Review da novel e mangá de Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi

A minha curiosidade de ler coisa ruim está me fudendo demais.

EDIT: também fizemos as primeiras impressões do episódio 1 de Kaifuku. Link aqui.

Aproveitei que o anime estreia hoje, decidi fazer uma review das mídias que essa obra está presente, até porque queria ter a dimensão do que iria está por vim no anime. E qual o propósito desse post? Simples! Recomendar a todos os leitores desse blog para que NÃO VEJAM OU LEIAM ESSA MERDA. Nesse texto vou explicar os motivos que me fizeram a ‘sinalizar’ esse aviso para todos que ainda desejam manter um pingo de sanidade nesse meio otaku.

O meu post terá um formato diferente do habitual e será dividido em duas partes: a primeira vai ser comentando sobre as minhas impressões de leitura da light novel e do mangá dessa obra; e na segunda parte do meu texto, quero tentar abrir a mente dos fãs de Kaifuku para evidenciar do quão BIZARRO e TÓXICO em vários sentidos esse título é como um todo. Sei que não vou conseguir, mas né… é melhor do que não fazer nada.

SINOPSE: Depois de ser usado e abusado por seus colegas aventureiros, Keyaru planeja sua vingança a todos que cometeram maldades com ele no passado.

Para quê história se só basta ser o mais DARK e EDGY possível em sua narrativa rasa e sem propósito!?

Comentei há semanas atrás de como sai me sentindo um merda quando eu inventei de ler a LN e o mangá de Kaifuku. Fica aquela sensação que estou dando atenção para uma obra que não quer contar nada além de apresentar cenas de estupros e ser uma fonte ostensiva para preconceitos raciais, de gênero e sexual. Em certos momentos, o autor subestima sua capacidade de interpretação estabelecendo correlações forçadas na busca de justificar as ações que o protagonista realiza em sua história como “as mais corretas” naquele contexto.

Bem, eu sei que disse em várias reviews de diversos animes ruins, ou até nos meus comentários em relação ao livro As Crônicas de Arian, de como essas obras são misóginas, homofóbicas e racistas em seus enredos, e de como as mensagens passadas por elas para os leitores/espectadores estão totalmente distorcidas em percepções pessoais de seus autores. Porém eu ainda não tinha chegado ao fundo do poço antes de conhecer Kaifuku. Até como aviso, a partir de agora vou comentar de certos detalhes dessa obra que podem ser gatilhos para várias pessoas por envolver MUITAS cenas de abusos sexuais e marginalização de diversos grupos sociais. Como eu disse antes, NÃO ASSISTA OU LEIA KAIFUKU. Nem se você leitor tiver muito curioso para ver ‘qualé’ de tanta polêmica. Eu sempre digo para todo mundo ler ou ver alguma obra por si mesmo para terem suas próprias opiniões sobre o assunto. Porém com o Kaifuku, não vale nem a pena conhecer, pois o negócio te ofende de tantas maneiras, que fica difícil defender qualquer ponto abordado nessa história.

Eu quero começar contanto um “pequeno” resumo do que o enredo de Kaifuku quer ‘supostamente’ contar. Temos um protagonista jovem que sonha em ser um grande herói em um mundo medieval fantasioso (padrão para qualquer obra genérica japonesa baseada em jogos de eletrônicos de RPG). E nessa realidade tem todas as estruturas básicas de um MMOPRG. Temos um sistema de rank, níveis, EXP, armas com atributos mágicos, dungeons, dragões, demônios, raids, porções de boost… tem de tudo mesmo. Se você assistiu uma meia dúzia de isekais lançados nos últimos 2 anos, você saberá do que estou falando. Até aí tranquilo, pois como esperado desse tipo de obra, ter esses alicerces mesmo que mal estabelecidos, são essenciais em servir de pano de fundo para ambientar aquele mundo como algo perigoso e perverso para as classes subjugadas pelos ricos e poderosos, tentando estabelecer semelhanças com o período da idade média que ocorreu na nossa realidade. Entretanto é nesse ponto que começa toda a merda.

Parecido com o que acontece em Tate no Yuusha, o autor quer te vender que o protagonista é o OPRIMIDO da situação, mesmo sendo incoerente para um caralho em construir essa “injustiça” com tal personagem. Ele ganha as habilidades de ser um herói, porém, POR ALGUM MOTIVO JAMAIS ESTABELECIDO, todos os demais heróis tratam mal o protagonista só por ele ser da classe HEALER. Para quem joga uns MMORPGs, vocês sabem o quão IMPORTANTE é ter um amigo que cura geral em uma batalha contra um chefe ou está naquela dungeon difícil e que precisa de uma pessoa que dá suporte vital a todo momento por causa das quantidades de inimigos fortes no local. Só que o autor de Kaifuku pensa totalmente diferente e acha que as demais pessoas têm essa mesma mentalidade dele, construindo a situação em cima de um maniqueísmo barato na qual a CLASSE HEALER É A MAIS INJUSTIÇADA de todo o reino dessa realidade. Esse tratamento além de não fazer sentido pelo contexto de um cenário RPG, a narrativa não estabelece as causas dessa ojeriza que os demais personagens expressam para o Keyaru (o protagonista dessa bagaça). Só é jogado e foda-se. Não importa se o leitor não entende a motivação dos demais. O que interessa é somente esse preconceito não estabelecido e sentirmos “pena” do Keyaru.

Como se não bastasse elaborar um mundo genérico medieval e as motivações serem nulas para todo o elenco, o autor decide começar sua narrativa vários anos no futuro, utilizando um ‘flashforward’ para mostrar a ‘triste’ realidade do Keyaru. Por que ele fez isso? NÃO FAÇO A MINIMA IDEIA. Por consequência, começamos essa história no meio de uma batalha. É SÉRIO. Do nada temos uma luta apresentada na sua cara e te vira para entender. Qual contexto? Sei lá. Por que os personagens estão lutando com o demônio? Não faço ideia. O que eles estão atrás? Foda-se. Foi uma maneira preguiçosa do autor apresentar os “vilões” (já vou explicar essas aspas) que estão na party do protagonista e o Keyaru. Ainda tem todos os companheiros do personagem principal falando frases clichês de antagonistas de novela das 18 (eu já pensei em dropar ali de tão ruim que foi essa introdução) zoando o protagonista, ameaçando ele se não fizer o que mandam, piadas de estupro, diálogos sem sentido algum para uma pessoa falar no meio de uma batalha… MINHA NOSSA SENHORA, mas esse começo foi uma das piores experiências que eu tive como leitor em muitos anos. Eu vou falar esse absurdo, mas no MANGÁ consegue ser melhor do que no original, mesmo sendo MEGA EXAGERADO e CARTOONESCO. E nos quadrinhos ainda passa o mesmo sentimento de vazio e repulsa durante a leitura. A light novel disso daqui é horrível. Não sei se o tradutor (fã) para o inglês deu uma exagerada nos termos, porém a pessoa que escreveu aquilo ADORA TERMINOLOGIAS EXAGERADAS e sem propósito.

Beleza, retornando para a história, depois dessa BELÍSSIMA apresentação de personagens, temos o primeiro ‘twist’. Para explicar, o Keyaru era drogado diariamente pelos demais para obedecer as ordens dos heróis e ficar em estado letárgico na maior parte do tempo. Entretanto, como tudo acontece sem explicação nesse enredo, o protagonista GANHA uma habilidade de resistência a veneno e drogas (ele só adquiriu… não existe justificativa para isso). Ele finge ainda estar drogado e no momento de desatenção dos outros heróis, ele rouba um item raro que dropou ao derrotar o demônio que estavam lutando segundos antes. POR SORTE, era uma espécie de joia que é capaz de fazer o usuário dela retornar para o PASSADO. Sim, exatamente o que você está pensando. O Keyaru volta no tempo e com os conhecimentos do que irá acontecer, DECIDI SE VINGAR DE CADA UM QUE LHE FEZ MAL NA OUTRA REALIDADE. Antes de prosseguir, vou falar uma coisa. Não tenho problema com histórias de vingança. Assisti vários filmes, seriados, HQs, animes e mangás com essa proposta inicial de acompanhar uma pessoa em busca de justiça com as próprias mãos. A parada é que histórias que utilizam esse argumento como base aos acontecimentos da sua narrativa, elas PRECISAM abordar dois pontos no roteiro para não ser só uma exaltação a violência desenfreada e ao crime.

O primeiro ponto é dualizar as ações do protagonista que está nessa rampage de fúria para acabar com os vilões. O autor precisa deixar claro que as ações do personagem em questão são TOTALMENTE QUESTIONÁVEIS. Ele não está recorrendo à justiça ou aos meios legais para que os criminosos paguem. O personagem recorre a violência em busca da satisfação de ver os caras maus se fuderem pelo o que fizeram com ele ou algum ente querido envolvido. JAMAIS o autor deve enaltecer esse comportamento ou defender esse tipo de mentalidade COMO SAUDÁVEL. É uma situação extrema e que o protagonista agiu de tal maneira de forma errada e desproporcional. Você vai se vingar da pessoa que lhe fez mal, FAZENDO A MESMA COISA QUE ELA FEZ CONTIGO??? O que diferencia você do criminoso? Aos olhos da lei, VOCÊ É TÃO CRIMINOSO QUANTO ELE. Por isso que quando os autores escrevem histórias de ‘road to revenge’, precisam deixar evidente ou trabalhar esses pontos em que o personagem principal daquele enredo, recorreu a um meio de justiça tão ruim quanto ao mal que lhe foi praticado. CASO CONTRÁRIO, O AUTOR SÓ ESTÁ EXALTANDO COMPORTAMENTOS DISTORCIDOS E ENALTECENDO A VIOLÊNCIA COMO A COISA CERTA A SE FAZER, SENDO QUE É TOTALMENTE O OPOSTO.

O segundo ponto é sempre estabelecer os limites morais dentro da sua história. O que é certo ou o que é errado? Agredir sua esposa é aceitável em alguns países no oriente médio, porém é totalmente condenável aqui no Brasil. Você escritor de fanfic NECESSITA estabelecer essas fronteiras entre o que é considerado bom em contraponto as ações erradas, visto que se o autor não cria essas questões E TODO MUNDO FAZ MERDA SEM JUSTIFICATIVA, você só está sendo preguiçoso e glorificando atos de violência sem proposito com a desculpa que o MUNDO MEDIEVAL ERA ASSIM. Citei o cenário de Kaifuku, porém entra em qualquer parada que os autores escrevem por aí. E não adianta falar que autor pode escrever tudo e as ideias NÃO CORRESPONDEM as ações ou ideias de que quem escreveu aquela história. Você não sendo UM BURRO, sabe que a parte criativa do seu cérebro está ligada as experiências que você teve durante toda a sua vida. Nada é criado do vácuo ou do vazio. Você viu, sentiu, escutou ou aprendeu tal coisa e a partir disso, você cria ideias e percepções para fazer sua história. Todos os teus pensamentos são transformações de estímulos externos que você teve enquanto respirava. E quanto mais inexperiente for o autor no sentido de conhecimentos gerais, mais difícil fica de separar dele da sua obra escrita. Ou você realmente espera que um cara isolado socialmente consiga escrever um enredo sobre amor se ele não viveu nenhum no seu passado? Ele vai só conseguir reproduzir o que ele leu ou viu de outras obras. Se ele leu muitos hentais de estupros, obviamente para esse “criador” (ele só está copiando de outras pessoas) vai ser normal essas situações e vai colocar no seu livro em demasia. Aí você pergunta: “Dá para escrever uma história de um serial killer sem eu ser um lunático? ”. Sim, tranquilamente. A parada é que você precisa abordar o lado oposto também, para demonstrar que apesar de você estar escrevendo uma história a partir da ótica de um assassino mascarado que vai atrás de centenas de pessoas para matar, você não concorda com aquela visão deturpada. Por isso que existe a heroína que deve impedir ou derrotar o ‘protagonista’ daquela história de terror. Um autor (não maluco e doente) estabelece essas questões para que a morte seja um espetáculo do entretenimento, mas que você espectador/leitor saiba que aquilo que está lendo, acompanhando ou vendo, ainda sim é uma coisa errada e perversa que não deve ser repetida.

Eu tive que dar TODA ESSA VOLTA para dar base a minha defesa em criticar essa merda de história. O protagonista de Kaifuku depois que retornar para o passado, vira o grande VILÃO dessa história (por isso as aspas antes… todo mundo é vilão nessa caralha). Não tenho problema quanto a mudança de índole dele. Seria até uma ideia boa, SE FOSSE TRABALHADA CORRETAMENTE. Eu vou enfatizar aqui: NÃO EXISTE NENHUM PERSONAGEM BONZINHO NESSA OBRA. Logo, não tem um contraponto para as atitudes do protagonista, fazendo com que todas as justificativas dos atos do Keyaru aos olhos dos leitores sejam ACEITÁVEIS E NORMAIS. A partir de agora que começa o chorume desse enredo.

O Keyaru arquiteta um plano para se vingar primeiramente da principal princesa (Flare) do reino. Porém a versão dele no passado ainda está level 1. Ele não tem condições de ganhar dela naquele estado. Ainda tem o lance do Keyaru ter a obrigação de aceitar a convocação que será feito a ele no dia seguinte para se tornar um herói. Não tem tempo hábil de “upar” suas skills. Então ele pensa na ideia MAIS IMBECIL de todas: “Vou deixar que eles me torturem por alguns meses, enquanto eu ganho pontos de experiência escondidos e depois me vingue de todos”. Pois é. Ele deixa ser capturado e TORTURADO novamente para assim ter a ‘vingança’. Na real, isso foi o autor tentando corrigir a cagada que ele fez no primeiro capítulo. Como não vimos o sofrimento do protagonista anteriormente para criarmos uma ‘empatia’ dele, o autor teve que arranjar essa desculpa para MOSTRAR DESDE DO COMEÇO toda a violência que foi praticada com o personagem na outra linha temporal. Ele podia fugir e upar os levels e skills em cidades vizinhas? Podia, porém TEMOS QUE TER CENAS EDGY, PESSOAL! CASO CONTRÁRIO NÃO ATRAI OS OTAKUS PUNHETEIROS.

Opa, esqueci de um detalhe. Temos um “liquido” que ACELERA a evolução dos heróis e guerreiros nos levels e ranks. Só que esse “liquido” é muito raro e tem que ser bebido direto da ‘fonte’. Já sacaram que liquido é esse, não é mesmo!? Exatamente. O liquido que é o elixir dos boosts de atributos dos ‘jogadores’ é o ESPERMA DE UM HERÓI….. E não vale lubrificação vaginal ou saliva, somente esperma. ‘SÓ O HOMEM CONSEGUE E É CAPAZ DE PRODUZIR ESSA MARAVILHA‘ (sendo irônico ao máximo aqui). Parece muito um roteiro de hentai essa merda. Aí vira uma loucura tanto a novel quanto o mangá, porque depois de capturado e drogado, o protagonista é violentado por todo mundo da capital. As empregadas do castelo, as princesas, os demais heróis, a cavalaria, feiticeiros… TODO MUNDO MESMO quer subir de nível mais rápido violentando o Keyaru. Só que agora temos uma exceção nessa realidade temporal. O nosso personagem principal ganhou uma nova habilidade, que é de copiar as skills de outros heróis ou pessoas no simples toque. Entretanto ele precisa manter um contato físico extensivo para clonar com perfeição as habilidades do resto do elenco. Já deu para imaginar… o protagonista QUERIA SER VIOLENTADO para copiar as skills dos demais personagens. MINHA NOSSA SENHORA… eu lendo essa parte e vendo a banalização de estupro como fosse nada é de FICAR PUTO AO MÁXIMO.

No meio de tantas violências sexuais para masturbação dos otakus doentes, ainda tinha que ter a “cobertura” dessa bomba escrita. Chega em um trecho na novel em que temos homens violentando o protagonista. Como eu disse, é só o homem que produz o ‘esperma do cheat’. Eu pensei logo de cara: “Por que o mano que irá violentar o Keyaru não bebe o próprio esperma? ”. Ué, isso é lógico. Não existe restrição dizendo que a porra do próprio cara perde o efeito se ele mesmo toma. ENTÃO NÃO TINHA NECESSIDADE ALGUMA DE TER MAIS ESTUPROS NESSE SENTIDO. Só que antes da violência, o “vilão” (todo mundo é do mal nessa merda, não sei porque estou me referindo ainda como vilões os personagens) se vira para o protagonista e diz essa citação como fosse algo SUPER NORMAL:
– Não existe amor entre homens. Só nos relacionamos para tirar um proveito do outro. Sexo só com mulheres por diversão e para procriação. Não podemos nos envolver ou fazer sexo com outros guerreiros se não for na base da violência.
Chegou nesse trecho eu parei de ler a novel. Fiquei olhando para o teto me perguntando o motivo de me sujeitar a isso. Eu nem retornei a ler naquele momento. Fui continuar só no dia seguinte e enquanto eu relia esse trecho, pensei em parar novamente, porque não dava maluco. CARALHO, QUEM ESCREVEU ESSA MERDA!? UM PASTOR EXTREMISTA??? Mano, custei para passar desse pedaço. No mangá aliviou um monte esse momento e foram apenas alguns quadros, porém na novel FORAM DEZENAS DE PÁGINAS. PARECIA UMA ETERNINDADE PORQUE NUNCA ACABAVA. E ainda tem o diálogo do único personagem negro apresentado até ali:
-A força do amor é quando machucamos o ânus da pessoa.
EU QUERO DESCER DESSE TREM DESGOVERNADO AGORA. PARA NA PRÓXIMA ESTAÇÃO, PELO AMOR DE DEUS.

Com muito custo e danos mentais, eu passei dessa sessão de estupros que tinha na novel. Logo em seguida temos um outro flashforward, só que de meses agora. DEPOIS DE TODO ESSE TEMPO que realmente começa o “plano” de vingança do protagonista. Depois dele ‘upar’ suas habilidades ocultas de uma maneira nada ‘sábia’, ele consegue fugir do seu cativeiro, enganar os guardas e encurralar a Flare no castelo, suposta ‘vilã’ desse arco inicial e alvo principal do seu plano. Aí meus amigos eu parei de ler a novel e só continuei no mangá. Eu não consegui passar desse trecho em que a SUPOSTA VÍTIMA VIRA O AGRESSOR. Código de Hamurabi total daqui em diante. Só que tem um agravante em que o protagonista QUER MAIS e FAZER PIOR do que lhe fizeram. Então não basta fazer a personagem sofrer ou ser torturada. ELA TEM QUE VIRAR A ESCRAVA SEXUAL DO PROTAGONISTA PARA TODA A ETERNINDADE. Não está com vontade? Dane-se. Dopa, deixa ela letárgica e violenta a menor de idade. Verdade, esqueci de comentar, mas a maioria das personagens femininas são adolescentes ainda. É… complicado. No mangá não difere muito do original com quadros em que a sexualização é hipervalorizada e as poses da princesa durante o estupro são para otakus punheteiros que se excitam vendo violência sexual. É deprimente.

A partir de agora liguei o foda-se e comecei a ler o mangá da maneira mais desleixada possível. Meus amigos, só tem cenas de estupro daqui em diante e TODOS PRATICADOS OU PLANEJADOS PELO KEYARU. Para quê ler com atenção se virou um hentai essa merda??? Foda-se essa porra. Comecei a ignorar QUALQUER LORE que foi estabelecido e só estava lendo para ver até onde o roteiro queria ir, já que a vingança principal tinha SUPOSTAMENTE terminado. Vou citar em tópicos até para agilizar esse resumo, porque não acontece nada além de mais momentos de violências sexuais e o protagonista RINDO SADICAMENTE (O GÊNIO DO YOUTUBE BRASILEIRO DE ANIMES E AUTOR DAS CRÔNICAS DE ARIAN PIRA NESSA PARTE):

  • O Keyaru muda de escopo e agora quer se ‘vingar’ do rei daquele mundo (entenda como quiser).
  • Agora o protagonista healer montou um harém ao seu redor, com direito a escrava loli, princesa enfeitiçada, cavaleira submissa… forçando todas a transarem com ele a todo instante e ao mesmo tempo.
  • Keyaru se refere a todas as mulheres da obra como objetos e tem uma personalidade possessiva: “Você não vai roubar meu brinquedinho. ”, referindo-se a escrava que ele “supostamente salvou”.
  • O protagonista passa a violentar inocentes…pois é.…se é bonitinha, dopa e abusa em seguida.

Depois desse último tópico, eu parei de ler o mangá também. Aqui não existe um contraponto as ações do protagonista. Tudo é JUSTIFICÁVEL para ele conseguir sua “suposta” vingança tanto desejada, como também não existe personagem bonzinho e todos são escrotos, que resulta em sexualização gratuita e banalização da violência sexual durante toda essa narrativa MEGA PROBLEMÁTICA. E olha que só citei apenas alguns pontos, porque você pode ir mais longe dizendo que os poderes não fazem sentido, ou de como eles conseguem viajar entre cidades sem alertar os guardas, como o protagonista ganha suas skills roubadas, quem é o líder demônio dessa bagaça que foi esquecido no enredo, quem é o rei soberano disso… vai acontecendo coisas sem explicação e só devemos aceitar, porque sim, sei lá. Tenho conhecimento que a história não acabou, porém não me interessa mais. Nada vai sair de bom nessa obra. Se você leu o resumo todo que eu fiz, já basta. Não precisa ler ou ver o anime para ter uma experiência desastrosa e asquerosa. Não vale a pena o esforço em tentar ver essa adaptação. É uma dica de amigo que quer menos pessoas traumatizadas de ver o anime dessa bosta completa.

Uma conversa séria agora

Assim, não estou dizendo que não precisa existir DARK FANTASY (eu odeio essa expressão), porque estaria anulando todas as outras histórias realmente boas por causa de uma novel horrorosa. Só estou apontando que em um “DARK” Fantasy não EXISTE SÓ ESTUPROS como fator chocante ou perigoso (como é no caso de Kaifuku). Pragas, religião, guerras, sujeira, fome, seres mágicos perigosos, feudos com o rei sendo autoritário… TEM UMA INFINIDADE de opções criativas para mostrar ao leitor de como aquele ambiente é hostil e prejudicial para sobrevivência da grande maioria. No momento que qualquer autor SÓ UTILIZA a ferramenta do estupro para movimentar a trama, demonstra uma pobreza não só criativa (ou imaginativa) como intelectual. A pessoa só está replicando na sua história o que viu em um hentai aleatório. A minha crítica é justamente em cima desse ponto, que é o abuso e a banalização da violência sexual contra mulher.

“Mas Rub, esse artificio era usado A TODO MOMENTO em obras antigas… ”. Sim, realmente era um recurso muito utilizado para glorificar a figura do homem como herói em salvar mulheres desse perigo no meio do entretenimento mundial há alguns anos atrás. Mas eu te faço uma pergunta: “O Atari 2600 continua sendo o melhor vídeo game da atualidade no quesito gráficos? ”, “A TV de tubo ainda continua sendo sensação e novidade?” Quero que você entenda que os TEMPOS MUDARAM. Não temos a mentalidade que nossos pais tinham ou dos nossos avós antes. O que era aplicado naquela época, muito provavelmente não vai funcionar aqui. Os pensamentos evoluem assim como o ser humano se adapta a sua nova realidade. Com o passar dos anos, é perceptível a influência de certos axiomas que tínhamos e que ainda estão presentes até hoje. Culpar a vítima de abuso por sair com uma roupa mais curta, enquanto dá credibilidade para o criminoso afirmando que foi ‘estupro culposo’. Ou o policial se virar para a vítima e perguntar: “Você tem certeza que foi abusada? Você não estava bêbada e deu liberdade para a investida do seu esposo? ”, ou “É briga de marido e mulher e você pediu para tomar esse soco na cara. ”, ou “Eu estava bêbado juiz e não tinha consciência do que fazia.”. São nessas situações em que a culpa passa ser da pessoa que sofreu a agressão e não do agressor. E todas essas frases foram tiradas de notícias sobre casos de violências contra as mulheres, especialmente a última citação em que o acusado se safou da condenação perpétua e vai ser solto nesse mês depois de estuprar uma guria de 8 anos há uma década atrás no banheiro público da Coreia do Sul (tem o filme dessa notícia na Netflix, inclusive. Recomendo que vejam).

Pessoal, estamos no ano de 2020. Narrativas focadas em estupros não eram para estar em foco ou sequer escritas a exaustão por esses “autores” (não estou falando dos fetiches, e sim da maneira que é exposto nessas obras). Além de diminuir e banalizar uma violência tão grave, trata a figura feminina como fosse totalmente dependente do salvador masculino. Autores amadores ou que sonham em virar escritores um dia, tenham isso em mente que para escrever uma boa história que chame a atenção da maioria, não devem rebaixar suas personagens femininas a meros suportes para o crescimento do protagonista. “MAS RUB, DARK E EDGY VINGATIVO ESTÁ TATUADO NA MINHA CARA DE OTAKU SOMBRIO REI DAS TREVAS DO MUNDO INVERTIDO …” Então lhe faço uma pergunta meu caro. Quando você vai em uma entrevista de emprego, o entrevistador pergunta: “Qual a sua melhor qualidade como pessoa? ”, você vai responder ‘VINGATIVO’? Certamente que não, porque você só assume essa posição graças ao anonimato da internet, mas no dia-a-dia, há uma boa chance de você ter uma postura TOTALMENTE DIFERENTE. Mas é o normal, visto que se você der uma de maluco falando que adora ler obras com estupros, todo mundo vai te afastar socialmente (se você já não for isolado agora). Estou falando diretamente para você otaku que se encaixa no perfil acima que apresenta esse tipo de comportamento. Essa atitude não é nociva só para você, como afeta todo mundo a sua volta. Não é questão de opinião ou liberdade de expressão. Pense que conforme você defende esse tipo de obra, mais você corrobora para que os crimes reais de abusos sejam relativizados como parte de uma atuação ou exagero da vítima.

“Mas eu ainda gosto da obra e vou ler mesmo assim e BLÁ BLÁ BLÁ… ” Beleza, eu não estou falando para você deixar de gostar da obra e pare de ler imediatamente. Só quero que entenda que se você defender Kaifuku, principalmente envolvendo as ações do protagonista e os estupros, naturalmente você já estará do lado errado da discussão. Não é para passar pano. Não é porque é sua obra favorita que não devemos criticar as ideias passadas na leitura. Repito, não estou dizendo para você ODIAR algo que estou apontando como bizarro e errado. Só sugiro que apenas leia esse mangá no seu quarto escuro, quieto, excitado com o GRANDE HEALER se vingando e abusando das suas agressoras das piores formas e exageradas do que elas fizeram com ele. Se você curte esse pensamento, vai em frente. Só não tenta proteger como algo legal e que o protagonista está certo no que fez, porque não está, independentemente de sua miopia moral que você tenha em identificar o lado certo do lado errado.

7 comentários em “Review da novel e mangá de Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi

  1. Sério cara, valeu por essa review. Eu tava aqui remoendo ódio profundamente dessa porcaria de história mal escrita e nojenta, sem propósito nenhum a não ser enaltecer estupro. Não agrega em porra nenhuma e o autor nem tentou fazer uma storytelling que preste. Depois de ler sua review tô até em paz.

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  2. sei lá pra mim essa obra foi feita pra quem gosta de obras mais gore e violentas tipo doce vingança, megan is missing, tokyo ghoul essas coisas

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  3. Olha, eu tinha constantemente a sensação de que o autor “não estava me contando nada”, e pela sua review (e o pouco que me lembro), acho que eu estava certa. A obra é basicamente um grande hentai que, sabe-se lá como, conseguiu ser classificado de outra forma. No fim, é só um cara se vingando de maneiras horríveis de seus agressores e o autor tentando justificar isso nos mostrando como “todo mundo é malvado UwU”. Profundidade? Motivações coerentes dos agressores? Questionamentos reais? Aqui não. Ele podia se vingar de várias formas inteligentes que deixariam essa obra super interessante, mas material para “fap fap” parece ser prioridade. Triste. Nem tô reclamando da violência, sexo ou abuso, e sim do uso saturado e previsível, sempre a mesma coisa…

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  4. Não sei pq mas tua review de parallel paradise foi melhor que essa, não que essa review já não mostre o quão ruim e ofensiva a obra seja, mas enfim, parabens por aguentar ler esse lixo.

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