ARTE #6 e #7 – Impressões semanais

ARTE começa a me decepcionar.

Para os leitores regulares das postagens sobre “ARTE”, eu comentei na postagem passada sobre o anime, e prometi que tentaria manter as postagens sobre o anime mais regulares, MAS ao assistir o sexto episódio, eu fiquei pensando, pensando, e percebi que não teria muito o que comentar sobre ele. Então eu achei melhor esperar pelo episódio dessa semana. Quem leu, viu que eu falei dos episódios 3 à 5 em forma de tópicos, porque os assuntos abordados são bem pontuais. Juntando dois episódios eu consigo ter um volume maior para comentar. Logo, as postagens sobre o anime devem ocorrer à cada dois episódios. O próximo post deve sair daqui duas semanas comentando os episódios #8 e #9. Dado o recado, vamos falar desses dois episódios que sendo bem sincero, foram bem decepcionantes.


Esses episódios, de forma geral, foram bem qualquer coisa. Por alguns motivos diferentes, mas eu diria que ambos tem em comum, é que ARTE até o episódio 5 apresentou um ritmo para contar sua história e nesses últimos episódios, essa cadência mudou. Até o episódio 5, o anime apresentava um problema e levava seu tempo para desenvolver e chegar a uma solução. Ele estava seguindo e se saindo muito bem nisso. Porém, nesses dois episódios, o anime parece ter se apressado para chegar nessas resoluções. Não sei se é assim no original, mas aqui me parece que eles precisaram compactar informação para encaixar direitinho no formato dos episódios. Tanto é que uma personagem que sequer havia sido mencionada (não que eu me lembre) apareceu no sexto episódio e a Arte já era amiga. Meio que uma tutora da garota. Eu só fiquei pensando o que estava acontecendo ali. Mas vamos falar ponto por ponto, episódio por episódio.

Apesar de ARTE trabalhar de forma bem otimista sobre a Renascença e não se prender tanto a realidade (não vejam isso de forma negativa), a obra traz algumas informações bem interessantes sobre o período. No quinto episódio da animação, o que foi passado é que pessoas da mesma guilda tem que se ajudar monetariamente para alguma eventualidade, como foi no caso, financiar o enterro do artesão. Deve ser estranho isso né? Pensar que você tem a obrigação de ajudar alguém que as vezes você nunca teve contato ou até te destratou ou não te ajudou anteriormente… A sociedade daquela época tinham e têm coisas muito estranhas…

O foco principal do quinto episódio foi a pintura de um salão (?) e apesar de ARTE trazer detalhes novos, a trama em si começa a me parecer um tanto repetitiva. Nesse episódio nós temos basicamente a mesma questão que vemos em anteriores. Temos homens ridículos duvidando da capacidade dela por ela ser uma mulher e vai provar de que é tão capaz quanto os homens (que ela não prova que é tão capaz, e sim ser melhor que eles!). Não que isso seja ruim, mas lá no começo nos apresentavam ideias diferentes. Por exemplo lá no começo, a Arte abandona o que a sociedade vê como símbolo da feminilidade, corta os longos cabelos e até ameaça arrancar os seios para “deixar de ser mulher”. Esse tipo de temática vem sendo abordada, embora ainda apareçam coisas muito interessantes, como a Verônica falando da paixão e de como levaria a Arte a ruína. Mas essas coisas “menores” (no sentido de serem coisas rápidas e não o foco do episódio) estão mais perdidas na trama. Eu sinto falta disso. Mas o anime trouxe algo interessante no sétimo episódio (comentarei logo mais) e como o anime vai trocar de foco nos próximos. Então eu vejo a possibilidade dessas questões voltarem a ser discutidas.

Outra coisa que não gostei e que reforça a minha ideia de que o anime está tendo que cortar material para caber o “caso” dentro de um único episódio, é que o Leo pergunta se a Arte sabe pintar afrescos e ela diz que sabe em objetos menores. Mas o ponto negativo é que ela tenta fazer a técnica em um pedaço da parede e não consegue. O Leo começa um treinamento com ela só que nós não vemos protagonista fazendo esse treino. Os dez dias são completamente pulados, coisa que não aconteceu no terceiro episódio quando ela foi desenhar o rio para servir de cenário para um quadro. Quando ela começa a desenhar o cenário, nós vemos ela errando e tentando de novo de novo e de novo. Traz uma sensação palpável, porque nós vemos o processo dela até ela entender o que precisa fazer ali, mas aqui (infelizmente) não ocorre essa exibição.

Como eu comentei, eu não li o original. Então não posso afirmar que comprimiram ou que cortaram parte do material original. Mas aí entra o anime novamente para reforçar minha ideia: nós não vemos o resultado final da pintura! Vemos partes do ambiente sendo pintado, a Arte trabalhando igual uma condenada (guerreira), entretanto, não assistimos o ambiente com a pintura concluída. Quando o episódio acaba, eu achei que iriam continuar no episódio seguinte, mas não aconteceu. A situação do episódio só termina, sem apresentar a conclusão do serviço, coisa que vinha sendo apresentada nos demais episódios… E eu acho que temos um erro de produção durante esse processo de pintura. Lá no fim do episódio, falam que os aprendizes podiam descansar porque não tinham mais tanto trabalho para fazer. Mas as paredes estavam boa parte em branco! Ao que deram a entender, aquele salão TODO seria pintado, mas não refletiu no final e só acabou em aberto.

No final do episódio, vemos a Arte ganhando reconhecimento das pessoas que subestimaram ela. Até aí, nada de novo. Mas uma coisa legal foi a fala do chefe da guilda, dizendo que a Arte acredita no Leo. Não importa o tipo de trabalho, ela acredita nele. E nós vemos mais disso no episódio seguinte, quando aparece o Yuri. Mas antes de falar do Yuri propriamente dito, eu preciso destilar minha insatisfação com a apresentação porca que fizeram com a Darcia. Sequer fizeram uma introdução decente para a nova personagem. Só colocaram uma frase dela dizendo que conheceu a Arte a poucas semanas e que ela agora está ensinando a ler e a escrever. Apenas isso! E pelo que parece ela será uma personagem mais relevante para a trama, porque ela aparece no final da OP, fazendo parte do núcleo central de personagens. Mas essa foi a apresentação dela, uma frase apenas. Esse momento é cortado por causa do Yuri e só vemos ela em momentos bem rápidos e aleatórios do episódio.

Agora falando sobre o Yuri, o pedido dele para a Arte em parte foi por seu toque suave, em parte também foi para lidar com sua sobrinha (que deve começar a ser trabalhada à partir do oitavo episódio). Mas uma fala que eu achei bem interessante é ele ter dito que ficou interessado no trabalho dela por ela ser uma mulher e ter vindo de uma família nobre. Pesquisando e lendo sobre como era o envolvimento das mulheres na arte no período da Renascença, eu me deparei com um artigo/trabalho da Revista Belas Artes (recomendo bastante por ser um texto muito interessante e completo). Nele, entre diversas coisas ditas como as mulheres começarem a ter um pouco mais de contato com as artes por causa de um livro que foi publicado naquele período, ou que mulheres são estritamente proibidas de verem corpos nus, sejam eles de homens ou mulheres (isso durou até o século XIX). Mas o que me chama atenção é que esse começo de acesso as artes vinham de famílias nobres, justamente como da Arte. As primeiras mulheres artistas desse período eram vindas de famílias da nobreza.

Enfim, a Arte acaba recusando o pedido após muito pensar. O cara estava levando em consideração a posição social dela (coisa MUITO recorrente naquele período) e por ela ser mulher. Ela apresenta uma outra desculpa muito boa de querer aperfeiçoar suas habilidades antes de querer aceitar um trabalho desse porte (isso foi jogado no lixo no final do episódio). Nisso eu volto a falar de ARTE não estar se dando tempo para contar sua história. Em meio ao caso do Yuri, aparece a Ruthanna e o anime começa a trabalhar com essas duas situações em paralelo até cruzar elas e finalizar ambas. Isso não é ruim. Não é algo que a história tenha que apresentar até o momento. Então desde que conseguissem mesclar bem e casar os eventos, estaria tranquilo. Todavia, entra o ponto em que o anime precisa resolver a trama da Ruthanna e fazer a Arte ir com o Yuri para Veneza e acaba apressado. Usam conveniências aqui e ali para justificar os encontros, criam toda uma situação para no fim, a Arte abandonar o que disse quando recusou a oferta do Yuri para ajudar a Ruthanna.

Ruthanna precisava recuperar seu dote para conseguir viver com seu bebê. Interessante que o dote era devolvido caso o marido morresse, mas se fosse uma mulher pobre e o marido morresse, a família podia acabar não devolvendo e ficava por assim. Fiquei interessado para saber o que acontecia com as mulheres viúvas. Casar de novo não era algo bem visto para as mulheres (perdeu a pureza e ainda é considerada como mau agouro). E trabalhar também não era algo fácil de se conseguir. Se prostituir também não acho que seja uma opção, mas vai depender muito da idade da mulher… Se tornar freira? Bom, vai depender se a mulher tiver ensino, porque lá no começo do século XVI, as mulheres eram proibidas de serem ensinadas a ler e a escrever. Só no caso delas de se tornarem futuras freiras. Porém, aí não sei se Ruthanna tem “escolaridade”.

Pelo que parece, o anime agora se passará em Veneza. Imagino que a Arte vai ficar um certo tempo no local, então acredito que o restante da animação deve se passar lá. Talvez no episódio final, a Arte volte para Florença se reencontrar com o Leo. Ao menos é o que eu espero, porque quero que explorem ao máximo o ambiente e a personagem, o novo local, as divergências de Florença para Veneza, o impacto que a Arte irá causar por lá… São questões que já foram abordadas lá no começo.

Antes de finalizar a postagem, eu preciso falar da produção. Eu não sei se foi eu que não reparei, mas a produção parece ter piorado nesses dois episódios. A movimentação parece mais travada, com menos frames por segundo. Alguns quadros sequer tem movimento e o polimento parece pior também. Os rostos dos personagens parecem entortar mais, fora que tem algumas coisas bem esquisitas, como por exemplo o tamanho da barriga da Ruthanna que mudava toda hora. Ora estava maior, ora estava menor. Está piorando… Só espero que não fique tão pior quanto está agora. É uma pena que “ARTE” tenha uma produção tão fraca. Mesmo estando finalizada, não é sinônimo de consistência/qualidade :'(.


Nos demais é isso. Como eu disse lá em cima, nos vemos daqui duas semanas para falar de ARTE, que peca em ser artístico XP (o que me deixa muito triste).

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