Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba): análise, comparação e saga do trem infinito

EDIT: o autor desse post saiu do LD. Por diversos motivos, estaremos atribuindo a autoria desse post para outro usuário. Mas que fique registrado que o autor desse post não está mais na staff do blog.

Olá gente! Como vocês estão? Hoje eu queria trazer um texto de análise, comparação e comentários sobre a obra Kimetsu no Yaiba, comentando um pouco sobre o anime e o mangá, ressaltando alguns pontos e contando pra vocês um pouco sobre minha opinião da obra.

Eu gosto de Kimetsu no Yaiba e coleciono o mangá que é publicado aqui no Brasil. E como o filme vai lançar na temporada de outubro e o mangá aqui no Brasil alcançou o que o filme vai adaptar, decidir fazer esse texto. Espero que gostem!

Sobre a obra

Kimetsu no Yaiba, ou Demon Slayer (como é conhecido no ocidente), é um mangá de ação/aventura, escrito por Koyoharu Gotōge e publicado na Shonen Jump em 2016 e finalizado em 2020. No mangá acompanhamos a aventura de Tanjiro Kamado na busca de encontrar uma forma de transformar sua irmã de volta em humana, visto que por conta de um incidente, Nezuko Kamado acaba se transformando em Oni, ser que pode ser visto como um demônio ou ogro que se alimenta de seres humanos; no geral os Onis tem alta capacidade de regeneração e força que supera a da maior parte dos humanos. Muitos deles têm a capacidade de desenvolver poderes especiais e a fraqueza desses seres está em ser exposto ao sol ou um veneno especial feito de uma planta que eles não se aproximam ou cortando suas cabeças com uma espada feita com um metal especial. Além dos irmãos, temos também mais dois protagonistas: Zenitsu Agatsuma e Inosuke Hashibira, que estão quase sempre acompanhando o casal de irmãos em sua jornada. O mangá apesar de finalizado no Japão, não tem todos os capítulos fechados em volumes. No Brasil, ele é publicado mensalmente pela Panini desde fevereiro de 2020 e no final de 2019 teve uma adaptação para anime de 24 episódios que adaptaram até mais ou menos o volume 6 do mangá.

Agora saindo um pouco daquele tópico básico de fichamento do mangá e antes de começar a de fato comentar sobre a obra, eu queria citar alguns tópicos específicos que eu vou abordar agora. Bom, eu gosto da obra, apesar dela não ser minha favorita, e eu queria comentar sobre a famosa “saga do trem”, que vai ter adaptação para filme. Com isso gostaria de realizar uma discussão geral sobre os pontos positivos e negativos da obra, fazendo um paralelo e comparação entre anime e mangá, mais no sentido de curiosidade do que de fato aquela coisa que vemos como: ‘Ah, mas você precisa ler o mangá pra entender isso ou ver o anime pra entender aquilo’. O que eu quero é realizar um comparativo simples de forma a esclarecer as diferenças para quem viu só o anime, ou leu só o mangá e está interessado na mídia que ainda não viu. Vamos discutir um pouco sobre a obra.

A história e seus pontos mais importantes

A partir de agora teremos alguns SPOILERS de Kimetsu no Yaiba, tratando incisivamente de pontos marcantes da obra até o fim da “saga do trem” e dos personagens, comentando o desenvolvimento de cada um e o crescimento (ou não) durante a história. Então leia por sua conta e risco. Basicamente desde o início de Kimetsu no Yaiba podemos dividir a história em 5 pontos importantes (até o volume 8 do mangá). Primeiro a morte da família de Tanjiro e a transformação de Nezuko em oni, o que leva Tanjiro a querer fazer parte do esquadrão de caçadores de onis, então temos uma parte dedicada a mostrar os treinamentos do protagonista, a realização do teste de entrada e sua primeira missão. É um início interessante, porque vemos um pouco do esforço do protagonista, de como ele luta e do que precisa realizar pra passar no teste. Algo bem básico pra mostrar o esquema que o anime vai seguir de agora em diante.

Em segundo temos o encontro do grande vilão da obra: Muzan Kibutsuji, o “oni original”. Aquele que possivelmente transformou a irmã do protagonista em oni, sendo o vilão que realiza uma confusão na cidade, transformando um civil aleatório em oni, o que impede Tanjiro de fazer qualquer coisa contra ele. Nessa mesma parte conhecemos dois onis que ajudam Tanjiro em sua jornada de trazer sua irmã de volta à humanidade, visto que os dois estão procurando uma cura para a “maldição” de Muzan, que envia dois subordinados imediatamente ao encontro de Tanjiro. Segundo a mulher oni que decidiu ajudar Tanjiro, pegar o sangue dos onis mais fortes e especiais, os “12 Kizuki”, poderia ajuda-la a achar a cura.

Após isso temos em terceiro momento a luta contra um dos antigos 12 Kizuki, que por ser fraco, perdeu seu posto para outros mais fortes. E também temos o encontro com outros dois protagonistas, Zenitsu e Inosuke.

No quarto momento temos a saga das aranhas, onde de fato há uma luta contra um dos 12 kizuki. Nessa saga há pontos bem interessantes a se comentar, como os protagonistas são fracos. Eles não tem chance nem mesmo contra onis de alto nível, quem dirá um dos 12 Kizuki. Mesmo que Tanjiro consiga uma nova habilidade, só isso não foi suficiente para derrotar um dos 12, necessitando da ajuda de dois Hashiras (pilares do esquadrão, os guerreiros com o mais alto nível de luta e com mais habilidades na luta contra os demônios). Por fim, temos a saga do trem. Portanto, se você só assistiu o anime, não leia esse último ponto: Essa saga mostra como Kimetsu no Yaiba tende a se tornar repetitivo conforme o tempo for passando e uma obra sem muitas inovações. Nada que saia daquele básico do “shounen de porrada com espadinha”. Embora o arco tenha seu peso e a morte do Hashira seja interessante, ele é bem rápido e pouco impactante. O quarteto de protagonistas vão em busca de derrotar um oni dentro de um trem que tem o poder de fazer todos os passageiros dormirem e entrarem num sonho infinito com os desejos e felicidades mais íntimas dos personagens, deixando suas mentes expostas para o vilão, facilitando o processo de realizar uma chacina dentro do trem. O arco tem seus pontos altos, como a família de Tanjiro “revivendo” e muitos pontos baixos, como a resolução das lutas.

Análise e comentários

Kimetsu no Yaiba é um caso interessante pra mim. Eu particularmente não ligo caso a obra seja o clichê “shounen de lutinha”. Existem vários que seguem esse padrão que me agrada, mesmo não sendo objetivamente bons. Em Kimetsu no Yaiba temos algo que eu vejo bastante nas obras mais atuais que é o fator de “Ir direto ao ponto”. Pouca enrolação, falação e poucos discursos desnecessários para o que o anime seja dinâmico (arquitetar e desenvolver confrontos). Acontece bastante em Boku no Hero Academia por exemplo. A ambientação em Kimetsu no Yaiba tende a ter um tom mais pesado, cenários mais escuros e melancólicos, com o objetivo de trazer ao leitor/espectador uma atmosfera mais tensa e amedrontadora. Mas pra ser bem sincero, vejo isso ser executado de uma maneira bem rasa e fraca. Os poderes ou habilidades na obra sempre deixam a desejar. A cada segundo surge um movimento novo inventado, dando a impressão de que a autora pensou isso naquele exato momento em que desenhou. Diversas vezes uma nova respiração surge e que foi inventada por algum hashira que está ali na hora que precisa dele. A autora quando explica no momento em que ela é usada, me deixa uma impressão de que foi literalmente jogado ali porque deu vontade. Contudo, não vejo como um defeito enorme. Quando realmente tratamos da obra como um todo, o contraponto em relação a esse argumento é que são alguma habilidade baseada em lendas e folclores e não de fato poderes. Sendo apenas uma metáfora visual que mescla com fatores físicos além da capacidade humana quando se realiza determinado treino de respiração

Tirando o fato que você nunca sabe a real diferença entre os estilos, o enredo da obra é muito superficial. As sagas passam muito rápido com o desenvolvimento dos personagens bem simplórios. Pouco a autora se preocupa com o texto relacionado a expandir o psicológico, personalidades e anseios de cada um. Todos são estereótipos e afeta muito a experiência, tirando o peso das cenas e do enredo. Pouco importa se algum personagem acabar morrendo ou tenha alguma consequência forte, porque eles pouco crescem. Não acompanhamos a dor, sofrimento e dificuldades enquanto elas ocorrem, mas apenas vemos a autora escrever coisas como “Eles treinaram muito”. Na hora da luta você vê o quanto duas linhas de desenvolvimento repercutiram na derrota do oni que antes podia ser um baita problema a ser desenvolvido. A superficialidade não se trata apenas dos personagens, mas no decorrer da história os acontecimentos se mostram escritos da maneira mais fácil possível. Oni fortão que não dá pra ganhar. Se isso acontece, chega algum Hashira quando eles se machucam e pronto, final feliz (algo mais relacionado ao mangá que irei comentar em seguida). Ou caso vençam, desenvolveu alguma habilidade super legal e o controle dela fez ganhar a luta. Pouco se constrói uma atmosfera em volta disso e apenas jogam algumas citações. É assim que as coisas funcionam. Até o fim da saga do trem, a melhor luta foi a das aranhas, visto que essa demora um pouco mais. No geral, derrotar os onis sempre se torna algo muito monótono e simples. Exatamente esse o problema que aconteceu na saga do trem. Dou um destaque para o final um pouco inesperado que deu um pouco de peso pra esse arco.

Comparação entre anime e mangá

Agora comentando o mangá, além de ser uma mídia inferior ao anime, é uma obra que beira o medíocre. Eu não acho de todo ruim. Eu gosto de alguns personagens, a ambientação é legal e interessante, mas o maior problema é justamente que o mangá peca em dois aspectos muito importantes: o desenho/traço e o texto. Tudo que a autora apresenta, como dito antes, aparenta ser jogado e pensado de última hora. O traço puramente falando não é um problema. Só que a autora simplesmente joga um monte de riscos e chama isso de “construção de cena”. Quando um personagem faz três movimentos distintos, a autora só rabisca e chama aquilo de movimento. Um exemplo é aquela cena em que um oni joga setas no Tanjiro e ele realiza movimentos rápidos pra não se machucar. No mangá, ela simplesmente faz uns “vultos” rabiscados e deixa aquilo ali daquele jeito mesmo.

O timing das piadas é péssimo na maioria das vezes. E quando se trata de alguma explicação, ao invés dela contextualizar o leitor, a autora simplesmente joga a explicação no meio da cena, o que dá a impressão de “Esqueci de explicar tal coisa e preciso voltar ali para escrever onde tem espaço no quadrinho”. Durante os treinamentos ela cita coisas como “Ele fez isso por três meses”. Sempre tem uma passagem de tempo grande quando se trata de algo que precisa desenvolver mais pontualmente. Tira toda a graça, todo o peso e todo o impacto que algo poderia ter. Nada parece difícil ou complicado. Simplesmente escrever que se passaram várias semanas que o personagem está fazendo aquilo não dá a sensação de que ele se esforçou, porque ele melhora de um quadrinho pro outro, com uma simples linha de texto. Quanto ao anime, alguns problemas obviamente se repetem: o texto é fraco, o desenvolvimento é nulo e tudo continua sendo básico demais.

Entretanto, o anime melhora e MUITO a experiência de se acompanhar a obra. Podemos dizer que a direção e a animação fazem milagre. As cenas que eu citei no mangá como “rabiscos”, tornam-se fluidas e emocionantes. Você sente o personagem se machucando, a dificuldade em se realizar os movimentos e em vez de ser algo que acontece em 1 segundo, aumenta bastante o tempo da cena. O oni que eu disse há pouco, por exemplo, tem uma animação excepcional. Tanjiro realiza o movimento, então a seta joga ele pra outro lado, então realiza outro movimento, deixando o momento muito mais impactante, com a situação mais palpável e menos boba. Dá uma certa aflição ali. A direção torna a obra melhor de se consumir. Os treinamentos, movimentações, explicações e lutas se tornam mais naturais, mais demorados e esses segundos realmente fazem uma boa diferença. O timing das piadas e a forma como elas ocorrem se torna muito melhor na adaptação e por se tratar de um trabalho incrível de animação, as cenas cruciais envolvendo lutas, adquirem um peso consideravelmente maior. Outro exemplo é a incrível cena do Tanjiro utilizando a respiração do deus do fogo no anime que possui uma trilha sonora, animação e direção incríveis, aderindo mais dificuldade, mais tensão, mais emoção. No mangá, com poucas páginas isso passa de maneira monótona e forçada.

Considerações finais

O mangá e o anime contam exatamente a mesma coisa, mas além de uma animação excelente, a direção também torna a adaptação uma experiência exorbitantemente melhor do que no mangá. De fato podemos dizer que isso é apenas um detalhe, afinal o enredo, construção de mundo, de habilidades e crescimento dos personagens continua sendo parte da escrita da autora, que é muito boba e básica. O anime não muda a história de Kimetsu no Yaiba. A produção empenhada e incrível do anime torna a obra mais palpável. As cenas ficam mais impactantes, mas não muda o fato da simplicidade do texto de tornar Kimetsu no Yaiba fraco quando se trata de algo mais elaborado. Portanto é como se o mangá fosse puramente um roteiro para que se faça um anime com qualidades dignas de ressalvas Por essa razão, eu estou bem animado pro filme, que além de aparentar continuar com a magnífica produção, conseguirá transformar uma saga tão sem graça em algo minimamente interessante (Sim, a saga do trem pra mim é uma das piores, possivelmente até agora).

Bom, se você leu até aqui, muito obrigado por essa atenção e espero que tenha gostado dos pontos que eu quis ressaltar e apontar aqui no texto. Eu gosto da obra de uma maneira geral, mas não significa que eu não enxergue uma quantidade elevada de defeitos que me irritam profundamente e danificam minha experiência. No mais, agradeço e espero que isso tenha sido interessante, legal em algo sentindo e que também possa agregar mais à discussão saudável sobre essa e outras obras mais futuramente. Até mais!

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