Tradução: Entrevista com Kabi Nagata, autora de “Minha Experiência Lésbica com a Solidão”

Conheçam um pouquinho mais da autora.

Atenção: Essa entrevista originalmente foi postada na Pixiv (entrevista original aqui) e foi feita pela Sena Kondo no ano de 2016. Na época, a autora estava para publicar “Hitori Koukan Nikki”, segunda obra dela que conta mais um “episódio” de sua vida.

Alex: A ideia de traduzir essa entrevista me veio após a própria autora, em seu Twitter, postar o link para a matéria. Achei legal fazer uma tradução para os leitores daqui do Brasil conhecerem um pouco mais da autora. A tradução foi feita pelo João e pela sua amiga, a @inanisvague . Então créditos à eles ^^. Caso ainda não tenha visto, fizemos uma resenha de “Minha Experiência Lésbica com a Solidão”, que vocês podem conferir aqui (Link Aqui). Vamos lá.


“Me tornar uma mangaka foi o meu chamado”

– Uma entrevista com Kabi Nagata

Ninguém deseja que as mais frágeis partes de seus corações sejam expostas. Mas e se isso se revelasse uma característica capaz de ser um ponto forte…?

Todos na indústria criativa almejam por uma habilidade especial que seja única. Seja ela uma incrível proficiência em desenho, histórias e tramas brilhantes, técnicas especializadas, etc. E diante todas essas pessoas, Kabi Nagata, autora por trás de Hitori Koukan Nikki (título em inglês como “My Solo Exchange Diary”, ainda sem publicação oficial no Brasil ), escolheu como seu ponto forte as suas fraquezas.

No seu trabalho anterior さびしすぎてレズ風俗に行きましたレポ/Sabishisugite Rezu Fūzoku ni Ikimashita Repo (sendo o nome oficial de sua publicação no Brasil “Minha Experiência Lésbica com a Solidão”, a obra publicada no país pela editora NewPop), ela expôs o vazio existencial que sentia, e como isso ressoou no coração de muitos. E na sequência desta publicação, Hitori Koukan Nikki reconhece os seus erros e falhas nesse íntimo e tocante livro.

Sendo bem recebido devido à sua franqueza e prudência, deve ter sido difícil para ela ter chegado em bons termos com as mais frágeis partes de si mesma.

Perguntamos para Kabi Nagata mais sobre isso.

“Eu não ligo de me expor se isso resultar em um conteúdo interessante”

– O trabalho anterior e a sua sequência mergulham nas partes mais íntimas de você mesma. Sentiu algum conflito ao escrevê-los?

– Eu não tenho hesitações em me expor pelo bem dos mangás. Não há mais nada que eu possa fazer. Embora eu costumo é me esconder na minha “casca” quando conheço outras pessoas pessoalmente…

– O que a incentivou a fazer isso?

– Quando eu iniciei como uma mangaká, eu mal conseguia qualquer trabalho e apenas publicava coisas uma vez por ano. Mas desenhar mangá é a única coisa que eu consigo fazer. Então comecei a pensar como eu poderia viver disso. Foi aí que decidi em me basear nas histórias da minha vida particular.

– Você está respondendo tudo friamente, mas eu acredito que levou muita determinação.

É. Eu realmente não tenho nenhuma habilidade especial quando se fala de desenho, ou qualquer outra área especializada em específico que eu seja forte. A única forma para mim de desenhar algo interessante é fazer baseado em mim própria. E procurei experimentar isso, como uma tentativa final.

– É incrível como você fez de todas essas coisas uma trama adequada. Você poderia nos contar mais sobre o seu processo?

– Eu anoto tudo que acontece comigo e as minhas emoções na forma de tópicos. Depois eu reorganizo-os para que formem um enredo e que possam ser desenhados.

– Você mencionou que realmente tinha um diário de conversas idiossincráticas quando cursava o ensino secundário. Suponho que você possui como hábito escrever suas emoções há muito tempo?

– É um hábito do meu ensino secundário, e sou capaz de dizer que tipo de pessoa eu sou com um diário, onde converso comigo mesma. Eu até tinha diferentes pseudônimos e preferências sexuais e também fazia com que essas diferentes personalidades conversassem entre si.

– Essas experiências podem ter facilitado para você de dar um passo para trás e analisar como se expressar . Existe algo que você mantém em mente quando desenha mangá?

– De não glorificar ou me subestimar demais em uma história. Vai ser difícil para o leitor conseguir se relacionar com as histórias caso glorifique e me fazer muito patética vai apenas dissipar um bocado de sentimentos negativos.

– Compreendo. Então você pensa no público alvo em primeiro lugar. Existe algum grupo em específico que você está almejando?

– É facilmente relacionável para qualquer um, então não exatamente. A maioria dos comentários que recebo são de pessoas mais novas, perto dos seus 20 e 30 anos.

– Existe alguma razão em querer escrever sobre problemas mais comuns?

– Eu quero fazer uma vivência deste trabalho sozinha, então eu pretendo produzir trabalhos que atraiam os maiores grupos de pessoas.

– Tenho certeza que todos são capazes de sentir a sua resolução e sentimentos em relação a mangás. Você já passou por experiências dolorosas neste trabalho?

– Eu escrevo sobre incidentes que aconteceram, e muitos deles são difíceis de serem lembrados e desenhados sobre. Mas eu estava bem inspirada em escrever esses dois livros, e consegui olhar de forma positiva.

– Realmente aparenta que você põe toda sua alma em cada um dos seus trabalhos. Você por acaso já ficou sem energia?

– Eu honestamente fico com vontade de dar uma pausa toda vez que eu publico algo. Mas quando eu não estou desenhando, não consigo resistir a necessidade de desenhar. É uma batalha.

– Houveram ótimos comentários para os seus livros, o que você faz com eles?

– Eu costumava procurar as opiniões, comentários, e elogios me faziam sentir que eu tinha que corresponder às suas expectativas, e as criticas me faziam sentir que eu tinha que mudar essa parte de mim. Eu sou muito grata por todos esses comentários, mas eu realmente não os leio mais.

– Está na sua personalidade se importar muito com as coisas ao redor de você?

– Não. É porque eu tenho que ganhar a vida como uma mangaká, e minha vida pode ser controlada por pessoas que analisam meus livros. Então isso me faz curiosa… Mas não é interessante se eu não escrever coisas que eu realmente quero. É por isso que eu estou tentando bloquear os comentários que me cercam.


Eu não consigo pensar em fazer nada além de mangá

– Quando você começou a desenhar ilustrações ou mangá?

– Eu sempre estive desenhando pelo que me lembre. Essa foi a única coisa com o que eu pude me esforçar. Desenhar desde nova se tornou a minha base.

– Você sempre gostou de mangá?

– Na realidade, eu fui ler o meu primeiro mangá quando eu estava no quarto ano do ensino fundamental. Foi quando eu li Slam Dunk no alojamento que eu comecei a ler outros volumes da SHOUNEN JUMP.

– Há algo em específico que realmente chamou sua atenção?

– Ruroni Kenshin. Eu gostei tanto do Kenshin, que entrei o clube de Kendo durante o ensino secundário (lol).

– Foi no ensino secundário em que você foi facilmente influenciada no fim das contas (lol). O que fez você postar seu primeiro trabalho online?

– Eu sempre mostrei meus desenhos, mesmo quando mais jovem. Ainda estou desenhando hoje com o objetivo de mostrar à alguém. Para mim, esse tipo de trabalho criativo só recebe um valor quando mostrado a outra pessoa.

– Você realmente é uma artista bem dedicada…!

– É que não tem mais além de mangá que eu possa fazer. Eu tentei várias outras coisas, mas elas não duraram… É por isso que quero continuar desenhando mangás.

– Entendo. O que te dá inspiração ?

– O sentimento de querer desenhar e compartilhar. Eu consigo até ver coisas ruins de maneira mais feliz quando estou desenhando.

– Quando seus livros se tornaram grandes sucessos, as reações das pessoas ao seu redor mudaram?

– Ainda não parece que muitas pessoas os leram. Ainda não parece que muitas pessoas os tenham lido. Há pouco tempo, via todos que desenhavam mangás interessantes como meus inimigos e nem conseguia entrar em uma livraria. Ainda tenho um pouco desses pensamentos, mas estou começando a entender pouco a pouco.

– Existe algo que você está pensando em desenhar em seguida?

– Existem algumas coisa que eu não falei sobre em “Minha Experiência Lésbica com a Solidão”, as quais eu gostaria de falar, e também uma continuação para “My Solo Exchange Diary”. Vou desenhar o que eu quiser então.

– Obrigado!

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