Review de Keishichou Tokumubu Tokushu Kyouakuhan Taisakushitsu Dainanaka: Tokuhana

O anime que é uma mistura de RPG clássico com Durarara, só que ruim.

SINOPSE: Era uma vez uma Tóquio, onde existem criaturas sobrenaturais de várias raças, que convivem em um modelo de sociedade que conhecemos. No entanto, um grupo de extremistas tem o objetivo que suas ideologias prevaleçam em detrimento da maioria. Agora, o nosso protagonista Seiji, junto com o Esquadrão Especial 7, tentam colocar a cidade novamente nos eixos da lei e ordem.

Copia, só não faz igual

Apesar da sinopse ser interessante em conceito, Keishichou é daqueles animes que nem se esforça em fazer algo minimante distinto de outras obras lançadas anteriormente. A começar pelo enredo e sua história previsível. Não conseguiria definir os pontos positivos do roteiro, pois é uma enorme emenda de retalhos de outros animes de sucessos criados. Temos um protagonista (Seiji) que quer ser um herói da humanidade e que a legislação é seu principal guia de moralidade e de atitudes cívicas. Temos um perfil de um protagonista Shounen genérico logo de cara. Para completar, seu parceiro é o oposto (Shiori). Preguiçoso, cafajeste, malandro, em que sua índole não é clara, como não seguir ordens e obedecer as leis, não pertence a seu perfil. Uma clássica dualidade entre os protagonistas para gerar um atrito inicial, no entanto formam uma amizade verdadeira no final da história. Clichês e mais clichês para completar o manual do anime de porrada padrão. Para completar a cartela, temos uma hacker que se denomina como ninja tecnológica (Bellemer), uma vampira samurai (Akane), um anão GIGANTE sniper (Rokusuke), um elfo tsundere (Kujaku) que culpa o Shiori pela morte de seu irmão e um chefe que esconde seu verdadeiro poder em uma máscara de inocente/ingênuo (Zeroemon). Todos arquétipos conhecidos entre os otakus que assistem muitos animes ao ano.

Essa familiaridade toda já impõe que o anime vai ser previsível. Até o primeiro episódio demonstra mais forte esse indicio, terminando aquela situação do assalto a banco, com o soco da justiça pelo nosso PROTA. Não existe um esforço em tentar fazer algo mais trabalhado ou uma tentativa de expandir aquele mundo exótico apresentado inicialmente. Pouca diferença fazia se a história acontecesse na nossa realidade ou naquele universo criado. Existir elfos, dragões, magos, anões, lobisomens, vampiros não importa na história e no fim das contas, só serviu para justificar o uso de poderes e pirotecnia visual durante as lutas.

Nem preciso comentar sobre o desenvolvimento nulo que os personagens têm no anime. Se são os estereótipos que definem a personalidade de cada um, todos os eventos que acontecem no decorrer da temporada não influenciam em nada na evolução da narrativa. É basicamente um CSI, só que japonês com personagens sem carisma. Passa a impressão que o enredo só está enrolando para completar os 12 episódios, dificulta demais em simpatizarmos com alguém desse elenco. A trama do irmão do elfo, o passado do protagonista e do preguiçoso, as famílias da vampira e do anão, a solidão da hacker…nada importa, pois tudo é abordado perifericamente, aumentando ainda mais o distanciamento dos personagens com os espectadores. Se alguém corresse perigo, eu estaria cagando para o que acontecesse com o personagem. A ausência de empatia com a história, foi um dos fatores que matou o anime para mim.

O vilão genérico com ambições megalomaníacas derrotado pelo “poder da amizade”

Poderia até elogiar a pretensão em construir as motivações do antagonista da série durante os 12 episódios. Entretanto, apelar para o clichê do vilão que quer dominar o mundo, com risadas maléficas, frases de efeitos horrorosas e poder para destruir uma cidade, tira todo o peso de suas ações terroristas nessa busca por conquistas e de respeito que o dragão vilão queria.

Além disso, roubaram descaradamente o conceito do livro IT em que a força motriz do “ser mágico” maléfico, seja o medo das pessoas. Tentaram fazer um vilão invulnerável, só que resultou em esquisitices e em uma resolução com o detestável poder da amizade. Essas conveniências acontecerem, só serve para que o vilão tenha que perder por um soco do Seiji, um dos personagens mais sem graça da temporada passada. Só torcia para que terminasse o mais rápido possível de tão desinteresse os twists na animação.

Um exemplo de como a indústria de animação japonesa está reciclando as coisas

A cada ano, mais animes são produzidos anualmente em comparação ao passado. Com o problema de falta de mão-de-obra especializada, temos uma situação recorrente de animes sendo feitos no modo “automático/industrializado”, em que interessa bater a meta de quantidades produzidas e não sua qualidade. Keishichou se encaixa nesse perfil perfeitamente por ser um anime “sem alma”.

A primeira parada que desgostei logo de cara, foi a paleta de cores selecionadas na animação. PORQUE CARALHOS AS CORES SÃO EM TONS LAVADOS, ESCUROS E SOMBRIOS? E PORQUE CACETES COLOCARAM UM FILTRO PARA DEIXAR AINDA MAIS ESCURO O ANIME? Referência a filmes B antigos de baixo orçamento? Além de ser enjoativo e ‘sonolento’ (entediado e com sono), dá uma gastura INACREDITÁVEL não ver nenhuma vivacidade nas cenas graças a essa tonalidade escolhida. Deixa um clima fúnebre que não casa com o clima que o anime quer passar. Como o diretor dessa bagaça, achou uma boa ideia fazer isso em um anime com a maior cara de Shounen clássico genérico?

E por falar na criatura, cadê a direção em Keishichou? Os únicos momentos que você vê a “mão” do diretor, são quando a opening passa, citando o nome do cidadão. Se não aparecesse nos créditos, daria para dizer que o projeto estava sem uma pessoa no cargo. Não vou afirmar que foi uma das piores direções que vi na minha vida de otaku, porque já vi muita coisa ruim (Big Order manda um abraço), mas com certeza está disputando com o diretor do “Bonde das Maravilhas” ao cargo de pior direção da temporada passada. Nem nas cenas de cotidiano a pessoa acerta. Não é difícil fazer um plano e contra plano. E o ritmo narrativo bagunçado, destaca mais esses defeitos da direção no anime.

Nem preciso comentar da qualidade da animação. Entretanto, fiquei surpreso por ainda manter certa consistência durante os episódios. Pelo caminho da carruagem, estava esperando a produção “descarrilhar” e chegar no nível do Nanatsu 3º temporada. Só que não aconteceu e terminaram no 0x0. Não estou dizendo que ela ficou boa, porque animação é feia para caramba. Mas podia ser pior do que foi.

A trilha sonora é ausente e esquecível. Dou destaque para as músicas da opening e ending que são realmente boas. De resto, toda a parte musical do anime não merece elogio algum.

Conclusão

Se você leu todo o texto, já sabe qual será a minha recomendação: NÃO VEJA ESSE ANIME. Além de ser ruim, nada é digno para merecer sua atenção por 5 horas da sua vida. Se quiser arriscar, tenha em mente para não ter expectativa alguma com o anime. Se seguir a dica, talvez você consiga curtir, de alguma forma, o Keishichou Tokumubu Tokushu Kyouakuhan Taisakushitsu Dainanaka: Tokuhana. (Que nome grande esse anime tem, MEU DEUS).

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