Review de Goblin Slayer: Goblin’s Crown

O retorno do caçador de Goblin para glorificação e banalização do estupro.

SINOPSE: Goblin Slayer aceita a missão de resgatar uma cavaleira que foi em missão a pedidos de seus pais… e… ele consegue resgatar… acabou. (Simples ao extremo igual ao roteiro).

Antes de sair destilando o meu ódio por essa obra, eu quero deixar uma thread no Twitter que CAIU COMO UMA LUVA PARA HOJE (link para ela aqui) que exemplifica a minha opinião dessa banalização da violência sexual que o anime do Goblin Slayer faz em seu roteiro. Além de lerem a thread, vejam todas as referências da autora desses tweets (leiam os textos e assistam os vídeos) porque dá uma boa ótica do assunto e de como a arte pode fortalecer certas visões deturpadas da nossa sociedade.

Até para tirar a carroça da estrada, eu vou começar pelo mais obvio que é o USO EXCESSIVO DO ESTUPRO como recurso narrativo. É trabalho de preguiçoso e não existe função para aquele tipo de representação violenta seja trabalhado de forma decente, além de enaltecer a presença masculina do nosso protagonista como a única figura heroica. E como eu fiz com a minha review do livro do youtuber Marco (link aqui), vou deixar três perguntas simples que semelhante ao Teste de Bechdel, verifica se o estupro inserido no roteiro está banalizando/sexualizando a vítima na história:

1 – O estupro ocorre do ponto de vista da vítima?
2 – Essa cena de estupro, ela possui proposito de desenvolvimento da personagem em vez da trama ou narrativa?
3 – O abalo emocional da vítima é desenvolvido depois?

É um teste muito simples, pois aponta possíveis deslizes de autores em retratar as suas personagens femininas e mostra caminhos que devem ser evitados até para não normalizar esse tipo de ideia que para chocar o público, basta utilizar a violência sexual como artificio qualquer. No caso do Goblin Slayer, o negócio FICA CRÍTICO. Todas as perguntas acima entram em negação quando pensamos do que o anime quer contar. Esqueça em desenvolver as personagens femininas que serão vítimas, esqueça oferecer coesão e lógica para os acontecimentos, e esqueça dar peso correto para essas cenas violentas. Elas estão ali SOMENTE PARA CHOCAR E PUNHETA DOS OTAKUS. SÓ. Não existe um trabalho em cima dessas questões, como ainda é glorificado, passando a imagem de que HOMEM DE VERDADE É AQUELE QUE SALVA DONZELAS EM PERIGO. É MUITO IMBECIL.

Já tive diversas discussões com amigos sobre GS e mesmo aqueles que curtiram a primeira temporada na época, acha TOO MUCH várias cenas. É aquilo, se você substituir os estupros por qualquer outro tipo de violência (Por exemplo os Goblins podem ser predadores de humanos em que para subir de nível, precisa comer a nossa carne, assim dando perigo REAL NÃO SÓ PARA AS PERSONAGENS FEMININAS, COMO PARA OS HOMENS NA HISTÓRIA), e ainda mantivesse O MESMO IMPACTO E MEDO NOS ESPECTADORES, significa que os estupros estão ali PARA NADA. Sempre tem um para dizer: “MAS OS GOBLINS NOS JOGOS DE RPG SÃO ASSIM E PROCRIAM DESSA FORMA E BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ.”. Eu não sei que tipos de jogos vocês estão consumindo (inclusive, recomendo a pararem de ver hentais porque estão afetando vocês que defendem essa merda), porém os primeiros jogos como os primeiros livros baseados em D&D não tem nada dessa porra de Goblins precisarem de humanas para procriarem (e eu li todos os livros, então eu tenho certeza do que estou falando). Não viajem e não falem bobagem por aí, porque vocês só estão sendo doentes em defender sua punheta/perversão.

Agora falando do filme em si, QUAL ERA O OBJETIVO DESSE ROTEIRO? Tipo, até agora, mesmo conversando com diversas pessoas que viram esse filme, todos não sabem responder qual foi a mensagem ou a finalidade de termos mais de 60 minutos de um protagonista estoico matando Goblins por aí. Senti vendo um episódio estendido do anime, com mais goblins morrendo apenas. Serviu para desenvolver algum personagem? NÃO. Progrediu com a saga do nosso protagonista em descobrir de como matar todos os Goblins pelo mundo? NÃO. Apresentou algum LORE ou novidade que impactasse DIRETAMENTE a personalidade do elenco principal? NÃO. O que eles fizeram, alteraram de forma RELEVANTE aquele contexto em que estão inseridos? Não, foi apenas UMA MISSÃO QUALQUER. Então, POR QUE CARALHOS ESSE FILME EXISTE??? ELE NÃO SERVIU PARA NADA. COMEÇOU DE LUGAR NENHUM E TERMINOU NO VAZIO. NÃO HÁ PROGRESSÃO NARRATIVA, NÃO HÁ EVOLUÇÃO NOS PERSONAGENS OU EM SEUS RELACIONAMENTOS. NADA ACONTECE AQUI (tirando umas cenas de estupros ali, umas gurias peladas tomando banho, goblins sendo mortos, mais mulheres sendo violentadas, mais goblins morrendo, a Cavaleira com trauma e flashbacks dela de quatro com closes sugestivos, mais goblins morrendo, Goblin Cavaleiro, avalanche, todo mundo bebendo/comemorando e termina o filme). Essa história é UM ENORME VAZIO. POR QUE ELES ACEITARAM A MISSÃO? POR QUE AS PERSONAGENS FEMININAS ESTÃO FAZENDO PIADAS COM PEITO, SENDO QUE CORREM PERIGO? POR QUE O PRIMEIRO GRUPO ESTAVA LÁ? QUEM SÃO ELES? A CAVALEIRA RESGATADA TINHA PAIS E ERA NOBRE? QUEM SÃO OS OUTROS QUE MORRERAM? O PESSOAL TAMBÉM NÃO TEM NOMES, IGUAL A PARTY PRINCIPAL? POR QUE CARALHOS ELES ESTÃO LUTANDO COM AQUELE GOBLIN MAIS FORTE? QUALÉ DAQUELE VILAREJO? E O QUE ACONTECEU COM O PESSOAL QUE MORA LÁ DEPOIS DA AVALANCHE? E AÍ??? CARALHO MALUCO, NÃO É POSSÍVEL QUE O ROTEIRISTA NÃO SE PERGUNTOU O PORQUÊ DE ESTAREM ADAPTANDO ESSE ARCO PARA UM FILME. Normalmente em um longa, se espera que esteja sendo contado algo e que nos é mostrado na tela. Entretanto, aparentemente a equipe de produção nem tentou ao menos dar alguma profundidade para o enredo, resultando em uma obra cinematográfica simplista, até demais.

Quanto na parte técnica, a animação não faz feio, porém está longe de ser considerado bom. É muito oscilante, TENDO ATÉ ERROS DE CONTINUÍSMO ENTRE AS TRANSIÇÕES DE CENAS ABSURDOS. Tirando algumas cenas de lutas especificas, o visual não chama a atenção. E ainda aquela paleta de cores acinzentada, deixa todo o anime com um ar apático em uma obra que explora muito as cores vivas como vermelho do sangue e amarelo das tochas/luzes predominantes nos enquadramentos aplicados aqui. A direção é só operante, sem nenhum destaque, como a fotografia não evoca nada além de plano e contraplano durante toda 1 hora desse “episódio”. A trilha sonora até tenta, porém como o resto do conjunto não acompanha, ela acaba ficando deslocada com o que está sendo mostrado na sua musicalidade e ritmo (não fica claro se quer ser épico ou sério ou engraçado ou calmo). Ainda tem a parada que da 1 hora e 25 minutos que tem o filme, os 25 minutos iniciais é RECAP da temporada anterior, só tendo 2/3 como material original. Muito pouco para considerar isso como filme e não um OVA.

Mesmo sendo apenas uma hora, vale a pena?

Se você tiver saco, for maluco e ainda sim ter a certeza que será um tempo perdido, pode assistir. Agora se você não é masoquista, não gostou da primeira temporada e ficou ofendido com os exageros e a banalização da violência feminina, falo com toda a certeza que o filme só irá reforçar o teu pensamento, não sendo necessário você assistir GS nessa nova adaptação.

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