Review de Mugen no Juunin: Immortal (Blade of the Immortal)

Um anime com tema histórico, confuso e perdido no que quer contar.

SINOPSE: Rin perde sua família após um ataque de um clã, e agora, determinada a se vingar desses membros desse grupo, decidi pedir ajudar para um espadachim solitário, que possui uma habilidade única: Regeneração das células em um micro período de tempo. Graças a esse “poder”, Majin ganha o apelido de Guerreiro Imortal.

Um bom anime de luta para dormir

Não sou fã de animes que mostram períodos antigos do Japão. Nunca tive interesse em assistir como era a vida antiga daquele país em períodos mais conturbados, como a época dos samurais ou do imperialismo/militarismo nipônico. E meus conhecimentos são bem pacos, tendo até a possibilidade de se alguém perguntar quem foi Oda Nobunaga para mim, iria responder que foi “uma loira, baixinha e peituda, que dominou todas as províncias japonesas em um período de unificação no século XVI” xP. Como só sei o que assisti em animes e filmes, logo não posso dizer que se a retratação histórica condiz com o que foi a nossa realidade. Então, se tiver referências históricas na adaptação, com certeza não peguei e passou despercebido por mim. A minha review basicamente se focará no anime de forma isolada, sem considerar outras possíveis ligações que a adaptação fez durante a sua exibição. Também esqueçam da primeira versão que foi no ar há mais de 10 anos atrás. Como não assisti o primeiro anime, não irá rolar comparações de qual versão melhor adapta o mangá, ou outras questões que poderiam ser feitas nesses comparativos. E como também não li o original, o meu texto será restrito para a versão animada mais recente. Dito isso…

O anime do Mugen não me prendeu de jeito nenhum. A começar pela forma de contar a história imposta pelo diretor. Juro que não entendi o motivo que levaram a equipe de produção a adotar uma narrativa toda fúnebre, espaçada e estoica. Tentam passar um clima pessimista, do quão degradante aquela época passava de incertas e inseguranças sobre estabilidade política com guerras internas constantes. Entendo que eles tentam aprofundar essas situações ao colocar toda uma paleta de cores mais acidentada com um filtro esbranquiçado, remetendo a dúvidas e imprecisão de valores da época com a justiça empregada pelos guerreiros. Porém, esse aspecto se vira contra a própria produção para transmitir essa ideia. Como a todo momento temos esse clima empregado (contemplativo/negativo), todos os demais momentos são cagados pela dissonância de tom com o roteiro. O anime tem cenas cômicas, sérias, escrachadas, bizarras, de suspense com pitadas de terror e gore, de ação, de aventura, filosófica… tem todo um leque de contextos que foram empregados daquela forma, que tornaram desinteressantes todos esses segmentos mostrados. Como você vai rir de uma piada se o anime está em uma “marcha” toda melancolia? Como você vai se emocionar com a morte de um personagem, se a direção faz da cena uma parada fria e distante? Como você vai se identificar com alguém do elenco se tiramos o fator humano da situação (o lado emocional mais precisamente)? Não estou dizendo que um clima mais pessimista não funciona, porque estaria afirmando que Cyberpunk seria um gênero fadado ao fracasso. Entretanto, quando você tem um roteiro que permeia tantos gêneros e ritmos diversos, é horrível adotar apenas um estilo único para essa adaptação. Não curti essas decisões que o diretor fez com o anime.

Beleza, morreu mais um…e daí!?

Uma outra parada que detestei foi o enredo. Aí não sei se vem do original ou se foi culpa da adaptação, porém que história confusa do caralho. E tipo, quando chegou mais perto do final e decidem explicar a trama decentemente, comecei a perguntar por que raios montaram os eventos do roteiro daquela forma desconjuntada e nada contínua. Diversas vezes, entre os episódios, eu sempre tinha a impressão de ter pulado ou dormido em alguma parte porque tudo acontecia de forma abrupta, deixando lacunas na continuidade das cenas. Esses “saltos” temporais nada claros, só deixavam as coisas mais difíceis de entender. Custei para compreender qual o objetivo de cada clã/família tinha e como influenciava na trama para explicar as ações de cada personagem no anime. Até mais da metade da temporada, a única coisa que eu sabia que a Rin queria matar algumas pessoas e o Majin está a protegendo de ataques e perigos da época. Estava acontecendo uma porrada de coisas, no entanto não souberam expor de forma clara essas ligações e relações da dupla de protagonistas com os eventos que aconteciam paralelamente.

Falando nos personagens, o elenco todo não é ruim. De certa forma, são desenvolvidos minimamente e cada um tem seu destaque de determinados momentos. A Rin é uma excelente protagonista. Mesmo em momentos de escolhas erradas, fragilidade e indecisões, sua personalidade forte é um dos pontos altos do anime. Os momentos mais emocionais, tem ela envolvida de alguma forma. Já o Majin é o típico lobo solitário que ajuda uma jovem moça durante sua longa jornada. Nada muito de envolvente em sua personalidade. O problema realmente é o roteiro que não sabe lidar com o elenco e fica perdido em qual foco tomar quase todo tempo. Nem toda a parte escrachada, cheias de exageros quando acontece as lutas, com suas “fatiações” espalhafatosas, foi do meu agrado. Com certeza, o anime seria beneficiado se tivessem tomados outras decisões narrativas.

Nas questões mais técnicas, não há muito o que comentar além do que já escrevi. A animação é mediana com alguns deslizes em consistência. Os dubladores são bons, mas a direção e a edição estão perdidas, refletindo diretamente na qualidade da adaptação. Eles até tentam fazer uma parada diferente em alguns momentos isolados como as experiências do Doutor e na luta final. Entretanto, fica impossível de se importar já que todo o resto não ajuda. A trilha sonora é ausente, porém é de forma proposital. Não gosto dessa escolha, mas alguns momentos mais tranquilos, com barulhos ambiente, dão um certo charme em certos momentos do anime.

Conclusão

Mugen no Juunin entra no hall dos animes que vão esquecidos daqui mais algumas semanas. Com sua proposta e execução destoantes, resultaram uma adaptação sem foco e sem noção do que queria mostrar ao espectador. A história não é ruim, mas odiei como a narrativa foi montada. Definitivamente, essa nova versão de Blade The Immortal não consigo recomendar para ninguém que curta uma boa história sendo contada.

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