Review de Love Live (Até o Sunshine)

Eu amo essa franquia e não sei explicar o motivo xD.

Aproveitando o embalo da estreia do novo anime da franquia Love Live, decidi fazer uma review das temporadas anteriores, dizendo um pouco da minha experiência, ao mesmo tempo em que tento entender os motivos que me fizeram gostar TANTO de LL.

SINOPSE: Uma jovem (de cabelo alaranjado, normalmente) sonha em ganhar a competição chamada LOVE LIVE de melhor grupo de IDOLS escolares do Japão. Assim, com esse objetivo em mente, a protagonista junta mais 8 amigas para participarem desse campeonato e de se tornarem referência nacional nesse meio.

Tentando entender o que passa na minha cabeça

Como eu disse na chamada, não consigo colocar em palavras os motivos que me fizeram gostar tanto de Love Live. Para quem me acompanha nas redes sociais, sabe que eu tenho certa resistência para qualquer tipo de anime com IDOLS ou que enalteça essa área “comercial” do país japonês. Não consigo aceitar certos comportamentos e condutas que as gurias aceitam para fazer esse ‘job’ e têm que se sujeitarem as diversas regras muito absurdas. ACHO LOUCURA elas serem obrigadas a assumir uma postura “pura” em que não podem ter vida privada, se relacionar com as outras pessoas, namorar, sair para se divertir… Elas devem ser recatadas e DEDICADAS AOS SEUS FÃS 24 HORAS POR DIA. E ainda são coagidas a não terem direitos para qualquer demanda ou necessidade que elas precisem. Tudo fica em volta de suas imagens de intactas para os perturbados que louvam essa prisão emocional delas. Então, toda vez que tem qualquer anime, vídeo, filme, doramas em que tem essa temática de Idols, eu corro que nem um intolerante a lactose foge do leite.

Dito isso, É IMPRESSIONANTE eu ter tomado a iniciativa de ter começado a ver o anime. Lembro que iria estrear o Sunshine e estava procurando algo para ver. Fiquei curioso do por que caralhos essa franquia era tão famosa lá nas terras nipônicas. Movido por um interesse e curiosidade, decidi assistir a primeira temporada do primeiro grupo, as ‘Muse’ (μ’s), só para ver qual é e compreender os motivos que o povo adora tanto ver gurias cantando com vozes anasaladas e dançando de maneira robótica. E sabe aquele sinal de perigo que vem na sua cabeça, te alertando que consumir determinada coisa, irá te viciar (Muito refrigerante, doces, drogas de todos os tipos, cigarro…)? Pois então… Sinto que eu devia ter escutado a minha consciência. E como é de praxe quando eu gosto muito de alguma coisa, vou tentar EVANGELIZAR você leitor a assistir todas as temporadas desse anime (estilo testemunha de Jeová), para que você entre nesse caminho sem volta junto comigo xP

Primeiro grupo (μ’s)

Todo mundo sabe que eu uso o avatar da Hanamaru na maioria das redes sociais que eu tenho conta. Eu não escondo que é a minha personagem favorita, junto da Yoshiko, Eli e Kotori. Mas considerando somente o conjunto da obra, o anime sobre o primeiro grupo é muito superior às temporadas das Aquors. Nem me refiro sobre a parte narrativa de modo geral ou dos carismas das personagens (porque nesse caso, as personalidades das gurias das Aquors se destacam das μ’s). Estou mais me focando em como a primeira temporada estabeleceu diversos alicerces que foram reutilizadas (até demais) nas continuações.

Temos uma jovem do segundo ano médio, que descobre o valor de ser uma Idol e sonha em se tornar uma de sucesso, montar um grupo com suas amigas e participar da maior competição nacional para elegerem o melhor grupo de Idols colegiais (a competição é anual). É uma trama bem simples, até porque o sonho passa a ser um pano de fundo para acompanharmos os relacionamentos das garotas e dos seus cotidianos como os de estudos, treinamentos e apresentações locais para preparação do grande evento que estão almejando. E como o enredo não tem um vilão propriamente dito, as diferenças de personalidades e seus problemas pessoais que passam a serem os obstáculos no enredo. A presidente do grupo estudantil que não ver com bons olhos alunas daquela instituição a participarem de tal competição popular; a última (e única) membra do clube de Idol ativo na escola que não acredita na vontade da protagonista em seguir esse sonho; uma das garotas que não acreditava ser bonita suficiente por sempre ser confundida com um menino pelo seu jeito de ser; os treinamentos insanos de manter o físico; a primeira derrota; problemas familiares; a falta de confiança… Os problemas enfrentados por todas, passam a ser mais palpável, rolando certa identificação com o público por serem situações possíveis vividas pelo espectador em diversas situações.

Mas não se engane, porque Love Live ainda tem um clima lúdico e fantasioso. Eu não diria que seja uma utopia, porém ainda é bem fora da nossa realidade. Por exemplo, você ver alguma das personagens se relacionando (não no sentido amoroso, mas uma simples conversa) com alguém do sexo oposto? Nos shows, qual gênero predomina no público? A escola é exclusivamente do quê mesmo? São perguntas que já deixa claro a ausência de personagens masculinos nesse roteiro. Se não me engano, tirando o pai da Honoka (que não tem seu rosto mostrado) e o irmão mais novo da Nico, que apresentam alguma fala no roteiro. O resto todo do elenco é feminino. É um movimento BEM claro da produção para manter a integridade dessa visão de que as Idols são exclusivamente FOCADAS paras seus fãs, não tendo abertura para qualquer momento intimo com alguém do sexo oposto. Obviamente, até como forma de “fanservice”, rola muitos diálogos entre as personagens que deixam um clima dúbio, movimentando a imaginação dos fãs em ‘shippar’ as garotas umas com as outras (A única cena que lembro que temos alguma parada mais sugestiva destinada para os otakus foi a da Maki se despedindo do pai, em que a câmera está em primeira pessoa do lado paterno no momento de despedida para o show nos EUA). É muito fácil achar fanarts dessa torcida de vários casais por parte dos fãs (rola até discussões ferrenhas na internet para ver o melhor casal…). Estou mais focando nesse detalhe para que você não se engane, porque aqui ainda é um anime que fortalece uma mentalidade retrógrada de zelo e pureza. Eu adoro o anime, entretanto tenho consciência que estou ajudando uma parte da indústria que necessita URGENTE de um revisionismo estrutural de como ela é estabelecida hoje.

Quanto às personagens, elas são protótipos de waifus perfeitas. Elas não apresentam grandes profundidades em suas personalidades, porém são eficientes no que se propõe que é apresentar um leque variado de garotas muito simpáticas para preferência de quem assiste o anime escolher sua favorita. Eu dou destaque para a Eli e a Honoka, que são as duas que tomam as decisões principais que movimentam a trama, e consequentemente, as demais acompanham nesse caminho definido (ainda prefiro a Kotori, mas aí vem de gosto pessoal). Todas têm seu momento específico durante as temporadas, que ganham um destaque no enredo para felicidade de seus fãs. Além do grupo principal, temos suas rivais, a A-Rise. Como o projeto era uma aposta inicialmente, não investiram nelas como estão fazendo com a Saint Snow atualmente. Acho que os produtores não esperavam tamanho sucesso desse anime no Japão. No Sunshine eles não deram essa bobeira de negligenciar o grupo rival das protagonistas.

E não é um anime de Idol se não tiver músicas. Assim, nem todas as canções lançadas pelas μ’s aparecem no anime, porém, as músicas que são mostradas, junto com as suas apresentações e coreografias exibidas pela animação, são muito boas e viciantes até, com diferentes estilos musicais presentes nas melodias (O CG ainda é perceptível, porém não é gritante ou destoante em comparação para animação a mão). Boas partes das minhas músicas favoritas das Muse não aparecem no anime e que só fui ter conhecimento delas jogando o jogo de celular da franquia chamado de SIF (School Idol Festival). E É COISA PARA CARALHO. É lançado pelo menos 100 músicas todo ano delas, desde cantadas por todas as integrantes, por apenas uma das gurias em um solo, ou em formações de trios fixos, ou grupos mistos…. É impossível acompanhar tudo que é lançado pela franquia. Só os fãs mais hardcores tem tamanha disposição para consumir todo o material disponível (incluindo shows das dubladoras, artbooks…). Love Live é um produto multimídia gigante, tendo para todos os gostos e consumidores.

Quanto à produção, o primeiro diretor fez um baita trabalho em um estúdio que é especialista em animes mecha por muitos anos. Até fez com que a Sunrise olhasse para outros gêneros que não tinham em seu catálogo anteriormente. Soube dosar os momentos de cotidiano, com os treinamentos e apresentações musicais, jamais exagerando em algum aspecto. A fotografia também chama atenção por apostar evocar cenas de musicais famosos, para compor todas as cenas com um clima agradável, intercalando com momentos mais emocionais da história. A animação é acima da média, porém nada espetacular ou cheio de firulas visuais. Mantém uma consistência durante os episódios, mesmo nas transições de CG para 2D. A trilha sonora (não estou falando das músicas das Muse e sim da soundtrack do anime) é eficaz, mas não chama a atenção. Os clipes musicais mostrados dentro do animes são excelentes.

E só para finalizar essa primeira parte colocando lenha da fogueira: KOTORI > ELI > HANAYO > RIN  > UMI  > NOZOMI > HONOKA > MAKI > NICO. SIM, A NICO É UM PÉ NO SACO E QUEM DISCORDAR ESTÁ COMPLETAMENTE ERRADO.

Segundo grupo (Aquors)

HANAMARU É A BEST GIRL! TODOS SE CALEM PERANTE A PERFEIÇÃO CRIADA NA TERRA. XD Tirando o meu lado emocional e só avaliando o anime, tenho problemas com essa ‘continuação’. A principal seria que apostaram no seguro e mantiveram os mesmos argumentos das temporadas anteriores. Escola para fechar por faltas de alunas, protagonista que descobre um novo mundo do show business e quer entrar nesse meio, uma das garotas não aceita que criem um grupo para concorrer no campeonato de Love Live, início de carreira desastroso e sem sucesso, rivais poderosas… TUDO QUE FOI A BASE NO PRIMEIRO ANIME, SE TORNOU A MESMA PARA CÁ. O sentimento de que “já vi isso antes” só crescia conforme os episódios foram passando. Não reclamando que seja clichê ou coisa do tipo, mas porra, o senso de urgência da história ser a escola ser fechada DE NOVO? Não tinha outra justificativa? Mas não se engane por eu estar falando dessa forma de LL Sunshine porque AINDA ADORO esse anime. O lance que são coisas que aconteceram durante o anime que fiquei pensando se não poderiam ser diferentes, ou se não podiam ter inventado outras tramas para escrever esse roteiro.

Vou até puxar logo o assunto da produção, porque foi outra parada que não foi do meu agrado, porque assim só falo de coisas boas em seguida xP. A troca de diretor é bem perceptível em Sunshine. No primeiro anime, dava para ver uma identidade própria, não só visual como de ritmo e cinematografia. Em Sunshine tudo era derivado ou copiado do predecessor. O famoso ‘copia e cola’ ou ‘time que está ganhando, não se mexe’. Só que esses pilares foram levados ao pé da letra, porque é impossível ver algum diferencial no anime. O sentimento é tão grande nesse sentido, que passa a impressão de desleixo ou falta de preparo, pois quando você estabelece algo novo dentro de uma franquia, ela precisa se valer sozinha e não dependente do seu irmão mais velho de sucesso. Até a trilha sonora (repito, não falando das músicas cantadas por elas, mas sim das faixas que compõe a animação) é muito parecida com a primeira temporada. Tanto que precisei de vários episódios depois para comprar a ideia do Sunshine, porque era muito mais do mesmo e eu tinha assistido há poucos dias o primeiro animes. Essa questão muda um pouco em relação a isso na segunda temporada. O lance foi que socaram essa parada de fechar escola de novo no roteiro. Novamente houve uma queda perceptível em tentar apelar para um drama fácil que funcionou no primeiro anime. Na parte da animação, nada do que reclamar, pois manteve o nível da antecessora.

Agora trocando o lado da moeda, as Aquors são mais carismáticas que a primeira geração. Depois do sucesso comercial estrondoso, aparentemente a produção entendeu o que precisava ser feito. Agora tudo é mais direto. Não tem essa de frases dúbias para agradar UM POUQUINHO os fãs de um shipp entre as gurias. Agora temos episódios TOTALMENTE DEDICADOS para satisfazer o pessoal que adora a franquia em vários fanservices descarados. Rola até uma declaração de amor implícita por uma das personagens para outra. Só não é realmente “efetivado” esse romance, pelos motivos que apontei no começo do texto em ter que entreter os fãs mais “tradicionais”. Diferente das μ’s, não tem uma garota que eu desgoste realmente na Aquors. Posso dizer que seria a guria que eu menos curta seria a Ruby. Mas o restante do elenco segue o mesmo padrão de garotas fofas e adoráveis, perfeitas para uma predileção do espectador. Todas apresentam alguma característica marcante, baseadas em estereótipos famosos do meio otaku (tsundere, kawaii, líder, burrinha…). A história ainda continua sendo um segundo plano, porque o apelo são as gurias realmente.

Na parte dos musicais, dou o meu destaque para as canções do grupo das Aquors. São com certeza as músicas mais viciantes. Apesar das Muse apresentar um leque de variedade de estilos musicais, aqui no Sunshine sinto que os produtores encontraram um equilíbrio perfeito para a proposta. São as músicas delas que mais escuto no Spotify e que meu gosto se assemelha da melhor forma. Quanto as apresentações no anime, nesse aspecto pouco mudou do primeiro anime para cá. Continua ainda sendo do mesmo jeito, tendo momentos de coreografias a mão e CG. O que foi possível reparar foi na melhora da computação gráfica, porque dá para ver que rolou um upgrade nesse sentido.

Até para fechar essa segunda parte com mais confusão: HANAMARU > YOSHIKO > YOU > RIKO > DIA > KANAN > MARI > CHIKA > RUBY. E Hanamaru é maior que todas que foram e virão vir aparecer. SE CONTENTEM COM ESSA VERDADE NA SUA CARA OTAKUS. XD

E os games?

Dediquei só esse parágrafo para falar que o primeiro SIF (School Idol Festival) é INFINITAMENTE SUPERIOR AO ALL-STAR. Para quem não sabe, foi lançando mundialmente dois jogos de celulares da franquia. São jogos de ritmo em que jogamos eventos, missões, ou pagamos para obter aquela card rara da sua garota favorita. Como sempre, é um jogo caça-níquel que pega o dinheiro dos trouxas e capitaliza em cima do nosso lado passional. Famoso PAY-TO-WIN. Só que a primeira versão desse jogo era MUITO MELHOR da que foi lançada recentemente, porque o primeiro SIF sempre capitalizou a compra de packs e ‘corações’ (que dão vida e também pode ser trocado por packs a partir de uma quantidade que você junta). A gameplay além de desafiadora, era justa tanto para quem jogava gratuitamente, como para quem pagava (ainda tem a vantagem quem paga horrores, porém jogando por um tempo, você conseguia montar times com cards muito boas, sem que essa diferença de poder seja discrepante). E um detalhe importante que as mecânicas do jogo não eram complicadas ou cheio de firulas, para favorecer os jogadores “premium”. Tudo era mais equilibrado para também satisfazer o casual. Só que quando lançaram o ALL-STAR, tudo mudou.

Se antes era justo, aqui o dinheiro fala mais alto. Cards com diferenças de forças, cosméticos que dão buff para os jogadores que gastaram dinheiro, chance de pegar uma card mais rara no pack foi diminuída ainda mais para os jogadores ‘freemiums’, criação de itens exclusivos para os compradores que aumentam os status do time…TUDO VIROU DINHEIRO AQUI. Ainda tem o fato que as mecânicas do jogo ficaram MUITO MAIS COMPLEXA. Esqueça de montar o time a partir somente do atributo da música ou qual grupo que está cantando. Aqui, além desse detalhe, você tem que ficar ligado em quais participantes colocar para rolar bônus, colocar item X para conseguir mais extras como premiação, colocar gurias que tem mais afinidade com uma outra, ENFEITAR A ROUPA DA IDOL PARA UPAR DE NÍVEL… A PORRA DO JOGO DE RITMO FICOU EM SEGUNDO PLANO TOTALMENTE. E tudo pode ser comprado com dinheiro. Logo, se você não gastar nenhum centavo, quando rolar os eventos competitivos, você irá ficar para trás com certeza. Nem chance de disputar você irá ter. Foi tanta parada merda, que eu parei de jogar o All-Star.

Se quiserem jogar algum jogo de ritmo da franquia, recomendo vocês irem para o primeiro SIF que ainda está online para ser jogado, com tradução para o inglês.

Conclusão

Você chegou no final desse texto E AINDA NÃO ASSISTIU O ANIME? O que você está esperando e correr para consumir ESSE PRODUTO QUE É MEGA VICIANTE, CAUSANDO DEPENDENCIA INTERMINÁVEL PARA SABER DE MAIS NOVIDADES POSTERIOMENTE (O Ministério da Saúde adverte XP). Falando sério, fica o aviso que é um anime de idol como foco. Para quem não curte ou tem resistência com o gênero, não será Love Live que irá te fazer mudar de ideia (mesmo que tenha acontecido comigo, não irá ser uma regra). Caso contrário, Love Live é uma excelente recomendação para o pessoal consumir algo tranquilo para passar o tédio e aproveitem que ainda dá tempo para ver tudo, visto a nova temporada chegando.

2 comentários em “Review de Love Live (Até o Sunshine)

  1. Excelente texto. Traduziu muito do que penso sobre Love Live. Eu não acho tão incrível, porque minha franquia de animes Idol favorita é Aikatsu. VEJAM AIKATSU.

    Curtido por 1 pessoa

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