Resenha: Beldade Presa na Gaiola (volume único)

A questão que ficou é: CADÊ JOY SECOND NewPOP???

Em meados de 2019, vazava no registro do ISBN, o mangá “Beldade Presa na Gaiola”, o novo título BL (Boys Love) da editora NewPOP. Semanas depois o mangá acabou sendo anunciado oficialmente. Procurando informações sobre a obra, me deparo com sua capa e posteriormente com sua sinopse, que me fizeram ficar com os pés atrás quanto a qualidade do mangá. Tanto que já esperava pelo PIOR possível (um pouco exagerado… Só um pouco rs). Após a leitura do volume, venho dizer que não foi bem como eu esperava (EM PARTES!), então vamos destrinchar um pouco e ver o que “Beldade Presa na Gaiola”, tem a oferecer :).

PS: Não teremos spoilers do “plot” da história, fiquem tranquilos ^^.


Sinopse:

“Reiri Yukino foi amaldiçoado por um onmyoji e chefe de um grande grupo financeiro, Toshiaki Amano, ficando aprisionado nas profundezas de uma mansão. Mesmo após a morte de Toshiaki ele continuou a ter relações com os chefes da família por gerações. Até que um dia, surge Kenji, o novo chefe da família. Mas ele parece ser diferente dos demais…”

Essa capa…

  • História e desenvolvimento:

O que dizer sobre Beldade? O que dizer sobre esse título? Primeiramente digo que por eu esperar algo MUITO ruim, Beldade acabou por me trazer um gosto bem melhor do que imaginava, mas não que isso represente necessariamente algo bom de fato.

Não sou fotógrafo, então é isso que tem para hoje.

Nossa história começa com o protagonista da história, Reiri Yukino, que logo de cara já é nos informado que ele foi amaldiçoado. Assim, ele passa os dias de sua vida confinado na mansão, ao qual ele se tornou o guardião e protege os “livros” que tem nessa mansão. Esses “livros” nada mais são que espíritos aprisionados lá dentro. As páginas iniciais nos contextualizam sobre a situação que o Reiri se encontra. Essas páginas, em suma, são diálogos expositivos, porém, eu não vejo isso como sendo algo ruim, já que a autora não dá todas as cartas da história nesse primeiro momento. Claro que há formas melhores de se dar essas informações para o leitor, mas não é uma coisa em demasia. Nem chega a ser chato, pelo contrário. Esses diálogos são bem funcionais e servem até como um chamariz para você querer saber mais sobre o Reiri.

Logo mais a frente, somos apresentado ao outro personagem principal, Kenji Amano. Enquanto o Reiri é um personagem minimamente interessante, o Kenji, por outro lado, é detestável! Com umas 10 páginas com ele presente, eu já queria estrangular ele. É aí que começa o grande problema desse mangá, que pode ser resumido a esse personagem. Para quem conhece um pouco mais de BL, sabe de como títulos mais “velhos” (Beldade é de 2011), sofrem do mal da romantização de estupro. Não são todos claro, nunca que vou generalizar. Assim como não posso dizer que os títulos mais atuais estão isentos disso. Mas esse recurso era bem mais usado no passado e, sabendo que o título faz parte desse “período”, eu já imaginei que poderia contar cenas do tipo… No fim das contas, tem!

NOJO; RANÇO.

Isso é algo muito ruim e incômodo. Para o MEU nível de “tolerância” o mangá “foi”, mas assim, não é apenas uma vez que acontece o estupro. E o que mais me irrita é como isso é colocado dentro da história. O Kenji fala de proteger o Reiri, que não vê como um objeto, mas ele chega dando ordens nele, sendo grosseiro com e claro, estuprando o garoto. Ainda, a autora coloca as ações do Kenji, mesmo que grosseiras e abusivas, como algo feito para o bem, para a proteção do Reiri. Então, se você não tolera (ou pouco) esse tipo de cena (como eu acho que deveria ser, incluindo a mim mesmo) pode passar longe desse mangá.

Seguindo, pois ainda tenho o que falar da obra, lembram-se da maldição que citei lá no começo? Então, o Reiri se tornou imortal graças à ela. O que eu quero trazer aqui é o “pano de fundo” por traz dela. O contexto por traz de toda essa história de maldição soa um tanto interessante (PS: isso não é spoiler, aconteceu no primeiro capítulo ainda, fiquem tranquilos). Durante os tempos da Segunda Guerra Mundial, o Reiri acaba não indo para a guerra por causas dos seus problemas cardíacos. Nesse meio tempo, ainda acaba descobrindo que ele tem o poder de curar ferimentos com o toque. Descoberto isso, o chefe da época da família Amano, o Toshiaki, começou a estuprar o Reiri (tudo envolto de estupro…), pois assim era a melhor forma de transferir a “energia” do Reiri (desculpa esfarrapada para ter sexo, enfim). O Toshiaki era um membro importante para o exército e queriam mantê-lo sempre com “disposição” (não encontrei uma palavra melhor para me expressar). Onde quero chegar com isso é no trabalho psicológico que a autora poderia ter feito com o Reiri, porque além dos estupros serem constantes, não foi só com o Toshiaki que ele passou por isso. Todos os sucessores da família Amano fizerem isso com ele ao longo de 60 anos, até chegar no Kenji (que também estuprou ele). O Reiri comenta que “aceitava” aquilo por não ter condições de ir para a guerra, mas ele diz como passar por aquilo era humilhante, ser tratado como um objeto qualquer, como um lixo. Isso seria maravilhoso se fosse abordado. Trabalhando com isso, a obra poderia facilmente ser mais extensa e ser uma excelente história, mas infelizmente não é esse o rumo que a história toma.

Outro ponto dessa história que não foi bem usado e, que também poderia transformar o mangá melhor do que ele foi, são os tais “livros” citados no começo do mangá. Cada “livro” tem um poder/habilidade diferente, sendo alguns mais poderosos e outros mais fracos. Enfim, na história, esses “livros” acabam por apenas existirem ali. Tem apenas uma cena que um livro é relevante, mas no geral, eles não são bem explorados, o que também é uma pena.

Um dos espíritos que foram aprisionados dentro dos “livros”.

No geral, eu não consigo sentir progressão na relação dos personagens. É como se o Reiri apenas tivesse dando voltas, para não chegar a lugar algum (ala Koisuru Boukun). Não consigo ver o Kenji como sendo diferente dos antepassados dele. Ele, assim como seus antecessores, continua forçando sexo no Reiri. A autora só tenta disfarçar isso (pena querida, não deu certo) e fazer parecer que ele é melhor do que os outros. MAS ELE NÃO É! ELE É A MESMA MERDA QUE OS ANTEPASSADOS DELE (em níveis diferentes, mas é tudo farinha do mesmo saco).


  • Conclusão:

Depois de TUUUDO isso, eu recomendo a compra de “Beldade Presa na Gaiola”? Não, mas têm duas coisas que quero dizer que podem te “””incentivar””” a comprar:

1. Apoiar o mercado. Acredito que muitos não sabem disso, mas a NewPOP um tempo atrás, respondeu um comentário de um leitor, em que ela “mandava a real” sobre os BLs no Brasil. No comentário, ela diz que as tentativas de publicar séries relacionadas ao público BL, todas não foram satisfatórias (apesar de que nenhuma delas era um BL de fato). Logo, comprar os volumes únicos é importante para manter a publicação do BL ativa no país.

Mas, eu gostaria de dizer que acho interessante a dona NewPOP dar mais alguma chance para séries BLs, até porque, nenhuma dessas séries listadas pela editora são BLs de fato. Acharia interessante fazer mais alguma tentativa… Ou que publique títulos mais atrativos. Abaixo eu vou deixar um tweet com uma série de títulos que parecem muito atrativos ^^.

2. Como eu disse anteriormente, se a sua tolerância para cenas de estupro for considerável, eu digo para comprar por sua conta e risco. Porém, se você ainda não tiver comprado o mangá BL JOY, também publicado pela NewPOP, eu te indico fortemente adquirir esse título, aqui temos um review desse mangá maravilindo. E CADÊ MEU “JOY SECOND” NEWPOP???

Por que JOY não tem um mimo (página colorida) desse???
Eu gostei desse tom de vinho, é bonito.
Esse quadro me lembrou um pouco das camas dos BLs mais antigos, as camas eram ENORMES (sem exagero).

  • Ficha técnica:
  • Nome original: Torikago no Reijin (鳥籠の麗人)
  • Nome nacional: Beldade Presa na Gaiola
  • Autora: Yuya Kirimi
  • Serialização no Japão: Comic Magazine Lynx
  • Editora japonesa: Gentosha
  • Editora nacional: NewPOP
  • Data de lançamento no Japão: 26/09/2011
  • Data de lançamento nacional: dezembro de 2019
  • Formato: 12,8 x 18,1 cm
  • Miolo: papel off-set
  • Preço de capa: R$ 18,00

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