Review de No Guns Life

Um anime “noir” totalmente desinteressante.

SINOPSE: “Após uma guerra, dezenas de pessoas que tiveram modificações corporais para serventia de armas no conflito global, passaram a viver em uma nova sociedade pós-guerra. Juuzou Inui, não se lembra do passado e porque teve toda sua cabeça substituída por um revolver gigante. Acompanhamos sua jornada em busca de respostas do motivo que o estão perseguindo. ”

No papel parecia que iria funcionar, mas na prática…

Sou fã de filmes com tons fúnebres de investigação, em que o protagonista é denso e inexpressivo, com pinta de cool em todas as suas ações. É do meu agrado e geralmente, assisto esses tipos de filmes, incluindo os clássicos. Existe a possibilidade de eu já estar um pouco saturado com o tema, visto que meu pai adora assistir filmes policiais e de velho oeste antigos, e vivi na minha infância e adolescência inteira vendo filmes dos gêneros preferidos dele.

Dei uma chance para a adaptação por justamente achar interessante a proposta de ser um anime policial com a tonalidade predominante de cores frias com humanos de modificações corporais. Os “modificados”, dão um certo tom de originalidade para o enredo. Minimamente interessado com a sinopse, posso dizer que eu estava animado inicialmente. Só que foi uma sequência de outras coisas que não considerei anteriormente, que me fizeram desgostar dessa primeira temporada de No Guns Life.

Primeira coisa que detestei foi o roteiro. Se me perguntarem o que aconteceu nessa season do anime, com certeza vou responder da forma mais genérica possível. Não que o enredo seja algo complexo ou de difícil compreensão. No entanto, como é possível fazer uma história de um protagonista (Juuzou) com uma arma GIGANTE NO LUGAR DA CABEÇA, que FUMA para um caralho semelhante aos trens movidos a carvão, com metralhadoras espalhadas pelo corpo TODOS, ser TÃO DESINNTERESSANTE ASSIM??? A narrativa é arrastada, tendo diálogos inflados (semelhantes ao que acontece nas novelas com mais de duzentos episódios para encher linguiça) com o ritmo prejudicado, tedioso e chato na maior parte do tempo. Nenhum arco parece ter impacto e que todos os acontecimentos são algo banais, tendo um foco disperso, não dando importância aos eventos relevantes, destacando outros aspectos não deveriam ter valor. A impressão que fica (no caso do anime) que faltou a mão do diretor ou do roteirista limar/sintetizar vários acontecimentos para, pelo menos, deixar as coisas mais dinâmicas para o espectador. Sentia sono toda vez que tentava assistir o episódio da semana.

Outro fator que detestei foram os personagens. Exceto o protagonista e a cientista amiga dele (Mary Steinberg), todo o resto do elenco é esquecível ou que só estão para preencher a tabela de personas, que só tem uma única função na história. Meio incabível ter um anime que necessita dos apelos dos personagens para chamar a atenção, e não conseguir trabalhar decentemente nenhum deles. A outra parada que era insuportável de acompanhar era o garoto que o protagonista resgatou nos primeiros episódios (Tetsurou Arahabaki). Estou no estágio de detestar qualquer personagem com o estereotipo de protagonista shounen genérico bonzinho com todo mundo. Quando percebo esse arquétipo em qualquer anime que vejo, fico desanimado na hora, fazendo No Guns Life cair no meu conceito ainda mais (e nem estava grandes coisas antes desse personagem aparecer).

Como não li o original, não sei se o problema já vem do mangá. Porém, a falta de foco narrativo nessa temporada é bizarro. Em um primeiro momento, os protagonistas estão fugindo de uma SUPER ORGANIZAÇÃO DO MAL que realiza experimentos em humanos modificados de forma ilegal, com um MEGA SENSO DE URGÊNCIA E PERIGO, para minutos depois estarem solucionando o caso “banal” de uma guria deficiente que consegue ver fantasmas pela sua casa. Aí você fica: “E o senso de quase morte há momentos atrás? Cadê a organização maléfica? Tiraram férias? ”. Acrescente ao pacote mais um grupo de vilões genéricos como “conflito alternativo” em paralelo a missão principal (referência a games) de lutar contra a grande empresa daquele mundo, junto com piadas fora de contexto com os acontecimentos daquele momento, com intercalações entre o flashback de diversos personagens com o presente de forma aleatória, com sub-tramas que não agregam em nada a trama, resultam em um anime bagunçado, confuso e desinteressante de acompanhar, por não conseguir te manter preso com essa narrativa inconstante.

Olha que se você olhar ISOLADAMENTE todos os arcos, eles não são tão ruins. Todos têm uma mensagem a ser passada e tem, digamos, um proposito para existir. Mas a forma como é contada essa história, não te faz em nenhum momento, ficar estimulado em saber o que vai acontecer mais adiante.

A produção poderia ter tentando entregar algo diferente pelo menos

Não consigo entender uma equipe que se presta a fazer um anime de pessoas com modificações corporais e não tentar fazer algo com diferencial nessa adaptação. Eles tinham uma ideia interessante e que, se fosse o caso do mangá ser ‘ruim’, tentassem entregar algo distinto quanto a história ou direção. Não reclamaria de forma alguma desse aspecto se houvesse essa tentativa. Porém, o que temos aqui, é o famoso ‘piloto automático’ ou ‘entrega dessa forma para conseguir a média 6,0 para passar de ano’. O diretor foi o mais pragmático possível, não ousando ou arriscando em uma parada mais artística ou autoral. Parecia o famoso Ctrl+C, Ctrl+V. Como não conheço o original, não posso afirmar que foi exatamente o que aconteceu. Só que essa apatia criativa, refletiu demais no resultado semanal da animação no decorrer desses três meses.

A fotografia simplista, a péssima escolha da paleta de cores (entendo que é uma tentativa para emular os filmes antigos, só que não funciona pelo roteiro não colaborar em ser chamativo e que essas cores lavadas, não casou bem com a noção geral do ambiente estipulado), designs genéricos (mesmo tendo todos os tipos de personagens possíveis, como conseguiram errar em ‘variar’ uma parada que já estava pronta, visto que temos um cara COM UMA PISTOLA GIGANTE NA CABEÇA), trilha sonora esquecível, punchlines deslocadas, roteiro perdido e uma animação no máximo ok, prejudicaram ainda mais algo que já não estava legal.

Mais alguns comentários que são pertinentes

Ainda gosto do protagonista, de forma geral. Acho um personagem, de certa forma, interessante (na medida do possível que o anime mostrou) e carismático. Até o conceito de ter partes do corpo importantes substituídas por objetos, o tornam intrigante vendo de forma macro. Um dos poucos acertos em uma obra em que seu elenco predomina no marasmo e lugar comum.

A cientista (Mary Steinberg) eu curti também, só que por outros motivos. Gosto da ideia dela ser uma mecânica para os modificados e ter que viver no submundo para se manter, ganhando seu sustento a partir dos seus conhecimentos. Não que ela seja uma personagem essencial ou fundamental para o enredo. Mas ela acaba sendo um alivio cômico graças a química dela com o protagonista. Pelo menos, no diálogo entre os dois, se torna um ponto forte durante No Guns Life.

A parada de termos experimentos com humanos ou de existir uma empresa gigantesca que controla tudo, não é nenhum pouco estimulante (a curiosidade morre por já ter visto essa mesma estrutura em outras obras). Chega em um ponto que eu comecei a cagar o que eles são e quais são seus objetivos. Tem uma ligação com a política internacional, com a disputa do mercado de armamentos e dominação industrial, mas pouco importa, pois o próprio anime ignora essas indagações que o próprio roteiro nos joga, para contar uma história de Scooby-Doo sem preparação alguma. Parece que virou outro anime e esqueceram de avisar os telespectadores da mudança. Foi triste terminar de assistir à temporada.

Conclusão

Não tenho muito o que comentar além de recomendar a não assistirem o anime. Eu por exemplo, não volto para ver a segunda temporada que estreará no mês que vem. Para mim, o anime já deu o que tinha que dar e não adianta argumentar que lá pelo episódio 21, o bagulho melhora, porque não tenho mais paciência para assistir uma sequência de episódios na esperança de algo evoluir posteriormente. Boa sorte para quem se arriscar a ver e desejo que se divirta ao assistir No Guns No Life, porque eu não consegui.

2 comentários em “Review de No Guns Life

    1. E ai Luiz, tudo bem!?
      Olha Luiz, seria uma boa mais pessoas na staff e coisa tal. Só que aceitar sem te conhecer ou nos conhecermos (você junto com o resto da staff do blog) não é o ideal. O que eu posso falar seria você entrar no grupo público que temos no Telegram com nossos amigos e seguidores do blog, que estão lá interagindo diariamente, até para sabermos quem você é, e termos a noção que você é bacana de ter fazendo posts no blog. Se ainda acha legal entrar na staff do blog, entra em contato comigo no Twitter, @rubnesio, que te mando o link para você entrar no grupo do Telegram por mensagem direta.
      Não foi uma resposta positiva, mas ainda você pode entrar.
      Qualquer coisa, fala comigo pelo Twitter.
      Valeu mano. 👍

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