Review – Given

Comentando um dos melhores animes do ano…

Recado: o mangá da obra foi anunciado no Brasil pela editora NewPOP, e começou a ser publicado em maio de 2020, à quem interessas, nós fizemos uma resenha do primeiro volume ^^.

Given foi uma das estrelas da temporada (para mim a melhor), isso é inegável. E claro, não foi atoa. E para falar dessa obra maravilhosa, contarei com a “presença” mais do que especial da @MisuRose (que eu chamarei apenas de Rose), uma amiga muito querida minha e como nós dois amamos Given, porquê não falarmos dele juntos!


  • História e Desenvolvimento:

Alex – Sem muitas delongas e direto ao assunto. O episódio inicial foca em apresentar seus personagens, um pouco do seu dia a dia, sendo muito gostoso de se acompanhar e você vê o ambiente de cada personagem ali.

Rose – Sim! Given foi uma revelação e tanto para mim, não que eu não conhecesse a obra antes do anime, mas justamente o fato de ter ganhado um anime me surpreendeu. Amo a jogada de cena do primeiro episódio em que Mafuyu diz sonhar todos os dias com Yuki (ALERTA DE SPOILERS), é inegável o quão triste é olhar para os olhos dele ao ver seu namorado (e alma gêmea) enforcado.

Alex – Eu até conhecia o mangá, tinha lido alguns capítulos (na época acredito que tinha lido até o capítulo 6), mas eu estava lendo com o “cérebro desligado” hahaha, então nem me atentei ao que eu estava lendo nem percebi o quão maravilhoso a história é.

Mas voltando ao assunto, dentre os personagens introduzidos no episódio, temos o Uenoyama e o Mafuyu, os melhores apresentados no episódio. Os dois tem uma boa interação juntos (desde o começo os dois já têm uma ótima química *risos*), o Mafuyu sendo bem calmo/”apagado” e o Uenoyama, que apesar de ser calmo também inicialmente, logo se mostra bem… Como posso dizer, explosivo (?), já que o Mafuyu é lerdo para compreender o que ele diz hahaha. A interação deles, como já dito, é muito boa de se ver, eles têm um certo carisma e juntando os dois, essa interação fica excelente!

Rose – Sim sim! Aquela quebra de expectativas quanto ao Uenoyama foi incrível. Ele pareceu tão legal em sua cena inicial *risos* . O típico seme (ativo) inexpressivo e dominante, quando na verdade ele é um grande desastre gay.

Outra coisa que AMEI naquele primeiro episódio foi a introdução dos personagens e de suas relações *risos*. Akihiko e Haruki foram realmente fofos. Por outro lado aquelas explosões foram muito cômicas, elas existem no mangá, mas são ao redor dos personagens e não DENTRO deles.

Alex – Akihito e Haruki (principalmente o Haruki, anjo) são muito fofos, como sempre, diga-se de passagem. Tirar fotos escondidas do @, quem perderia uma chance dessas? Eu mesmo não perderia *risos*.
As explosões são quase a única coisa que realmente me incomodam na produção toda, acho tudo muito bom, mas aquelas explosões… É tenso de ver. Ao menos são poucas as vezes, mas quando acontece, não é nem um pouco agradável aos olhos hahaha.

Rose – Sim hahaha. Mas gosto de pensar que a produção pretendia mostrar o estado emocional dos personagens, isso me faz achar um pouquinho fofo.

Alex – Olhando por esse lado, não fica tão ruim. O problema foi usar CG para isso…

Rose – Convenhamos que nada é perfeito * risos * Como Greg Universe mesmo diz: “Se o porco fosse perfeito não haveria cachorro quente”.

Alex – De fato hahaha.


Rose – Como eu conhecia o mangá há um certo tempo (até tinha lido a scanlator estrangeira para saber o que estava acontecendo) e isso me deixava cada vez mais apreensiva e ansiosa para o próximo episódio, tudo que eu queria era ver a adaptação do roteiro, a animação e os fillers hahaha.

Alex – Sim, que por falar nisso, aqui temos uma verdadeira adaptação. Não é apenas um “copia e cola” do mangá, temos acréscimos excelentes e essas adições ajudam demais a simpatizar com os personagens, faz você se importar realmente com eles, para na hora do clímax desse arco, você se emocionar com eles.

Rose – Isso me lembra de Doukyuusei (que por muito tempo foi a melhor adaptação de um BL para anime) e como o roteiro inverteu a ordem de certos acontecimentos para tornar tudo mais natural e agradável. Given também é assim (só que de uma forma diferente), os fillers não tiveram apenas o propósito de “ocupar espaço” e sim de tornar a relação dos protagonistas (e também a relação deles com a música) algo mais trabalhado e dinâmico! De longe a melhor adaptação de um BL!

Alex – Concordo plenamente. As escolhas na hora de adaptar foram ótimas, a diretora tomou decisões muito boas com Given, oculta algumas coisas, deixa apenas no ar outras, entregando suas cartas do arco aos poucos, assim ela consegue te manter minimamente interessado para o que vai acontecer futuramente. O que funciona muito bem, esse ar de suspensa fica maravilhoso para o que aconteceu no passado do Mafuyu. Tem quase episódios inteiros com fillers que são importantes para a história. Esse arco no mangá dura 2 volumes, esses 2 volumes poderiam ser facilmente adaptados em 6 ou 7 episódios, mas em vez disso, os fillers vêm para aumentar sua experiência. Por exemplo: no mangá, nós não acompanhamos muito a evolução do Mafuyu ao aprender a tocar guitarra. Isso já não acontece no anime. Vemos toda uma exploração do Mafuyu no mundo da música, ao qual ele não conhece muito bem. Ele aprendendo a tocar notas, conhecendo alguns itens para auxilia-lo no aprendizado, dentre outras coisas.

Rose – Isso mesmo! É lindo ver a evolução do Mafuyu como guitarrista e também como vocalista! A música é um instrumento importante para toda a narrativa (tanto do manga quanto do anime). Ela foi a destruição de Mafuyu, mas também foi a salvação. Uma experiência verdadeiramente agridoce.

Alex – A música não é usada apenas como: “um bando de adolescentes/adultos que tocam por aí e que tem algum draminha por trás”. Não é e passa MUITO longe de ser! Tudo em Given é movido através da música, desde o porquê o Mafuyu quer aprender a tocar, do porquê a banda existir, do porquê eles estarem juntos, TUDO é envolto da música e da importância que ela tem para fazerem seus personagens serem quem são. Uma coisa usada para representar as relações que o Mafuyu tem/construiu é com as cordas da guitarra. Elas representam a conexão que ele tem com pessoa X e em dois momentos ela arrebenta, ou seja, a conexão que ele tem foi cortada/fragilizada. Ele tem uma experiência bem traumática no passado, representado isso na primeira vez que as cordas quebram e quando isso acontece de novo, da para ver o quão assustado ele fica com a possibilidade de tudo o que aconteceu se repetir. Uma frase dita pelo Uecchi que tem muito a ver com isso:

“Eu acho… Que o coração é como as cordas. Quando está sofrendo demais e não conseguindo respirar, as cordas no seu peito doem como se fossem estourar. É como se estivesse dedilhando e esticando-as até seu limite, e até acaba estalando. As vezes, até pensamos que não tem como consertar. Mas se alguém consegue trocar essas cordas para você, sinto como se as feridas melhorassem um pouco.”

Rose – Gosto muito dessa metáfora no manga/anime! E também da maneira que Uenoyama trata isso. Quando uma corda é arrebentada, a guitarra jamais será a mesma, mas isso não significa que ela tenha que continuar quebrada. O coração de Mafuyu é igual. Yuki foi uma figura MUITO importante para ele. Sua alma gêmea e primeiro amor, mas ele se foi e isso dói. Quando Uenoyama entrou em sua vida, ele conseguiu se consertar. Claro que não será o mesmo Mafuyu de antes, mas isso não significa que ele não o ama. Todos nós estamos em constantes mudanças. Eu não sou a mesma garota de um mês atrás. Você não é o mesmo. Todos crescemos e isso é inevitável.

Alex – Sim! Lembro que o Uenoyama disse no primeiro momento que eles se encontraram que consertar a corda era fácil e se pegarmos isso literalmente, sim é fácil, mas metaforicamente/sentimental isso é muito, muito difícil. O importante é seguir em frente. O seguir em frente, não necessariamente significa esquecer o passado, mas aceitar que “o que passou passou” e olhar para frente.

Rose – Não acha a relação da música com o Mafuyu (pelo menos no começo) um pouco conturbada? Me lembro de que na história Mafuyu diz a Yuki para abandonar a banda por não conseguir atenção suficiente e se sentir esquecido, mas quando começou a se dedicar e à cantar, viu o quando isso era gratificante e passou a gostar de música. Penso que enquanto ainda estava preso ao passado, ele tenha pensado que estava “roubando” o sonho do Yuki.

Alex – Sim, acho que ele acreditava que a música roubou o Yuki dele… Acho que aprender a tocar música tem muito haver com o Mafuyu querer saber como o Yuki se sentia ao tocar.

Rose – Isso é tão triste…

Já que estávamos falando de metáforas, você já leu algo sobre o nome dos personagens? Enquanto Ritsuka representa o verão, Haruki a primavera e Akihiko o outono, Mafuyu representa o Inverno. E o que isso tem haver? Bom, quando paramos para pensar que o nome Yuki deriva de “neve”, tudo começa a fazer sentido. A neve jamais poderá existir sem o inverno, Yuki jamais poderia existir sem Mafuyu.

Alex – Pegando uma frase de Violet Evergarden (porque eu PRECISO citar Violet) que eu acho muito linda e que encaixa perfeitamente para isso:

“O amor sempre está presente na luz do sol, e mesmo que não consiga vê-lo ou tacá-lo, ele está bem ao seu lado”

Que é uma letra de uma música cantada por uma personagem no episódio 14, para representar que ela está seguindo em frente. Tanto que um certo personagem que está nessa cena diz que o tempo dele e da mulher que está cantando a música, antes estava congelado, mas voltou a se mover (sempre me arrepio nessa cena). Mas enfim, a questão do seguir em frente é ver novos horizontes e agarrar novas oportunidades, novas possibilidades, ficar preso ao passado não vai te trazer nada de bom, e foi na música que tanto essa personagem de Violet, quanto o Mafuyu encontraram uma forma de se expressar e assim chegar num ponto que eles consigam “deixar” o passado no passado.

Rose – Isso é tão profundo… Não acha romântico pensar que sempre haverá uma nova oportunidade de encontrar o amor? Mesmo que não seja romântico. Para mim as formas de amor são infinitas, em cada relação, cada pessoa e até em cada momento, uma nova forma de amar surge. Mafuyu, Violet, Naho, Inuyasha, Anthy, Eiji… Todos perderam alguém, mas conseguiram caminhar sozinho e encontrar o amor novamente.

Rose – Isso não te lembrar Orange. Como Naho, que jamais esqueceu Kakeru, conseguiu seguir em frente e formar uma família com Suwa? Acho que o Mafuyu encara a mesma realidade, seguindo em frente e encontrando um novo relacionamento. Ele superou Yuki e não significa que o esqueceu (ou que deixou de amá-lo), mas que ele finalmente pode se libertar e amar outro alguém.

Claro, isso é um pouco controverso. Alguma pessoas do fandom acreditam que ao cantar no show, Mafuyu finalmente havia esquecido Yuki. Outras acreditam que ele nunca irá superar seu passado e que Ritsuka é apenas um “tapa buraco”… Ai isso não te deixa incomodado? Estão certos quando dizem que Mafuyu jamais amará Uenoyama como amou Yuki, mas estão errados ao dizer que ele ama menos um do que o outro. Ritsuka e Yuki são pessoas diferentes, e eles tiveram relações diferentes com Mafuyu, mas isso é ruim? De forma alguma! Pessoas diferentes passam por nossas vidas e temos relacionamentos diferentes com cada uma delas. Isso é completamente natural! Desculpe por isso… eu realmente precisava desabafar sobre esse assunto…

Alex – Cara, eu acho isso tão errado. Ele não esqueceu, tanto que mais para frente o Uenoyama e o Mafuyu tem uma pequena discussão. O Mafuyu fica completamente desesperado quando o ele vai se retirar do local. Na hora o Mafuyu se lembra do que aconteceu com o Yuki e ele o agarra com desespero. Ele fica completamente desesperado, observa-se isso perfeitamente no rosto do Mafuyu. E não, o Uecchi não é um “tapa buraco”, não é e nunca será! Quer dizer que agora o Mafuyu não pode se apaixonar de novo? Concordo que o Yuki é, provavelmente, o amor da vida dele, mas isso não quer dizer que ele não possa se apaixonar de novo. É que nem tem parte do fandom que fala que o Mafuyu ama mais o Yuki do que o Uecchi. Eles falam com tanta convicção como se autora tivesse dito isso. Amor não se mede! E se fosse medido, não vai ser eles que vão dizer e sim a autora que irá determinar isso. O Yuki é um marco na vida do Mafuyu. Eles se conhecem desde muito cedo e toda a infância eles estavam juntos. É claro que o Yuki tem um peso maior na vida dele, maior do que o Uenoyama, mas isso não quer dizer que ele ama mais A ou B. Ah, é completamente compreensível você falar sobre, temos que falar as verdades hahaha. E isso é uma conversa “livre”, então sinta-se a vontade para dizer o que pensa ^^.

Rose – Muito obrigada hahaha. Mas voltando ao assunto, eu concordo. Yuki é a alma gêmea de Mafuyu. Mas Ritsuka é tão importante quanto! E eu me lembro da parte da discussão no mangá. Aquilo quebrou meu coração… Mas foi MUITO importante para entendemos Mafuyu. Não devemos esquecer que por baixo daquele garoto bonito existe uma criança traumatizada, um adolescente que lidou com coisas que nem mesmo adultos deveriam. Isso me faz admira-lo. Sem falar em Uenoyama que em momento nenhum perguntou sobre o passado de Mafuyu com Yuki, porque ele sabe que isso iria machucá-lo ainda mais. Ele é maduro e um ótimo namorado, gostaria de ser sua amiga…

Alex – Eles são incríveis, Mafuyu por ter suportado tudo isso sozinho durante um longo tempo, por ter conseguido lidar, em determinado momento, com a situação e conseguir seguir em frente. E o Uecchi é incrível por ser maduro o suficiente para compreender o Mafuyu e saber lidar com a situação. No dia que o Mafuyu se sentir seguro para falar disso, ele vai falar. Até lá, o que o Uenoyama tem feito por ele é admirável. Amaria ser amigo deles haha.

Rose – Sim! Sim! Não sei como corações tão pequenos aguentam tantos sentimentos… Isso me lembra os acontecimentos atuais do manga (ALERTA DE SPOILES) em que Uenoyama passa por uma “crise”. Ele tem medo de não ser o suficiente para Mafuyu e tem medo de não ser aceito por sua própria família devido a sua sexualidade. Isso é tão real que é quase impossível não se identificar.

Alex – SIIIIIIIIIIIIM!!! Given constrói personagens muito reais, com acontecimentos reais. Tudo é muito palpável, fazendo você até se identificar, e mesmo que não se identifique, você se importa com os personagens por ser tão crível. Depressão, suicídio, descoberta da sexualidade, todos temas muito atuais, então se importar com eles não é nada difícil.

Rose – Isso me lembra da Yayoi-san. Ela ama o Uenoyama mais do que tudo só (isso fica evidente quando pede ao Akihito, na época em que estava apaixonada por ele, para cuidar de seu irmãozinho). Em uma citação no mangá ela diz:

“Eu não quero machucá-lo, quero apenas entendê-lo.”

Isso é tão real… Quando alguém descobre que uma pessoa importante para ele é LGBT, isso gera medo, preocupação e principalmente: dúvida. Do por quê ela “escolheu” um caminho tão perigoso, dúvida do que irá acontecer com ela e dúvida do que ela é. Yayoi ama Uenoyama, mas ela não consegue entendê-lo e talvez jamais consiga… Mas está tudo bem! Contanto que ela o ame e respeite-o.

Alex – Sim, acho que quem pensa que não “entende porque ele (a) escolheu aquele caminho” pensa muito no futuro dele (a). A sociedade é horrível, sabemos disso, e isso é uma verdade incontestável. Há muito preconceito e o “diferente” para muitos assusta. Mas tem que se respeitar e respeito é a palavra chave para estas ocasiões. Pode não entender, mas respeite e torça para o melhor daquela pessoa, torça para que tudo dê certo e que ela seja feliz.


Rose – Reparou que nós estamos há mais de duas horas falando do Ritsuka e do Mafuyu *risos*. É divertido!

Alex – Pois é *risos*. Given tem muito o que ser falado de seus personagens. Mas vamos seguir?

Rose – SIM! Estou ansiosa para o filme ❤ Quero ver como vão adaptar o arco do Akihiko e do Haruki. Principalmente: quero ver como vão desenvolver o Ugetsu e os sentimentos dele pelo Aki. Sabe, eu costumava ter uma relação de amor e ódio com esse arco. Mas agora eu finalmente entendi o porque de certas coisas acontecerem e como elas mostram: quem é o Akihiko e quem é o Haruki!

Alex – Sim, estou ansioso também ❤. Eu ainda não li, só vi por cima mesmo, então não sei ao certo o que acontece MESMO no arco.

Rose – Não sei se posso contar a partir daqui, apenas digo: espere pelo filme. Vai ser uma experiência muito mais agridoce do que o próprio anime…

Alex – Aguardo ansiosamente. Enfim, voltando ao anime Given. É tão complicado falar dos outros personagens *risos*, porque eles já tem/começaram a ter seus arcos próprios. Então a gente acaba por saber de mais coisa e não queremos falar de muito além do que o anime cobre no mangá…

Rose – Sim, o anime ainda não chegou no auge da relação do Akihiko com o Haruki. Por isso é difícil falar sobre os dois sem soltar grandes spoiles, mas o pouco que temos sobre eles no anime, é suficiente para conhecermos um pouco sobre eles.

Alex – Sim, então falemos deles um pouco. Apesar do Haruki e do Akihito não terem grandes momentos de destaque nesta parte da série, isso não quer dizer que eles não sejam importantes para ela.

Rose – Haruki foi a pessoa que uniu a banda, além de ser a voz da razão na maioria das cenas *risos*. E o Akihiko sempre sabe o que dizer. É incrível hahahaha.

Alex – Sim, quando conhecemos o Haruki (junto do começo da sua história romântica rs) e acompanhamos o processo de formação dela, mediando toda a situação e dele ter evitado que a banda acabasse. Akihito sabe o que dizer, como dizer e na hora que precisa ser dito, como quando ele soube quando tinha que conversar com o Mafuyu e o Uenoyama separados. Ele soube o que falar para cada um deles na oportunidade que teve para aconselha-los, seja de forma mais direta (com o Uecchi), seja de uma forma mais subjetiva (com o Mafuyu).

Rose – Sim! Eles são verdadeiros adultos! LoL. Algo que esqueci de comentar enquanto conversamos: as diferenças do traço do anime para o mangá. Eu simplesmente amo o desenho e o caracter design dos personagens, mas o anime perdeu um pouco do sentimento que a Kizu-sensei retratava em seus desenhos (os últimos capítulos do mangá esta o simplesmente lindos).


Alex – Apesar de ter uma boa animação, ela ser muito consistente, as expressões faciais acabam por não fazer jus à obra. Tem uma cena que eu gostaria de destacar e que foi adaptada no episódio 9. É a do Uenoyama correndo. Que dá para ver o “desespero” dele naquela situação.

Rose – Como ele é lindo…

Rose – Me lembro dessa cena… Ele é tão legal.

Alex – E não só o sentimento que por vezes acaba ficando perdido, como também a sensação de movimento que esse quadro do mangá traz também se perde. Claro que no anime eles estão se mexendo, mas um único quadro do mangá traz uma sensação de movimento maior do que num quadro do anime.

Rose – Exatamente, a Kizu-sensei usa o movimento dos cabelos para tentar trazer essa sensação de movimento e cumpre sua missão lindamente.

Alex – Perfeita! O desenho dela é muito bonito. Ela desenha demais e cada quadro do mangá é excelente. Não desmerecendo o anime claro, acerta nas suas escolhas também, como apontamos lá no começo, mas acaba por pecar na expressividade e, as vezes, no movimento… Espero que deem uma mexida nessas cenas no Blu-ray do anime.

Rose – Engraçado como nos Blu-ray a qualidade da animação é sempre superior (cof cof capitalismo) e não acho que Given seja diferente.


Rose – Bom, uma pergunta aleatória… Quem você acha que é o personagem mais expressivo?

Alex – Da série como um todo?

Rose – Sim!

Alex – Pode parecer meio irônico, mas acho que o Mafuyu acaba por ser o mais expressivo. Explico: ele pode ser apagado/lerdo, mas ele transmite MUITA coisa com aqueles olhos. Sério, aqueles olhos, nossa… Eles passam muitas emoções, um sentimento mais solitário e até vazio em algumas vezes. O Mafuyu se sente muito solitário, isso transparece muito bem. E quando chega no momento ápice do anime, no episódio 9, isso é transmitido pela música, como ele se sente, o quão conturbado era toda a situação. Adoro ele demais. E para você, quem é o mais expressivo?

Rose – Tambem diria o Mafuyu, principalmente depois de Fuyu no Hanashi. Mas fico dividida entre ele e o Uenoyama… Como você mesmo diz os olhos de Mafuyu dizem muito sobre ele. Quando você olha diretamente para eles vê o quão vazio e solitário ele se sente sem o Yuki, até mesmo nos momentos de alegria. Já o Ritsuka, bom… o que podemos dizer sobre o maior gay panic da história dos animes? Hahaha.


Alex – Falemos agora um pouquinho do Hiiragi, até porque só da pra falar um pouco dele, porque a participação dele foi bem curta no anime. Mas não que ele não tenha sido importante.

Rose – Hiiragi foi um personagem muito importante, apesar de não parecer quando olhamos para ele superficialmente. Ele foi o melhor amigo do Yuki, além de ser outra figura importante para Mafuyu. Ele sempre esteve presente, desde da infância dos dois até o momento em que Yuki partiu. Ele sabia desde o início da relação dos dois e assistiu a briga. Lembro da cena em que Mafuyu grita com Hiiragi e quando se da conta que a última vez que fez isso, acabou por perder o amor da sua vida, pareceu assustado e receoso. Ele não conseguia se perdoar e Hiiragi também não conseguia. Em sua cabeça, se tivesse intervindo, talvez as coisas não tivessem ido tão longe como foram… Assim como Mafuyu ele teve de conviver com a culpa esse tempo todo (mesmo que em uma escala menor). E também com a preocupação do que aconteceria com Mafuyu se ele continuasse dessa forma.

“Estou tão feliz que Mafuyu conseguiu cantar!”


Essa frase é muito mais profunda do que parece…

Alex – SIIIIIIIIIIM, eu ia falar justamente dela, o Mafuyu conseguir se expressar foi muito importante para ele e para todos que estavam presentes no show, independente da proximidade que eles tem com o Mafuyu. As pessoas que estavam ali, sentiram o quão carregado o Mafuyu estava. Lembro que uma moça que estava lá disse:

“Porque eu… Entendi mais ou menos o significado daquela música. Por isso, quando o Satou-kun gritou, eu me arrepiei até a pontinha do meu pé, e não estava me aguentando. Por sorte, eu tinha alguém para segurar minha mão, mas o Satou-kun estava em pé no palco por si só… Não consigo imaginar quanta coragem ele precisou para isso. Eu não consegui lidar com aquilo.”


Ela, por mais que não saiba o que ele passou, sentiu isso. Então para o Hiiragi, aquela musica também teve um peso enorme e a partir dela ele conseguiu ver que o Mafuyu vai conseguir ir adiante. Com isso, acho que ele conseguiu o perdão que ele queria.

Rose – Given por que me mataste?Gente to muito triste ehahhaha.

Alex – Né, sofremos :(.
Só quem acompanhou semanalmente sabe…


Alex – Já falando do episódios finais, pós show. Sabe a situação: “fazer por impulso e só pensar nas consequências depois”? Temos essa situação perfeitamente aqui *risos*

Rose – Sim, eu conheço muito bem *risos*. Me lembro da cena do show em que gritei e chorei alto… Eu preocupei meus pais bastante naquela noite.

Alex – Tive que segurar os gritos, mas as lágrimas… Essas não deram para segurar hahahaha. O Uecchi age ali por impulso ao beijar o Mafuyu e só se toca disso no dia seguinte, gerando mais gays panics *risos*. O que acho interessante é um pensamento dele que diz que não é como se o Mafuyu fosse querer ser beijado por qualquer um ou algo assim, não me recordo muito bem da frase. Mas mostra como o Uenoyama valoriza e respeita aquilo que o Mafuyu quer, o que é muito bom vide a quantidade de yaois adaptados para anime em que isso não acontece (cof Junjou Romântica cof). Então, isso é muito importante e mostra como vai ser um relacionamento saudável para ambos. Uma cena que eu acho fofa é quando o Uecchi está pensando na letra e vê que ela traz sofrimento, e que aquilo tudo estava guardado dentro do Mafuyu. A parte fofa que eu acho é que ele quer que a próxima canção seja para ele, Uenoyama sempre sendo um fofo hehe.

Rose – Sim! Eles são tão fofos. Enfim… Voltando ao tópico sobre as adaptações de mangas BL, acredito que uma das principais causas para o preconceito que parte da comunidade otaku tem com o BL são justamente as adaptações para animes de obras de qualidade duvidosas. Quem não se lembra dos queixos pontudos e das relações forçadas nos BLs dos anos 2000? Claro, ainda existem obras assim, mas isso não é exclusivo do gênero.

Alex – Aqueles queixos me assombram até hoje *risos*. E sim, acho que agora vem uma fase de renovação creio eu, pegando obras mais atuais e de melhor qualidade, com um investimento também. Só temos que esperar sair o novo projeto de Sekaiichi para poder esquecer essa fase (eu acho) hahaha. Temos Saezuru com filme marcado, filme de Given anunciado e anime de Ten Count, que tem muitos problemas. Mas isso é discussão para quando seu anime sair…

Rose – Estarei aguardando o convite (amo Ten Count, apesar de odiar algumas coisas nele) e adoraria debater com você ^^.

Alex – Sinta-se convidada para tal ^^, aguardo ansiosamente por isso. Mas voltando, tem um momento de flashback (muito triste) no episódio 9, e quero aproveitar uma teoria criada por 2 amigas (a @miutuallove e a @meujabutifugiu), que é uma teoria baseada em cores, que elas perceberam tanto olhando para as capas dos box de blu-ray como no flashback desse episódio. Mas o que quero usar aqui é como os tons usados no flashback são cores mais opacas, acinzentadas e azuladas, sempre tons mais frios. Já quando pegamos o atual, as cores são mais vivas e vibrantes, como uma forma de renovação e de novos ares. A iluminação usada pela diretora ajuda muito a ilustrar esse aspecto.

Rose – A direção conseguiu fazer um trabalho espetacular na estética no anime! A coloração… A iluminação… E até mesmo os momentos ´escuros` . Foi incrível! Quando vemos que Mafuyu aos poucos começou a mudar do azul para o laranja, vemos também a evolução dele. Como dito anteriormente: Mafuyu jamais será o mesmo sem o Yuki. Mas isso não é de todo ruim. Junto de Uenoyama, ele conseguiu crescer e transformar essa dor e maturidade. No entanto ele ainda é muito dependente de seu parceiro…

Alex – Sim, seguir em frente não é de uma hora para outra. Leva tempo, principalmente porque o Mafuyu só conseguiu começar a fazer isso por agora, então dê tempo ao tempo. E tudo nessa vida é para aprendizado. Saber lidar com cada situação é importante para amadurecer. Algumas levam mais tempo que outras, mas no fim tudo se ajeita ^^.

  • Conclusão:

Given nos proporcionou uma experiência maravilhosa enquanto assistimos. Personagens cativantes e trabalhados de forma excelente (acho que deve ter ficado bem evidente pelo tanto que falamos dos personagens *risos*), roteiro muito bem construído, com uma mensagem muito importante: “Continue caminhando para o futuro! Mesmo que o passado machuque… Apenas viva! Pois, sempre existirá uma segunda chance”.

O anime está disponível de forma oficial pela Crunchyroll. E se você assistiu e gostou, quer ler o mangá, não deixe de pedir ele no cantinho de sugestões da NewPOP e/ou assinar esta petição para o mangá. Atualização: venho informar que a editora NewPOP anunciou o mangá e irá começar a publicar a obra em maio de 2020, mais informações de preço e formato aqui ^^.

Capa japonesa do volume 1 do mangá.

Um último recado: esse post foi uma ideia que me veio na cabeça um tempo atrás, comentei com um amigo e ele achou legal. então esse post é meio como um teste. Espero que gostem ^^.


9 comentários em “Review – Given

  1. simplesmente amei a forma como foi construído o texto, meus parabens.
    Terminei hoje o anime e só sinto vontade de chorar, mas tenho que admitir, esse foi o melhor anime BL que já assisti, e eu lendo esse texto só ficou um sentimento mais forte e me fez ver coisas que não havia percebido durante o anime. Muito obrigada por postar esse texto, amei demais, sucesso viu!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Adorei o formato em que ficou o texto! Me senti num bate-papo entre amigos enquanto lia e balançava a cabeça pra todos os lados, fosse em concordância ou não! XD
    Given é uma obra que se parar pra analizar tem muito, mas muito detalhe mesmo. Dá pra ficar o dia inteiro apontando uma nova “descoberta” e formulando opiniões e teorias diversas em cima disso. Acho que é isso que faz dela uma obra tão querida.
    E os persaoagens são muito humanos, suscetíveis a erros e acertos, e isso que nos faz identificar com suas ações e repreender outros atos… E deve ser exatamente o ponto que os torna tão carismáticos?

    Desculpe o pequeno texto ao invés de um comentário mais objetivo, mas realmente adorei a resenha em forma de conversa!
    Ficou maravilhoso e espero que façam mais reviews nesse formato ♡

    (aguardando ansiosa o dia em que vão lançar o anime de ten count pra ver a sua opinião, pq esse mangá é TÃO diferente de Given… *rindo de nervoso*)

    Curtido por 1 pessoa

    1. SIIIIIIIIIIIIM!!! E não se importe com o tamanho dos comentários ^^. Fico feliz que tenha gostado. E de fato, Given tem muitos detalhes o que deixa a obra muito rica, da para discutir tranquilamente por horas sobre. Faremos mais posts assim sim! Não sei quando será o próximo, mas espero que seja dentro em breve.

      Ten Count é um caso complicado em MUITOS sentidos *risos*. Terá seu post quando ele sair e quando ele terminar ^^. Espero que deem uma mexida no original, porque meu deus… *chorando internamente*

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