parte do processo da culpa está nisso tudo. Ele está determinado em tentar reparar alguns dos danos causados. O Ishida pergunta se tem o direito de ver ela de novo ou se ele tem o direito de ser amigo dela. Quando a Yuzuru posta aquela foto dele pulando na ponte, ele não se vê no direito de ficar bravo/irritado com aquilo, porque novamente, é só mais uma das consequências do que fez anteriormente.


  • Arte da Obra

A arte da autora é excelente! Ela só melhora no decorrer do mangá, mas é incrível como desde o começo ela consegue ser dinâmica e passar a sensação de movimento. Um quadro dela consegue transbordar fluidez e sentimentos. É tudo feito com muito cuidado. As noções de perspectiva e aproveitamento das páginas são fabulosos. As páginas são muito ricas em detalhes. Dentro do quarto do Ishida que é cheio de brinquedos, jogos e objetos, é tudo bem desenhado. São verdadeiras obras de arte cada página. Recomendo até fazer a experiência de parar e olhar algumas páginas com mais atenção, reparando nos movimentos de cabelo, ou até na riqueza de detalhes dos cenários.


  • A Edição Nacional

Eu tenho ambas as edições nacionais do mangá aqui em casa. São muito bem acabadas! A 1ª edição veio no formato pocket (11,5 x 17,2 cm), papel off-set 90g, com miolo colado e costurado. Enquanto que a Edição Definitiva está sendo publicada no formato 15 x 21 cm, em papel couché fosco 110g, em capa dura, com média de 400 páginas por volume e com o preço de R$ 74,90. Meus amigos, que edição linda! As guardas do volume são as duas primeiras capas da obra (vejam no vídeo abaixo). Tem páginas coloridas e o papel em si está muito bom. Quase que não tem transparência. Depende muito do ambiente que você está também. Se tiver muita luz, é possível que você veja com mais facilidade através das páginas. A tradução é basicamente a mesma, passando por revisões aqui e ali. Mas tenho que dizer que as adaptações que a NewPOP faz tem um toque tão especial que acho muito maravilhoso. A leitura fica tão fluida, ainda mais para mim que tenho problema em ler volumes 2 em 1/3 em 1. Mas peguei para ler e foi rapidinho. Parte por causa da obra marcante e extremamente cativante..


  • Conclusão

“A Voz do Silêncio” é uma história tocante, sensível, que é muito atual e que deve permanecer assim por muitas décadas. Explora assuntos com maestria e com uma mão precisa para o que quer trabalhar. No decorrer da obra ainda veremos mais temas sendo debatidos e é tudo muito impecável. As consequências das ações feitas que permaneceram com os personagens e o que tudo isso causará é fascinante. Mesmo conhecendo o que vai acontecer, não deixo de ficar empolgado, ainda mais que não lembro de algumas coisas dos próximos volumes, rs. O título está mais que recomendado e apesar da nova edição ter o preço mais elevado, ela está mais que valendo a pena de ser adquirida! Como vocês puderam ver no vídeo acima, a edição está impecável, fora que vai ter muito material extra no último volume. Fica aqui a minha recomendação caso não conheça pelo filme, adquira o mangá. É muito mais completo e aborda mais temas, dado que o filme é mais limitado nesse sentido. Espero muito que tenham gostado ^^


  • Fica Técnica
  • Título original: Koe no Katachi (聲の形)
  • Título nacional: A Voz do Silêncio
  • Autora: Yoshitoki Oima
  • Serialização no Japão: Shounen Magazine
  • Editora japonesa: Kodansha
  • Editora brasileira: NewPOP
  • Quantidade de volumes: Completo em 4
  • Formato: 15 x 21 cm
  • Papel: Couché fosco 110g
  • Quantidade de páginas: 392
  • Preço: R$ 74,90

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