Review de Valkyria Chronicles 4 (PC)

Jogaram no seguro e retornaram com a gameplay de sucesso da franquia.

SINOPSE: Agora estamos no front da Federação e acompanhamos o esquadrão E em diversas missões atrás das linhas inimigas, enquanto tentam desmantelar um plano de criação de crianças para serem armas de destruição em massa, as temíveis VALKYRIAS.

Pela primeira vez no blog, estarei fazendo reviews de jogos por aqui. Não será rotineiro, já que não me considero um “gamer freak”, e jogo mais na intenção de me divertir do que platinar ou levar como trabalho, que virou uma tendência nos últimos anos em plataformas de Streaming com Youtube e Twitch. E estou falando justamente de um quarto título de uma franquia que nasceu na geração do PS3 e XBOX360. Até curto um joguinho de estratégia para passar o tempo. Não joguei muitos títulos do gênero, porém quando alguma gameplay me prende, difícil eu parar até não zerar toda a campanha ou as fases presentes no jogo. E no melhor estilo XCOM, Valkyria Chronicles está aí para trazer mais uma pegada de “anime” para os games desse estilo.

Depois de uma tentativa meio que fracassada de fugir da fórmula com Valkyria Revolution, voltamos as origens com o retorno para a linha principal da franquia. Podem ficar tranquilos se quiserem começar no quarto título. As campanhas de todos os games da franquia são independentes. Então podem consumir sem a necessidade de ter conhecimento prévio dos primeiros jogos. Você pode ficar perdido por causa de uma DLC em específico que faz ligação direta com a trama do primeiro ao quarto game, porém são considerados SIDE QUESTS e não atrapalham na experiência durante a campanha principal.

Mesmo sendo jogos semelhantes de diversas maneiras, preciso comentar rapidamente alguns pontos sobre o primeiro game, até para explicar um pouco de sua jogabilidade e fazer uma comparação direta das mudanças, melhorias, acertos e erros do novo jogo com o precursor. Primeiro de tudo, Valkyria Chronicles é uma franquia fácil para jogadores novatos dentro desse estilo de gameplay de estratégia. Esqueçam porcentagens ou informações entupidas de estatísticas. Tudo é muito visual e intuitivo. Se as classes dos personagens apresentam um atributo de probabilidade de acertar um tiro, são inseridos um sistema de mira condizente com o fato. Se o personagem, junto com sua arma, resultar em uma precisão rank “D” por exemplo, no retículo da mira aparece uma bola pontilhada, mostrando aonde as balas podem passar nos disparos. Então o jogador já tem a dimensão e avaliar se vale a pena atirar em longas distâncias com personagens que tem uma pontaria baixa. Com essa simplificação, o jogador usa a “intuição” do que projeção das possibilidades quando planeja suas jogadas. O lado ruim é o sentimento de injustiça quando um movimento de alguém do seu esquadrão não sai como planejado. Como são omitidas informações mais precisas sobre a porcentagem de acerto, quando o inimigo sobrevive, sendo que você está crendo que iria mata-lo a 2 metros dele, é de deixar os jogadores mais hardcores putaços com a aleatoriedade de não saber o que foi feito de errado.

O que também puxa um outro problema que é a dificuldade do jogo. Não sei se foi intencional ou fizeram de tal forma para chamar os jogadores mais casuais, mas os inimigos apresentam uma dificuldade muito fácil e pouco incisiva ao objetivo de derrotar o jogador. Exceto em uma fase em especifico, todas as demais missões do modo campanha desse jogo, quando chega a vez do computador fazer seus movimentos, não se tem um padrão de ataque ou de impedir os meus avanços durante o mapa. Chega ao ponto de eu colocar unidades perto de uns grupos de inimigos, dando abertura para o ataque e a IA passar a vez como se não tivesse outra possibilidade além de recuar. Boa parte dos objetivos inimigos é dominar a minha base. Porém, como NENHUM SOLDADO do império vai até o meu “ponto de controle”, gastando pontos de movimentos andando em círculo em uma pequena área, chega em um momento do jogo que a estratégia mais eficaz para conseguir o Rank A nas missões é você partir para o ataque sem nem prestar atenção na defesa e avançar feito louco para completar o objetivo. O game te premia por ser “descuidado” e rápido. E isso já vem do primeiro game essa modalidade de premiar jogadores que terminam o mais rápido possível a missão. Só que no original, os inimigos partiam para cima também, fazendo assim que os teus movimentos sejam mais pensados e que a defesa ainda é necessária para ter sucesso de conseguir uma boa pontuação. Logo, acaba ficando mais equilibrado o desafio para o jogador. No Valkyria Chronicles 4, a preocupação de falhar na missão não existia e eu só queria alcançar o rank A. Como não sou um jogador que tem esse perfil de atacar sem parar, eu era punido de ter que repetir a missão porque justamente não conseguia o rank A pela limitação de movimentos que colocavam para atingir essa classificação máxima. Nesse meu caso, até não considero um defeito e sim divergências de propostas e execução em não valorizar a estratégia que tentei fazer enquanto jogava. Podiam avaliar outros quesitos além da rapidez para ranquear a performance.

Agora o que posso dizer que foi muito do meu desagrado é a história. E por incrível que pareça, a narrativa no quarto game da franquia é muito mais complexa, com mais reviravoltas e personagens melhores desenvolvidos/carismáticos em comparação ao primeiro game. Até porque se deve ao fato que a duração da gameplay do quarto título ser o quase o triplo do game original. São dezenas e dezenas de horas de um enredo aos moldes de uma Visual Novel/Mangá, no melhor estilo oriente de contar uma história. Mas então porque eu não gostei? Por justamente o enredo ser muito PARA OTAKU. Explico a minha afirmação. Pode parecer incoerente, mas entendam que apesar do primeiro jogo também ter umas paradas destinadas para os fãs dos animes como atuação dos dubladores, diálogos e personagens estereotipados com uma história que remete a animes, ainda assim ele tentava deixar a trama mais ocidental, já que se passa em uma Europa fictícia (Todos os eventos da franquia são baseados na Primeira e Segunda Guerra Mundial da nossa realidade). Então existia um peso mais dramático (mesmo que exagerado) a determinados momentos chaves do roteiro, até por causa da correlação e identificação com o nosso contexto histórico. Só que em Valkyria Chronicles 4, não posso dizer que houve esse preciosismo. Em muitos momentos, mais parecia um anime colegial do que um jogo que se passa em um período de conflitos de proporções continentais. Teve episódio de praia maluco. EPISÓDIO DE PRAIA DURANTE UMA GUERRA (MISSÕES NA PRAIA, EU DIGO). E ainda tinha a possibilidade de colocar as personagens para lutarem de biquínis durante toda a campanha. Parecia que estava jogando Dead or Alive pelo fanservice gratuito em um contexto nada a ver. Também teve piadas machistas, tsunderes para todo lado, comédia romântica após personagens morrerem, fetiches por lolis…os desenvolvedores praticamente “ORIENTALIZARAM” a história. Não vejo problemas ter óticas diferentes na retratação de outras etnias ou povos. Porém, no momento que esse ato é feito EXCLUSIVAMENTE PARA AGRADAR OS PUNHETEIROS, COMEÇA A DEIXAR AS COISAS BEM COMPLICADAS. Eu tranquilamente diria que Valkyria Chronicles 4 é a melhor história da franquia. Porém, por decisões “questionáveis”, tiraram o brilho de um aspecto que estava indo muito bem, obrigado.

Tirando a história com seus altos e baixos, o looping da gameplay continua bem gostoso de jogar. Nesse quarto game, houveram muitas melhorias em comparação ao primeiro, como por exemplo um aprimoramento na personalização dos status dos personagens, coisa que era bem limitada no título original. Dá uma diversificação maior entre os soldados da mesma classe, além de seus POTENCIAIS (que são skills passivas, ativadas dada a uma circunstância específica). Pode dá mais defesa para um Scout ou mais vida para um Sniper a partir de itens, dando uma variedade ao leque aos soldados escolhidos para cada missão. Outra coisa que foi um excelente acréscimo é a classe Granadeira. Eu ainda acho ridículo um Lancer não atacar quando um inimigo passa na frente dos personagens dessa classe. Ainda bem que adicionaram uma outra classe que dá dano em área e que ataca a qualquer movimento próximo a sua posição. E dão uma dificuldade maior para estratégia em como invadir uma base inimiga, em como esquivar ou matar os Granadeiros adversários recuados. Já que a dificuldade dos bots é baixa, outros fatores deram algum dinamismo para a jogatina. Outra parada do meu agrado foi que os Snipers também reagem aos inimigos durante seus movimentos. No primeiro jogo, você podia passar a centímetros de soldados dessa classe, que nada acontecia. Mudou para aqui, sendo a classe que dá mais danos a longas distancias durante a vez inimiga em contra-ataques. As ORDERS passaram a ser mais essenciais, coisa que era muito inútil no primeiro game. Além claro, das excelentes adições de Comandos Superiores, o Tank de locomoção de tropas e a possibilidade de usar a embarcação marítima de ataque para servir como suporte. Mais variabilidade na gameplay para organizar seus movimentos e facilitar a conseguir suas vitórias durante as missões.

Como também era esperado, houve um refinamento na parte de evolução dos níveis das classes. Agora você precisa jogar apenas uma vez a campanha para chegar nos níveis máximos de todos os personagens jogáveis, sem a necessidade de grind ou rejogar a história para upar os bonecos. Ainda é necessário fazer missões secundárias e das DLCs, mas não há a necessidade de repetir as fases que dão mais XP para facilitar na reta final. E falando do final, achei uma droga ter que repetir a última fase duas vezes para conseguir o true end. Qual foi a lógica de ter que liberar umas cutscenes ocultas em uma loja de pontos depois de ‘virar’ uma vez a história, ver duas cenas extras e repetir a mesma fase que você já passou há minutos atrás para um final mais completo? É contraproducente, sendo que se eu não tinha a possibilidade de atingir o final verdadeiro na primeira jogatina. Pelo menos me faça eu jogar algum desafio diferente do que repetir apenas a fase final, fazer os mesmos movimentos (mesmo que precise ganhar no “HARD”, se repetir a mesma estratégia, ainda vai funcionar), rever a mesma ending, ver os mesmos créditos, ver novamente a cutscene da igreja, para SÓ TER UM MINUTO DE CONTEÚDO INÉDITO, FOI DE FUDER. E para quem está ligado, dependendo da sua estratégia em cada fase, sem pular os diálogos, uma missão do modo campanha vai fácil de uma hora a duas de gameplay. APENAS UMA MISSÃO. Então repetir a mesma parada significa horas perdidas, gerando uma frustração e ódio por estar fazendo de novo algo que foi recentemente concluído.

Falando mais do elenco, as personagens femininas se destacam, tanto no bom quanto no mal sentido. Os personagens masculinos são mais objetivos e funcionais. Todo o peso dramático quanto as motivações são iniciadas pelas mulheres. A Minerva perder seu esquadrão, a preocupação da Kai com o irmão ou a Riley que perdeu os pais graças as pesquisas realizadas com ragnite e Valkyrias, são os motivos que propulsionam as ações dos demais, além de claro, sobreviver no território inimigo. E a Kai foi a personagem que mais se destacou para mim nesse quesito. Junto com Alicia do primeiro game, a Kai (ou Leena) são as personagens que mais gosto da franquia graças a construção das personagens conforme o enredo vai passando. Só que como eu citei mais acima, esse quarto título recorre muito ao apelo de agradar o otaku, coisa que ODIEI. Vai desde de sexualização feminina gratuita, até diálogos vergonha alheia total. A roupa da Kai, que é a única sniper que veste roupa colada, não condiz com um campo de batalha (não que uma saia também seja racional de se usar também como é o caso da Minerva). As piadas de bunda, os momentos cômicos depois de uma cena tensa ou durante alguma luta com uma guria reagindo a um comentário machista de forma estereotipada…são pequenas coisas que foram ‘minando’ minha empolgação e o que seria o melhor jogo da série, passou para algo a merecer menos elogios, ficando empatado com primeiro jogo, mesmo o antigo tendo suas limitações.

Falando mais especificamente das questões técnicas, uma coisa que posso citar é a pouca evolução gráfica do primeiro para o quarto game. É perceptível algumas melhorias, porém são detalhes. De forma geral, o game melhorou quase nada em animações e aspectos visuais. As simplicidades dos terrenos “lisos”, com variações de ambientes limitados a uma fórmula, ainda fazem parte da parte gráfica do título recente. Outro detalhe que não teve mudanças foi a trilha sonora. Ela remete muito ao primeiro game, passando a impressão de mais do mesmo ou de genérico por ser muito derivado. É eficiente, porém para um game dessa geração, era esperado algum avanço nesses segmentos.

Bugs eu encontrei alguns, principalmente graficamente com personagens de cabelos longos. Objetos que atravessam, poping e erros na física do game, IAs desligando, sincronização labial dos dubladores com a animação ruim, freezing em transições de cenas nas cutscenes com o personagem parado esperando o evento disparar ou dialogo acabar…entre outras paradas. Na maioria das vezes, não foram problemas graves durante as minhas 70 horas jogando. No entanto, esses deslizes são bem notáveis até mesmo para jogadores que não ligam para essas situações. Eu ainda acredito que é terrível essa questão para um porte do game para PC, por já ter passado por uma revisão para ter virado um COMPLETE EDITION e ainda apresentar esses erros na programação do título. E ainda teve um bug que congelou o meu game duas vezes, necessitando fechar e abrir o executável novamente. Era uma condição MUITO ESPECÍFICA, mas que atrapalhou toda a minha estratégia de ataque, fazendo com mudasse toda a minha ideia para cumprir aquela missão. Então a dica que dou é: Tome cuidado em usar a classe Granadeira na fase do “SACRIFICIO”. Existe a possibilidade de você ter que recomeçar múltiplas vezes essa fase pelo jogo parar de funcionar.

Conclusão

Valkyria Chronicles 4 é um baita jogo para quem é fã de um jogo de estratégia, com seu estilo mais dinâmico e simplificado na sua gameplay. Temos uma boa opção de escolha para quem quer passar dezenas de horas jogando uma “VN de combate em turnos”. Particularmente, achei algumas coisas idiotas em sua narrativa e a tentativa de chamar atenção do público otaku muito ostensiva. Mesmo reclamando desses pontos, ainda é um bom jogo e recomendo para quem curte esse gênero.

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